VSR: Vacina do SUS aplicada na gestação pode evitar 28 mil internações e proteger 2 milhões de bebês contra bronquiolite

Vacina inédita no SUS protege recém-nascidos contra formas graves da doença e reduz hospitalizações. Crianças menores de 2 anos são as mais afetadas

Por Cinthya Leite Publicado em 19/12/2025 às 15:09

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O Ministério da Saúde faz um alerta para que gestantes a partir da 28ª semana se vacinem contra o vírus sincicial respiratório (VSR) principal causador da bronquiolite em bebês menores de 2 anos. A estratégia, inédita no Sistema Único de Saúde (SUS), busca garantir proteção antes do período de maior circulação do vírus, que tende a se intensificar a partir de fevereiro, com pico nos meses de abril e maio.

A imunização permite a transferência de anticorpos da mãe para o bebê ainda durante a gravidez, e isso protege a criança nos primeiros seis meses de vida, fase de maior vulnerabilidade às formas graves da doença.

A estimativa do ministério é de que a vacinação possa evitar cerca de 28 mil internações por ano e beneficiar aproximadamente dois milhões de recém-nascidos. 

"O VSR é o principal agente causador da bronquiolite em bebês. É responsável por grande parte das internações pediátricas por infecções respiratórias", alerta o pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria. 

"A transmissão ocorre através de tosse e espirro ou pelo contato com secreções nasais e superfícies contaminadas. Importante destacar que o VSR pode sobreviver por horas em superfícies não porosas", acrescenta Eduardo Jorge, que também é conselheiro federal, por Pernambuco, do Conselho Federal de Medicina (CFM). 

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"O VSR é responsável por grande parte das internações pediátricas por infecções respiratórias", diz o pediatra Eduardo Jorge - DIVULGAÇÃO

Os sintomas da infecção pelo VSR, de acordo com o pediatra, incluem quadros semelhantes a um resfriado na fase inicial. Entre eles, nariz escorrendo, tosse seca ou com muco, febre baixa (ou ausente), irritabilidade e redução do apetite. 

"É preciso atenção para a fase de desconforto respiratório, o que pode se manifestar com chiado no peito, dificuldade para respirar (respiração rápida, curta e superficial), esforço respiratório visível (movimentação excessiva da barriga), recusa de alimentos e das mamadas", alerta Eduardo Jorge. 

Há ainda sinais de alerta para busca imediata de atendimento médico: lábios ou pele azulados/acinzentados; pausas na respiração; sonolência ou letargia excessiva; e esforço respiratório muito acentuado.

Vacinação para se prevenir durante a sazonalidade do VSR

Para evitar esses quadros na próxima sazonalidade, prevista para começar em fevereiro, com pico nos meses de abril e maio, o Ministério da Saúde distribuiu mais de 673 mil doses do primeiro lote aos Estados, com 88,4 mil aplicadas desde 3 de dezembro.

"Ao vacinar as gestantes, garantimos que os bebês já nasçam protegidos, o que reduz internações, o sofrimento das famílias e mortes evitáveis. Por isso, é fundamental que todas as gestantes a partir da 28ª semana procurem a unidade básica de saúde mais próxima para se vacinar", afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Para viabilizar a estratégia, o Ministério da Saúde distribuiu no início de dezembro o primeiro lote de 673 mil doses da vacina a todos os Estados e ao Distrito Federal, conforme cronograma pactuado com gestores estaduais e municipais.

Vacina do Butantan em parceria com a Pfizer

Ao todo, a pasta adquiriu 1,8 milhão de doses. A vacina é produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica Pfizer, no âmbito de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) firmada em setembro.

Além de garantir o fornecimento imediato ao SUS, o acordo prevê a transferência de tecnologia e a produção nacional de até 8 milhões de doses por ano, fortalecendo a soberania sanitária e a capacidade produtiva do país.

O VSR segue como o principal causador de infecções respiratórias agudas graves em crianças menores de dois anos. O vírus é altamente transmissível e responde por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias nessa faixa etária.

Imunização passiva e medidas de higiene

De acordo com Eduardo Jorge, há ainda a imunização passiva destinada a grupos de risco. "Para bebês de altíssimo risco, como prematuros e crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas, pode ser indicada a aplicação de um anticorpo monoclonal injetável para oferecer proteção imediata contra o vírus", frisa o pediatra. 

Ele ainda sublinha a importância de adotarmos medidas de higiene, o que ajuda a se proteger do VSR e outros vírus respiratórios. "Algumas atitudes são fundamentais. Entre elas, lavar as mãos frequentemente (principalmente antes de tocar no bebê), evitar contato do bebê com pessoas doentes ou com sintomas respiratórios, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações", orienta Eduardo Jorge. 

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