VSR: Pernambuco começa a aplicar o nirsevimabe contra o vírus sincicial respiratório

Anticorpo monoclonal começa a ser distribuído aos municípios e é indicado para bebês prematuros e crianças menores de 2 anos com comorbidades

Por JC Publicado em 06/02/2026 às 10:26

Clique aqui e escute a matéria

Pernambuco inicia, a partir da próxima segunda-feira (9), a aplicação do nirsevimabe, anticorpo monoclonal indicado para a prevenção de casos graves do vírus sincicial respiratório (VSR).

O imunobiológico passa a integrar a rede estadual e municipal de saúde como estratégia complementar no enfrentamento das infecções respiratórias que afetam, principalmente, bebês e crianças pequenas.

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) começa a logística de distribuição do medicamento para os municípios ainda nesta semana. Até o momento, o Estado recebeu 4.976 doses enviadas pelo Ministério da Saúde, que serão destinadas exclusivamente ao público definido nos critérios nacionais da estratégia.

Quem pode receber o nirsevimabe

O nirsevimabe é administrado por via intramuscular, em dose única, e está indicado para dois grupos específicos: bebês prematuros com idade gestacional inferior a 36 semanas e 6 dias, independentemente do peso ao nascer, e crianças menores de 2 anos (até 1 ano, 11 meses e 29 dias) que apresentem comorbidades elegíveis.

Entre as condições que indicam o uso do imunobiológico estão:

  • cardiopatia congênita;
  • imunodeficiências graves;
  • fibrose cística;
  • anomalias congênitas das vias aéreas;
  • doença pulmonar crônica (broncodisplasia);
  • síndrome de Down;
  • doenças neuromusculares.

Para esse grupo, a aplicação ocorrerá durante o período de sazonalidade do VSR, que vai de fevereiro a agosto.

Onde o imunobiológico será aplicado

O anticorpo monoclonal será ofertado prioritariamente em maternidades e leitos obstétricos conveniados ao SUS, além dos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs) e unidades da rede pública de saúde.

Nas maternidades, a aplicação ficará sob responsabilidade das próprias equipes, garantindo a proteção ainda no período neonatal.

Nos municípios que ainda não definiram serviços de referência, a orientação é que pais e responsáveis procurem o Programa Municipal de Imunização para obter informações atualizadas sobre o acesso ao medicamento.

Estratégia para reduzir casos graves e internações

A introdução do nirsevimabe ocorre em um contexto de aumento sazonal dos vírus respiratórios, período que costuma pressionar a rede hospitalar, especialmente os leitos pediátricos e de terapia intensiva. Diferentemente das vacinas, que estimulam o organismo a produzir anticorpos, os anticorpos monoclonais oferecem proteção imediata, atuando diretamente contra o vírus.

Segundo a superintendente de Imunizações de Pernambuco, Magda Costa, a medida representa um avanço importante na proteção das crianças mais vulneráveis.

“Trata-se de uma estratégia inovadora no âmbito da saúde pública, administrada em uma única dose e que pode garantir proteção por até seis meses, reduzindo casos graves e a procura por atendimento hospitalar”, destaca.

Vacinação em debate: tudo o que você precisa saber para se proteger

Integração com outras ações de prevenção

O nirsevimabe passa a compor o conjunto de ações adotadas pelo SUS contra o VSR. Desde dezembro, Pernambuco já oferta a vacina recombinante contra o vírus para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de proteger bebês menores de seis meses por meio da transferência de anticorpos.

Até então, o palivizumabe era a única opção disponível na rede pública para prevenção do VSR. A orientação do Ministério da Saúde é de substituição gradual pelo nirsevimabe, com a ressalva de que crianças que já iniciaram o esquema com o palivizumabe devem completá-lo com as cinco doses previstas.

A SES-PE também orienta os municípios a realizarem a busca ativa de crianças elegíveis, incluindo prematuros nascidos após agosto de 2025 e menores de seis meses no início da sazonalidade deste ano, além de crianças com comorbidades que ainda não tenham recebido o palivizumabe.

Compartilhe

Tags