Recife expande oferta de implante contraceptivo subdérmico no SUS; veja como ter acesso
Método passa a ser disponibilizado para todas as mulheres e pessoas com útero entre 11 e 49 anos, desde que atendam aos critérios clínicos
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O acesso ao implante contraceptivo subdérmico foi ampliado na rede municipal de saúde do Recife. Antes direcionado a adolescentes, jovens de até 19 anos e pessoas em situação de vulnerabilidade, o método agora passa a ser ofertado a todas as mulheres e pessoas com útero entre 11 e 49 anos que atendam aos critérios clínicos.
De longa duração, altamente eficaz e reversível, o contraceptivo integra as ações da Secretaria de Saúde para ampliar as opções de planejamento reprodutivo, com a expansão viabilizada por meio de parceria com o Ministério da Saúde.
Atualmente, o produto custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil na rede privada.
"Em junho de 2024, o Recife foi pioneiro na oferta, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desse método até então só disponível na rede privada e, pelo seu custo, muitas vezes negado por planos de saúde. O implante subdérmico tem eficácia de 99% e duração de três anos", explica a secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque.
Ela destaca que um dos maiores benefícios é evitar o esquecimento ou descontinuidade no uso das pílulas, o que é muito comum em ocorrências de gravidez não desejada. "Nos primeiros 18 meses, priorizamos a população mais jovem e vulnerável, com a aplicação em cerca de 7 mil pessoas. Agora, com a expansão, diversificamos a oferta de planejamento familiar e reprodutivo para um público maior."
A inserção e a retirada do implante subdérmico devem ser realizadas por médicos e enfermeiros qualificados. No Recife, o atendimento será feito nas unidades da Atenção Básica, com quase mil profissionais capacitados.
Além de prevenir a gravidez não planejada, o acesso a contraceptivo também contribui para a redução da mortalidade materna, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU). O Ministério da Saúde tem o compromisso de reduzir em 25% a mortalidade materna geral; e em 50%, entre mulheres negras até 2027.
Atualmente, a rede municipal disponibiliza uma ampla variedade de métodos contraceptivos, incluindo outro método de longa duração, o dispositivo intrauterino (DIU), além de anticoncepcionais injetáveis mensal e trimestral, minipílula, pílula combinada, contraceptivo de emergência e preservativos feminino e masculino.
Também estão disponíveis os métodos cirúrgicos de laqueadura tubária e vasectomia, conforme os protocolos vigentes.
O acesso a todos esses métodos, incluindo o implante subdérmico, ocorre por meio de consultas e acompanhamento nas Unidades de Saúde da Família (USF) e nas Unidades Básicas Tradicionais (UBT).
Procedimento em consultório
O implante é aplicado de forma segura e rápida por profissionais devidamente capacitados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF e USF+), unidades do Consultório na Rua (e-CnaR) e nas maternidades municipais.
O método pode ser utilizado, inclusive, por adolescentes e libera uma dosagem hormonal mínima de forma gradual, o que contribui para a redução de efeitos colaterais.
A aplicação é indolor e feita na região subcutânea de um dos braços.
Após os três anos em uso, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo próprio SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.