Automedicação pode causar intoxicação e atrasar diagnóstico, alerta Imip

Prática comum no Brasil envolve riscos como reações adversas, agravamento de doenças e internações evitáveis, alerta especialista

Por Maria Clara Trajano Publicado em 22/01/2026 às 13:24

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Tomar remédios por conta própria, repetir prescrições antigas ou seguir orientações encontradas na internet são hábitos frequentes entre brasileiros e que podem trazer consequências sérias à saúde.

Especialistas alertam que a automedicação pode provocar desde intoxicações medicamentosas até o mascaramento de doenças que exigiriam diagnóstico e tratamento adequados.

Riscos da automedicação

Entre os principais riscos estão o uso de doses inadequadas, a combinação de medicamentos incompatíveis e o atraso na identificação de problemas mais graves.

“O medicamento pode aliviar um sintoma momentaneamente, mas esconder uma doença em evolução ou até agravar um quadro clínico”, explica a farmacêutica Ítala Nóbrega, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip).

O Brasil figura entre os países que mais consomem medicamentos no mundo, cenário associado à facilidade de acesso, ao grande número de farmácias e a uma cultura de uso frequente de remédios sem orientação profissional.

Outro fator de risco é o armazenamento doméstico de sobras de tratamentos anteriores, o que favorece o uso inadequado e sem acompanhamento.

Segundo especialistas, o uso correto de medicamentos pressupõe avaliação clínica, definição precisa do tratamento, tempo adequado de uso e orientação sobre administração, possíveis efeitos adversos e descarte correto das sobras. Sem esses cuidados, aumentam as chances de eventos adversos e internações evitáveis.

Uso correto de medicamentos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define, desde 1985, o chamado Uso Racional de Medicamentos, que envolve prescrição adequada, acesso ao tratamento correto e adesão do paciente.

No Brasil, a política de medicamentos genéricos, instituída em 1999, ampliou o acesso a tratamentos, mas não elimina a necessidade de acompanhamento médico ou farmacêutico.

Especialistas reforçam que, diante de sintomas persistentes ou dúvidas sobre medicamentos, a orientação profissional continua sendo o caminho mais seguro.

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