Novembro Roxo: como prevenir o parto prematuro e proteger a saúde do bebê

Campanha destaca importância do pré-natal, diagnóstico precoce e hábitos saudáveis para reduzir riscos na gestação

Por Maria Clara Trajano Publicado em 17/11/2025 às 15:13

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A campanha Novembro Roxo reforça, ao longo deste mês, a importância dos cuidados que ajudam a reduzir a prematuridade — quando o parto ocorre antes de 37 semanas.

A mobilização tem como marco o dia mundial da prematuridade, celebrado em 17 de novembro, e chama atenção para estratégias que garantem um início de vida mais seguro para milhões de bebês.

Em 2025, o tema global da campanha é “Garanta aos prematuros começos saudáveis para futuros brilhantes”, enfatizando que a proteção começa ainda na gestação.

A prematuridade é um desafio mundial: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a principal causa de morte neonatal. No Brasil, cerca de 340 mil bebês nascem prematuros todos os anos, aproximadamente 11% dos partos.

De acordo com o obstetra Eduardo de Souza, coordenador médico da Maternidade do Hospital São Luiz Anália Franco, da Rede D’Or, parte desses casos pode ser evitada com acompanhamento adequado.

“O pré-natal bem feito é a ferramenta mais poderosa para diminuir riscos. Em qualquer sinal de alteração, a gestante precisa buscar avaliação médica. O cuidado contínuo protege a mãe e o bebê”, afirma.

Inicie o pré-natal o mais cedo possível

A consulta pré-concepcional — antes mesmo da gravidez — permite identificar doenças prévias, como hipertensão, diabetes, obesidade e infecções.

Caso a gestação já tenha começado, o acompanhamento deve ser iniciado imediatamente.

“Quanto mais cedo avaliamos riscos, maiores as chances de intervir a tempo, especialmente em mulheres com histórico de prematuridade ou cirurgias no colo do útero”, orienta o obstetra.

Faça o rastreamento de infecções urinárias e genitais

Infecções, mesmo assintomáticas, podem desencadear inflamação e induzir contrações antes da hora.

Corrimento, coceira ou odor alterado merecem atenção, e exames simples, como urina tipo I e urocultura, ajudam no diagnóstico precoce.

“Identificar e tratar essas infecções reduz de forma significativa o risco de parto prematuro”, explica Souza.

Realize o ultrassom morfológico do segundo trimestre

Esse exame mede o comprimento do colo do útero e permite identificar fragilidade cervical. Quando há risco aumentado, o médico pode indicar:

  • uso de progesterona;
  • cerclagem (sutura que reforça o colo);
  • pessário cervical (dispositivo de sustentação).

“São medidas pouco invasivas, mas muito eficazes para evitar o parto antes do tempo”, destaca o médico.

Atenção aos sinais de trabalho de parto prematuro

Procure atendimento de urgência se houver:

  • contrações rítmicas;
  • dor abdominal ou cólica intensa;
  • pressão na pelve;
  • aumento do corrimento;
  • perda de líquido.

Em ambiente hospitalar, é possível administrar medicamentos para interromper as contrações e acelerar a maturação pulmonar do bebê, especialmente antes de 34 semanas.

Mantenha hábitos saudáveis durante toda a gestação

Evitar cigarro e álcool, manter alimentação equilibrada, controlar o ganho de peso e tratar doenças pré-existentes são medidas que fazem diferença.

“A soma desses cuidados com o pré-natal regular reduz complicações e aumenta a segurança da gestação”, finaliza o obstetra.

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