Exercícios no calor: especialista alerta para riscos do estresse térmico durante atividades ao ar livre
Combinação entre calor intenso e esforço físico pode gerar sobrecarga térmica no organismo, comprometer o desempenho e colocar a saúde em risco
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Com o aumento da temperatura neste verão, cresce a preocupação com a prática de atividades físicas ao ar livre. A combinação entre calor intenso e esforço físico pode gerar sobrecarga térmica no organismo, comprometer o desempenho e colocar a saúde em risco quando não há os cuidados adequados.
Durante o exercício, o corpo naturalmente eleva sua temperatura interna. Isso ocorre porque a contração muscular demanda grande gasto liberação de energia, e parte dessa energia é liberada em forma de calor. Para evitar que a temperatura corporal atinja níveis perigosos, o organismo aciona mecanismos de resfriamento, principalmente por meio da evaporação suor.
Em repouso, cerca de 20% da dissipação de calor ocorrem pela evaporação; durante o exercício, essa proporção pode chegar a 80%, o que torna o suor essencial para o equilíbrio térmico.
O médico Selênio Campos Filho, da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e coordenador da pós-graduação em Medicina do Esporte da Afya Educação Médica, ressalta que o problema é que, no verão, o ambiente externo já está naturalmente quente e, a depender da região, pode estar quente e úmido, o que pode agravar o cenário.
"Além do calor gerado pelo próprio exercício físico, o atleta ou praticante enfrenta a temperatura ambiente elevada, o que cria um duplo estresse térmico. E quando o ar está quente e úmido, a evaporação do suor se torna menos eficiente, e o corpo tenta produzir mais suor para se resfriar", explica o médico.
Quando o organismo não consegue eliminar o calor na velocidade necessária, a temperatura central pode subir, além da hiperprodutividade do suor causar uma desidratação e perda de minerais, e com isso podem surgir sintomas como tontura, fraqueza, queda de desempenho, câimbras e desidratação.
Casos mais graves podem evoluir para exaustão pelo calor, caracterizada por mal-estar intenso, náuseas, vômitos, diarreia, cefaléia, ou até hipertermia e insolação, condições que exigem atendimento médico imediato.
"A insolação ou intermação é o quadro mais preocupante, pois ocorre quando o corpo perde completamente a capacidade de controlar sua própria temperatura, o que faz a temperatura central passar os 40°C. Isso leva a alterações neurológicas importantes, como desorientação ou perda da consciência", alerta o especialista.
Para prevenir esses quadros, o médico reforça que a hidratação é o principal fator de proteção. Beber água antes, durante e depois do exercício ajuda a manter o equilíbrio térmico e repor os líquidos perdidos pelo suor.
"A melhor forma de se proteger é evitar que a temperatura corporal suba a níveis perigosos. Isso envolve reposição constante de líquidos gelados, que tenham também eletrólitos, escolha de horários mais frescos para o treino e respeito aos limites individuais de cada pessoa", orienta Selênio.
A recomendação é que as atividades sejam realizadas no início da manhã ou no fim da tarde, quando a temperatura e a radiação solar são mais amenas. Roupas leves que não dificultem a transpiração, protetor solar e bonés também ajudam a reduzir o impacto do calor.
O especialista ressalta ainda que a alimentação tem papel importante na performance e na recuperação. "Evite treinar em jejum e prefira refeições leves e equilibradas. O consumo de frutas, vegetais e alimentos ricos em água contribui para manter o corpo nutrido e hidratado", complementa.
Com a intensificação do calor nas próximas semanas, a orientação é adotar hábitos preventivos e estar atento aos sinais do corpo.
"Suor excessivo com presença de sal na roupa, fadiga, dor de cabeça e confusão mental são sintomas de alerta. Se o desconforto persistir, é fundamental interromper a atividade e procurar atendimento médico. A prevenção é sempre o melhor caminho para manter a segurança e o desempenho durante o verão", frisa Selênio.