Dezembro Laranja: câncer de pele avança, radiação aumenta e maioria dos brasileiros ainda ignora proteção diária
Dezembro Laranja reforça alerta para prevenção do câncer de pele em meio a aumento de radiação solar e falta de hábitos de fotoproteção no País
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O mês de conscientização do câncer de pele chega em 2025 com um cenário que acende alertas importantes. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o câncer de pele segue como o tumor mais frequente no Brasil, representando cerca de um terço de todos os diagnósticos oncológicos.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) reforça que a exposição solar sem proteção é o principal fator de risco, e que o diagnóstico precoce ainda é o melhor caminho para evitar complicações.
A edição 2025 do Dezembro Laranja chama atenção para o comportamento da população diante desse risco. Dados recentes do Instituto Datafolha apontam que cerca de 90 milhões de brasileiros (54% da população) nunca consultaram um dermatologista.
Outro levantamento, do Instituto de Cosmetologia de Campinas, mostra que 65,5% não usam protetor solar diariamente — um hábito essencial, especialmente em um país com radiação crescente.
Mudanças climáticas aumentam exposição ao risco
A preocupação se intensifica à medida que o Brasil registra índices mais altos de radiação ultravioleta (UV). Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), diversas capitais já ultrapassam o nível UV 11, classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como extremo.
O fenômeno é impulsionado por mudanças climáticas e elevação das temperaturas médias, o que aumenta o potencial de dano celular.
Para a dermatologista Marina Coutinho, esse cenário reforça a necessidade de encarar o protetor solar como item de saúde, e não apenas de estética.
“A radiação ultravioleta danifica o DNA das células da pele. É um efeito cumulativo, silencioso e permanente. A fotoproteção diária é a forma mais eficaz de evitar esses danos”, alerta.
Ela lembra que a radiação UVA atravessa nuvens e vidros, tornando necessária a proteção mesmo em dias nublados ou dentro de espaços com janelas amplas.
Fotoproteção vai além do protetor solar
Os especialistas reforçam que a prevenção envolve um conjunto de atitudes:
- Uso diário de protetor solar FPS 30 ou superior;
- Reaplicação a cada duas horas ou após suor intenso e mergulho;
- Roupas com proteção UV e acessórios como bonés, viseiras e óculos;
- Evitar exposição solar entre 10h e 16h;
- Autoexame da pele e consulta anual ao dermatologista.
Embora luzes artificiais não causem câncer de pele, elas podem contribuir para manchas e melasma, por isso a fotoproteção ainda é recomendada para quem passa longos períodos sob luz natural indireta ou luz azul de telas.
Sinais de alerta
Os sintomas variam de acordo com o tipo de câncer:
- Carcinoma basocelular: nódulos brilhantes, lesões peroladas ou feridas que não cicatrizam;
- Carcinoma espinocelular: feridas persistentes, crostas ou lesões verrucosas;
- Melanoma: pintas assimétricas, de bordas irregulares, que mudam de cor ou tamanho.
O diagnóstico é realizado com dermatoscopia e biópsia, quando necessário.
“Quanto mais cedo identificamos uma lesão, maiores as chances de cura e menor a necessidade de intervenções extensas”, explica Marina Coutinho.
COMO SE PROTEGER TODOS OS DIAS
- Usar protetor solar FPS 30+ e reaplicar a cada 2 horas;
- Reaplicar após suor, mergulho ou contato com água;
- Usar roupas e acessórios com proteção UV;
- Evitar sol entre 10h e 16h;
- Usar protetor mesmo em ambientes internos com grande entrada de luz natural;
- Fazer autoexame da pele regularmente;
- Ir ao dermatologista uma vez ao ano ou ao notar pintas novas ou alteradas.