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Mais movimento, mais infância: atividade física transforma vida das crianças

No Dia Mundial da Atividade Física, especialista alerta para impacto do sedentarismo e destaca importância de criar hábitos saudáveis desde cedo

Por Cinthya Leite Publicado em 05/04/2025 às 12:45 | Atualizado em 05/04/2025 às 12:59

Neste domingo (6/4), o Dia Mundial da Atividade Física chama a atenção para a importância do movimento na infância e os riscos associados ao sedentarismo. Apesar das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta ao menos 60 minutos diários de atividade física para crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos, cerca de 70% das crianças brasileiras não atingem esse mínimo.

Por isso, a data é importante para conscientizar a população para o fato de que, quanto mais cedo a atividade física é incentivada e se torna um hábito, maiores são os benefícios. O estudante Miguel Fogaça, 10 anos, já sabe o quão benéfico é o exercício. À tarde, ele joga futebol, faz atividades físicas com os amigos e participa de treinos funcionais adaptados para crianças.

"Eu adoro. Fico muito feliz", resume. Ele conta que, no primeiro dia de aula experimental, já pediu para se matricular na academia. Desde então, a rotina de treinos passou a fazer parte da sua vida. "Já aprendi sobre ter disciplina e obediência", diz Miguel, ao lembrar os desafios das aulas. 

A atividade física regular é fundamental para prevenir e tratar doenças crônicas não transmissíveis, como as cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e câncer. Mas a prática do exercício precisa ser mais estimulada entre todas as faixas etárias, especialmente na infância.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos devem praticar pelo menos 60 minutos de atividade física por dia. No entanto, cerca de 70% das crianças no Brasil não atingem esse mínimo.

Tela amplia sedentarismo na infância

O uso excessivo de telas é uma das principais causas do sedentarismo entre crianças e adolescentes. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que mais de 80% dos jovens entre 9 e 17 anos passam mais de duas horas por dia em frente ao celular, computador ou televisão. É um tempo superior ao recomendado por especialistas. Esse comportamento sedentário tem consequências sérias para a saúde física e mental.

Além do aumento de casos de obesidade infantil, o sedentarismo está diretamente ligado à redução da capacidade cardiorrespiratória e ao aparecimento precoce de doenças crônicas, como hipertensão, colesterol alto, diabetes tipo 2 e problemas ortopédicos, incluindo dores na coluna e má postura.

O risco de desenvolver síndrome metabólica (um conjunto de condições que aumentam o risco de doenças cardíacas e derrames) também cresce significativamente entre crianças inativas.

Benefícios além da saúde física

A profissional de educação física Maeli Neri, da Cia Athletica Recife, destaca que a prática regular de exercícios promove benefícios além da saúde física. "Movimentar o corpo ajuda no desenvolvimento emocional, melhora a autoestima, ensina disciplina e fortalece as relações sociais", diz Maeli, que trabalha com crianças há mais de sete anos. 

Segundo ela, atividades em grupo também estimulam o respeito às regras, a convivência e o trabalho em equipe. "O movimento é uma ferramenta de educação."

Incentivar as crianças a praticarem atividade física, segundo explica Maeli, é uma tarefa que começa dentro de casa. O primeiro passo é o exemplo. "As crianças observam os adultos o tempo todo. Quando os pais têm uma rotina ativa, é mais provável que os filhos também se interessem por se movimentar", afirma.

Outra dica importante é oferecer opções variadas. Nem toda criança gosta de futebol. Por isso, é fundamental experimentar diferentes modalidades, como natação, dança, artes marciais ou até brincadeiras ao ar livre, até encontrar o que mais agrada.

Maeli também destaca a importância de evitar cobranças por desempenho. "A atividade física na infância deve ser leve e prazerosa. O foco precisa estar na diversão e na constância, não em resultados ou comparações com outras crianças."

Incluir o movimento na rotina diária também é essencial. Atitudes simples, como ir a pé para a escola, brincar no parque ou dar uma caminhada em família no fim da tarde, já fazem diferença. 

A profissional de educação física orienta que pais e responsáveis reforcem sempre os benefícios reais da prática: mais saúde, energia, disposição e bem-estar. "Quando a criança entende que se exercitar é bom para ela se sentir melhor, e não apenas para mudar a aparência, a relação com o corpo e com o movimento se torna muito mais positiva e duradoura", sublinha Maeli.