Alerta que vem da pele: seis em cada dez brasileiros se expõem ao sol sem proteção
Levantamento da SBD revela padrão preocupante: exposição solar sem proteção é comum, e o câncer de pele aparece de forma recorrente em atendimentos
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Mais de 17,5 mil atendimentos dermatológicos gratuitos realizados em todo o Brasil acenderam um alerta importante sobre o câncer de pele e os hábitos de exposição solar da população brasileira. Dados do Dia de Atendimento Gratuito da Campanha Dezembro Laranja, promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), mostram que quase 14% dos pacientes avaliados apresentaram carcinoma basocelular, o tipo mais comum da doença, e que 61% das pessoas atendidas relataram se expor ao sol sem qualquer tipo de proteção.
A mobilização nacional realizou, em dezembro, 17.562 atendimentos dermatológicos gratuitos em 100 postos por todo o País.
Entre os diagnósticos identificados, os casos de carcinoma basocelular corresponderam a 13,96%, seguidos por outras pré-neoplasias (11,67%), carcinoma espinocelular (4,49%), melanoma (2,30%) e outros tumores malignos (1,08%).
Além disso, 41,47% dos atendimentos apontaram outras dermatoses, enquanto 25,02% dos pacientes não apresentaram alterações dermatológicas.
A divulgação dos dados ocorre às vésperas do Dia do Dermatologista, celebrado na próxima quinta-feira (5), data que reforça a relevância da especialidade na prevenção, no diagnóstico precoce do câncer de pele e na promoção do autocuidado.
Em comparação com 2024, os percentuais se mantiveram semelhantes. Naquele ano, o carcinoma basocelular foi diagnosticado clinicamente em 14,84% dos pacientes, enquanto outras pré-neoplasias representaram 11,51%. O carcinoma espinocelular apareceu em 4,68% dos casos, o melanoma em 2,31% e outros tumores malignos em 1,21%.
Do total de pessoas atendidas em 2025, 61% eram mulheres e 39% homens, proporção que se repetiu em relação ao ano anterior e que, segundo a SBD, reflete maior procura feminina por cuidados com a saúde.
"É fundamental reforçar que a prevenção é para todos. Os homens também precisam prestar atenção no autocuidado", afirma o presidente da SBD, Carlos Barcaui.
O levantamento também revelou que 61% dos atendidos relataram se expor ao sol sem proteção, enquanto 32% afirmaram utilizar proteção solar e 7% disseram não se expor ao sol.
A maioria dos participantes não possuía histórico pessoal de câncer de pele (84%) nem histórico familiar da doença (71%).
A iniciativa amplia o acesso da população ao dermatologista em um cenário ainda marcado por desigualdades. De acordo com o dossiê Brasil à Flor da Pele, uma em cada quatro pessoas não sabe que o dermatologista é médico, e apenas 12% dos brasileiros se consultaram com um dermatologista em 2024.
A pesquisa do Instituto Datafolha aponta que a renda é um fator determinante para o acesso à especialidade, com taxas significativamente mais altas entre as classes A e B do que entre as classes C e D/E.
"Os resultados do Dezembro Laranja 2025 evidenciam o papel fundamental do dermatologista na promoção da saúde, no diagnóstico precoce do câncer de pele e na orientação da população", reforça Carlos Barcaui.