Obesidade: mutirão de bariátrica no HC-UFPE dá esperança a pacientes em fila de espera

Com a ação, hospital reduz a lista e consequentemente abre novas vagas para as pessoas que aguardam o acesso ao tratamento cirúrgico no hospital

Publicado em 28/02/2025 às 17:22 | Atualizado em 28/02/2025 às 17:37
Google News

A ciência já provou que a obesidade não é apenas um fator de risco. É uma doença crônica que, não tratada, abre portas para vários problemas de saúde e limitações em atividades básicas do dia a dia, além de outras restrições e impactos no bem-estar. Assim, a obesidade deve ser acompanhada com respeito, dignidade e humanidade, da mesma forma que doenças como hipertensão e diabetes.

Entre os tratamentos, está a cirurgia bariátrica, indicada a pessoas com doenças crônicas relacionadas à obesidade que já tentaram, sem sucesso, tratamentos convencionais. Com fila de espera para o procedimento em todo o Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem como atender à demanda. Assim, mutirões são importantes para aliviar a lista dos pacientes que aguardam a operação. 

Em março, mês marcado pelo Dia Mundial da Obesidade (4 de março), o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) promove mais uma edição do Mutirão de Cirurgia Bariátrica.

No HC, localizado na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife, a ação será realizada dos dias 10 a 14 de março. Já tradicional, o mutirão reforça o trabalho de conscientização sobre a importância da prevenção e tratamento da obesidade. 

O hospital, referência nacional na especialidade, é o primeiro do Brasil a ter implantado um programa de Residência Médica em Cirurgia Bariátrica. Com o mutirão, o hospital reduz a lista de espera e consequentemente abre novas vagas para as pessoas que aguardam o acesso ao tratamento na instituição.

Doze pacientes com obesidade severa e que já são acompanhados pelo HC serão beneficiados, após terem passado por todo o processo pré-operatório necessário. 

O cirurgião Álvaro Ferraz, coordenador da Área Assistencial de Cirurgia Geral do HC, explica que a fila para a bariátrica, no hospital, é limitada a 200 pacientes.

"Só entra um paciente novo na hora em que um é operado. Estima-se que, em Pernambuco, 600 mil pessoas vivam com obesidade severa. Esse dado é de acordo com os últimos números que mostram incidência de obesidade na casa dos 24% na população brasileira. Em Pernambuco, essa média é um pouco maior", diz. 

O hospital realiza, há mais de 20 anos, as cirurgias bariátricas por videolaparoscopia, uma técnica minimamente invasiva. "Isso garante uma recuperação muito mais rápida e também proporciona menos complicações cirúrgicas imediatas e no pós-cirúrgico", diz Álvaro, que também é professor do Centro de Ciências Médicas (CCM) da UFPE.

"A cirurgia está indicada para o tratamento da obesidade severa, caracterizada pelo IMC (índice de massa corporal) acima de 35 kg/m² com comorbidades (como hipertensão e diabetes, por exemplo) ou IMC acima de 40 kg/m² sem comorbidades. Nessas situações, a cirurgia é o melhor tratamento para a reversão da obesidade e para a perda de peso", explica o cirurgião Álvaro Ferraz, coordenador da Área Assistencial de Cirurgia Geral do HC.

Para este mutirão, o HC conta com o apoio da Covidien/Medtronic, que doará os kits cirúrgicos e cederá a torre de videolaparoscopia para a realização do procedimento.  

O Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade do HC é integral e multiprofissional. O trabalho inclui o acompanhamento nutricional e psicológico, a adoção de um programa de prática de exercícios físicos (elaborado pelo Laboratório Avançado de Educação Física e Saúde do HC) e uso de medicação, além da cirurgia bariátrica nos casos indicados.

Os pacientes são acompanhados por uma equipe formada por nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e profissionais de educação física.

O que define obesidade?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é definida como o excesso de gordura corporal em quantidades que causem risco à saúde. Uma pessoa com obesidade é aquela que tem um índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m2. São três graus de obesidade. O mais grave é aquele acima de 40kg/m².

A faixa de IMC considerada ideal varia entre 18,5 e 24,9 kg/m2. Entre 25 e 29,9kg/m², considera-se como sobrepeso (acima do peso desejado).

O IMC é calculado dividindo o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metro).

A sociedade deve compreender que a pessoa com obesidade não é assim por querer. O preconceito precisa ser quebrado para que as pessoas possam buscar o tratamento sem medo e julgamentos. 

Várias causas envolvidas

A obesidade é uma doença multifatorial, em que fatores genéticos, metabólicos, sociais, psicológicos e ambientais estão envolvidos. A doença também pode favorecer o surgimento de outros problemas, como a diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.

A OMS estima que 2,3 bilhões de adultos no mundo estejam acima do peso neste ano de 2025. Entre eles, 700 milhões com obesidade (IMC acima de 30 kg/m²).

No Brasil, a prevalência de obesidade quase dobrou de 2006 para 2019 e atingiu 20,3% da população adulta (57% quando combinado com o sobrepeso).

Até 2030, estima-se que a prevalência de obesidade chegue aos 29,6% dos adultos (68,1% quando combinado com pessoas com sobrepeso).

 

Tags

Autor