Por que a vacinação contra o HPV é decisiva para transformar cenário do câncer de colo do útero

A vacina contra o HPV é gratuita no SUS. O vírus afeta a pele e as mucosas, sendo a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo

Por Cinthya Leite Publicado em 06/01/2026 às 20:24 | Atualizado em 06/01/2026 às 20:30

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Capaz de mudar o cenário do câncer de colo do útero nas próximas gerações, a vacinação contra o HPV é apontada por especialistas como a principal ferramenta de prevenção da doença. Durante este Janeiro Verde, campanha de conscientização sobre a doença, o Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) chama atenção para a importância da vacinação contra o HPV e da realização regular do exame preventivo como estratégias decisivas para mudar esse cenário.

Silencioso, prevenível e com altas chances de cura quando descoberto a tempo, o câncer do colo do útero ainda impacta milhares de mulheres no Brasil todos os anos, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. 

Apesar de ser considerado raro em países desenvolvidos, onde a ampla cobertura vacinal e os programas de rastreamento reduziram significativamente a incidência da doença, o câncer de colo do útero segue entre os tumores mais frequentes entre as mulheres brasileiras.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 17 mil novos casos são registrados por ano no País, o que coloca a doença como o segundo tipo de câncer mais incidente na população feminina. 

De acordo com o cirurgião oncológico Vandré Carneiro, do HCP, a infecção persistente pelo papilomavírus Humano (HPV) está associada à quase totalidade dos casos de câncer de colo do útero.

"A vacinação contra o HPV é hoje a principal ferramenta de prevenção. Ela reduz de forma significativa o risco de infecção pelos tipos do vírus relacionados ao desenvolvimento do câncer e tem potencial para mudar o cenário da doença nas próximas gerações", destaca o especialista.

A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos entre 9 e 14 anos.

A transmissão do HPV ocorre principalmente por via sexual e pode acontecer mesmo com o uso de preservativo. Entre os fatores que aumentam o risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero, estão o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e a ausência de exames de rastreamento ao longo da vida.

Além da vacina, o exame preventivo do colo do útero, conhecido como papanicolau, desempenha papel fundamental na detecção precoce de alterações celulares que podem evoluir para o câncer. O exame permite identificar e tratar lesões precursoras, interrompendo a progressão da doença.

As recomendações de saúde indicam que o exame preventivo seja realizado por mulheres que já iniciaram a vida sexual, conforme orientação médica, com respeito aos intervalos definidos após resultados normais. Em situações de alterações ou histórico prévio de lesões, o acompanhamento deve ser mais rigoroso.

Quando diagnosticado em estágio inicial, o câncer de colo do útero apresenta taxas de cura superiores a 90%. Mesmo nos casos mais avançados, que exigem tratamentos como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, as chances de controle da doença e de sobrevida continuam sendo significativas.

"O câncer do colo do útero é, em grande parte, evitável. Informação, vacinação e exames regulares salvam vidas", conclui Vandré Carneiro.

Resgate vacinal contra o HPV

O Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a estratégia de resgate vacinal contra o HPV destinada a jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na idade recomendada.

A iniciativa, que estava prevista para encerrar em dezembro de 2025, seguirá vigente até a realização da Campanha de Vacinação nas Escolas, a fim de ampliar o acesso desse público à imunização.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) segue a recomendação do ministério e amplia o período de vacinação contra o HPV, também na faixa etária de 15 a 19 anos. As ações de imunização deste público devem ser realizadas pelas gestões municipais em todo o primeiro semestre deste ano.

A vacina possui um papel fundamental na prevenção de cânceres associados ao vírus, como os de colo do útero, ânus, pênis, boca e orofaringe.

"A recomendação também reforça a necessidade da realização de atividades de vacinação extramuros, ou seja, a ampliação do acesso da população alvo ao imunizante em ambientes como escolas, universidades e locais de grande circulação de público, como shoppings", diz a coordenadora do Programa Estadual de Imunização de Pernambuco, Jéssica Mendes.

"É fundamental que aqueles jovens que não se vacinaram em tempo oportuno possam buscar as salas e pontos de vacinação e se protegerem", acrescenta. 

Como parte do Calendário Nacional de Vacinação, a disponibilização do imunobiológico contra o HPV é realizada para população formada por crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, com o esquema de dose única.

Em Pernambuco, atualmente, a cobertura vacinal está em 76,88% para o sexo feminino e 63,81% para o masculino. A meta preconizada pelo órgão de saúde federal é de 90%.

No Estado, o imunizante também é ofertado na estratégia estadual de Vacinação nas Escolas. A parceria entre as secretarias estaduais de Saúde e de Educação oportuniza o acesso e estimula a imunização da população dentro do ambiente escolar, proporcionando a elevação das coberturas vacinais. Em todo o ano letivo de 2025, foram aplicadas 10.870 de HPV em escolas.

Em cada ação, são disponibilizadas imunizantes contra a covid-19, HPV, tríplice viral, influenza, febre amarela, tétano e hepatite B - imunizantes já disponíveis no Calendário Nacional Básico de Vacinação.

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