Pesquisa pode levar farmacêutica pernambucana para o espaço

Estudando nanopartículas e proteínas em microgravidade, a farmacêutica Isabel Fernandes, de Itapetim, no Sertão, busca novas terapias contra o câncer

Por Cristiane Ribeiro Publicado em 07/11/2025 às 12:54

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A farmacêutica e doutoranda Isabel Fernandes, natural de Itapetim, no Sertão pernambucano, desenvolve na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) uma pesquisa que busca novas formas de tratamento contra o câncer.

O estudo analisa como a ausência de gravidade altera o comportamento de partículas, células e proteínas, e pode levá-la a uma missão espacial da Space Exploration and Research Agency (SERA).

O laboratório no espaço

O foco da pesquisa de Isabel é entender como um ambiente de ausência de peso (microgravidade), influencia partículas, células e proteínas, especialmente nanopartículas que podem ser usadas como transportadoras de medicamentos para células doentes, como as cancerígenas.

"Tudo que a gente conhece no planeta Terra está sob influência da gravidade. Então, a gente pesquisa o que acontece com essas coisas sem esse aspecto", explica Isabel.

O trabalho inclui testar como os medicamentos podem se comportar fora da Terra e como processos biológicos se organizam de forma diferente quando a força da gravidade é quase nula.

Cortesia/Isabel Fernandes
A doutoranda e farmacêutica Isabel Fernandes estuda o comportamento de nanopartículas em microgravidade - Cortesia/Isabel Fernandes

Por que a microgravidade importa

Estudos em microgravidade permitem observar interações moleculares que, na Terra, passam despercebidas. Nesse ambiente sem peso, as reações químicas ocorrem de forma mais equilibrada, e as nanopartículas se tornam mais estáveis. Tudo isso é essencial no desenvolvimento de medicamentos mais eficazes.

Outro aspecto importante é a cristalização de proteínas, processo fundamental na criação de diversos fármacos. Na Terra, a gravidade faz com que essas moléculas "afundem" durante os testes, atrapalhando a visualização dos cientistas.

Já na microgravidade, sem essa força puxando para baixo, as proteínas ficam suspensas e conseguem se alinhar de maneira mais ordenada. Dessa forma, as estruturas podem ser melhor observadas e é possível entender com mais precisão como os medicamentos atuam sobre elas.

"Quando você tem a oportunidade de fazer o experimento comparando com a gravidade real, é um ganho significativo, porque você tem várias formas de entender como funciona, como melhora a eficácia, a estabilidade, e a cristalização dos fármacos", afirma Isabel.

Como isso é feito na Terra?

No Brasil, Isabel e sua equipe utilizam simuladores de microgravidade de bancada, desenvolvidos em parceria entre o Instituto Keizo Asami (iLIKA-UFPE), o Instituto de Redução de Risco e Desastre (IRRD-UFRPE) e a Universidade Politécnica da Cataluña (Barcelona Tech).

O objetivo de levar os experimentos ao espaço é validar e calibrar os resultados obtidos na Terra. Durante o voo suborbital, de seis a oito minutos, o experimento é exposto à microgravidade real. As alterações observadas no espaço devem ser mantidas e podem ser analisadas no retorno, permitindo replicar e aprimorar a simulação feita no laboratório.

"E aí a gente consegue ter um equipamento mais robusto e validar o que foi desenvolvido pela própria equipe. E esse equipamento, uma vez validado, vai servir para continuarmos a pesquisa, podemos desenvolver os novos medicamentos", explica a pesquisadora.

Além disso, a observação das nanopartículas em microgravidade pode render outras aplicações além das farmacêuticas. "Uma vez validado isso, a gente consegue aplicar em outras áreas, inclusive, e não só em medicamentos".

Cortesia/Isabel Fernandes
Simulador de microgravidade - Cortesia/Isabel Fernandes

Retorno social

O foco da pesquisa de Isabel não é desenvolver apenas um medicamento, mas sim descobrir novos caminhos de tratamentos que podem inspirar outras gerações de cientistas, especialmente mulheres nordestinas e sertanejas, como ela.

Outro ponto fundamental para Isabel é que a ciência ultrapasse os limites do laboratório e atinja a sociedade. "Se você não tirar isso da academia, acaba sendo uma busca em vão. Eu acredito muito que a ciência precisa ter um retorno social".

Como ajudar Isabel a chegar ao espaço

A farmacêutica conta com o apoio do público para avançar na competição da SERA. A seleção para a missão inclui um ranking de candidatos brasileiros, no qual a interação digital e o engajamento nas redes sociais são fundamentais para somar pontos e subir de posição.

Para contribuir, basta seguir e interagir com os perfis da pesquisadora:

O objetivo é que Isabel permaneça entre os 10 primeiros colocados do Brasil, garantindo a classificação para a próxima fase do programa.

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