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Viroses no verão: saiba mais sobre zika, dengue e norovírus

Arboviroses e vírus que causam gastroenterite estão entre os maiores vilões da saúde durante a estação. Medidas simples podem reduzir o contágio

Por Paloma Xavier Publicado em 12/02/2025 às 0:00 | Atualizado em 12/02/2025 às 10:58

O verão é conhecido não apenas por ser uma estação repleta de festividades e favorável para idas à praia e, mas também por favorecer a circulação de viroses, como zika, dengue e norovírus.

O médico Plínio Eulálio, clínico do Hospital Jayme da Fonte, explica a incidência das viroses nesta estação: “Pelo aumento das temperaturas, pelo aumento da umidade, pela maior incidência de chuvas nesse período, há um aumento significativo na circulação de vírus.”

De acordo com o especialista, algumas dessas doenças são transmitidas por mosquitos. “As mais conhecidas na nossa região são a zika, a dengue e a chikungunya. O aumento da temperatura diminui o tempo de maturação dos mosquitos, então vão ter mais mosquitos circulando e consequentemente uma maior transmissão das doenças.”

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Plínio Eulálio, médico clínico do Hospital Jayme da Fonte, explica porque viroses são mais comuns no verão, estação na qual o Carnaval acontece - JUNIOR SOUZA/JC IMAGEM

Há também vírus que causam gastroenterites, cujo contágio pode acontecer através do contato direto ou indireto com pessoas infectadas. “É preciso ter contato com o infectado de forma direta ou indireta, ou seja por gotículas, seja por contaminação de objetos inanimados como mesas, canetas. Então para as gastroenterites, como por exemplo o norovírus, é necessário o contato direto, porque a transmissão é fecal-oral”, explica Plínio.

Zika e dengue

Sintomas

Transmitidas por mosquitos, as arboviroses têm sintomas parecidos, segundo o clínico. “As diferenças são sutis. Por exemplo, para ser dengue é preciso que exista um quadro febril. Essa doença vai causar febre e uma mialgia [dor muscular] intensa e pode causar diarreia, vômito e náusea. A gente deve ficar sempre atento aos sinais de alarme.”

“Já a zika vai ter sintomas mais leves que vão lembrar uma alergia, o paciente pode ter uma conjuntivite leve, uma vermelhidão no olho, manchas pelo corpo, até uma febre mais baixa. Dores pelo corpo não são tão característicos nesse caso”, acrescenta.

Diagnóstico e tratamento

Plínio afirma que os médicos não costumam realizar exame de sangue para identificar a virose causadora da zika, dengue ou chikungunya. “Isso porque o tratamento não vai mudar. Ainda não existe um tratamento específico para nenhuma delas, não há ainda uma medicação antiviral de forma específica”, explica. O tratamento ao qual o especialista se refere é o uso de analgésicos e antitérmicos, além de repouso e hidratação.

“É importante para nossa epidemiologia saber quais são os vírus que estão mais circulantes, mas o tratamento não vai mudar. Então, podemos fazer esse diagnóstico baseado na história clínica do paciente e até utilizar artifícios como exames laboratoriais, exames de PCR. Mas não vai fazer diferença no tratamento”, complementa.

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Zika, dengue e chikungunya estão entre as arboviroses que têm como vetor o mosquito Aedes aegypti - FREEPIK

O médico também ressalta que é preciso estar atento aos sinais de alarme. “A dengue é a que tem a maior gravidade dentre elas e precisamos ficar atentos. Se o paciente que está tendo uma febre mais persistente, qualquer tipo de sangramento, uma dor abdominal muito intensa, vômitos que não estão passando com medicação, por exemplo. Isso funciona como marcador de gravidade para uma dengue com sinais de alarme e possível necessidade de internamento”, detalha.

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2024, o número de mortes por dengue foi maior que o de covid-19, que foram 6.041 e 5.960 respectivamente. Os dados indicam a alta de 400% nas mortes resultantes da doença transmitida pelo mosquito em relação a 2023, quando foram registrados 1.179 óbitos.

Nos primeiros dez dias de 2025, a pasta comunicou que o número de casos prováveis foi de 16.299 e que dezesseis óbitos estavam sendo investigados. Além disso, projetou uma “provável incidência elevada” de casos de dengue neste ano nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Paraná. Outro agravante apontado pelo ministério é o aumento da circulação do sorotipo 3 da dengue - o mais propenso a desenvolver formas graves da doença -, com maior incidência esperada em São Paulo.

PEXELS
Um dos sintomas mais comuns da dengue é a dor abdominal - PEXELS

Segundo Plínio, a doença tem quatro sorotipos conhecidos e, geralmente, um indivíduo só pode ficar doente quatro vezes, sendo cada infecção causada por um sorotipo diferente. “Mas às vezes o segundo episódio pode ser mais grave por conta da exposição prévia. É um paciente que tem uma chance maior de complicação.”

De acordo com o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, foram registrados 6.028 casos prováveis e nenhuma morte pelo zika vírus. Até 7 de fevereiro, o número de casos prováveis foi de 169.

O clínico destaca que o zika pode causar complicações neurológicas: “Ele tem uma predileção pelo sistema nervoso central. Então, geralmente, as complicações vão estar relacionadas a alterações neurológicas. No caso das gestantes, a complicação mais conhecida nos fetos é a microcefalia, mas ela também pode dar outros tipos de malformações, principalmente relacionadas à audição. Já nos pacientes adultos, há a síndrome de Guillain-Barré, que também é gera acometimento neurológico.”

Como prevenir?

Plínio afirma que a melhor forma de prevenção da dengue, zika e outras arboviroses é focar no vetor, o mosquito Aedes aegypti. “Atuar no ciclo do mosquito impedindo que ele se reproduza, e, a partir do momento que ele se reproduz, também prevenir que ele entre em contato com a gente. Para prevenir a reprodução, temos que eliminar ou diminuir os criadouros e evitar água parada.”

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O uso de repelente auxilia na prevenção contra a dengue e outras arboviroses - FREEPIK

“O mosquito gosta de água limpa, que pode estar nos vasos, pneus e outros itens. É preciso conscientizar as pessoas em relação a esse tipo de prevenção e em relação à criação de barreiras entre o mosquito e a gente. O uso de repelentes serve como barreira, assim como o uso de telas nas janelas e nas portas”, acrescenta.

Norovírus

Apesar do norovírus ser mais comum em áreas de clima temperado ou mais fresco, como na região Sul e Sudeste do Brasil, a virose também está em outras regiões do país. “Inclusive, no Carnaval, há um aumento na circulação de pessoas aqui em Pernambuco. Essas aglomerações aumentam a chance de contaminação. Por isso, os cuidados precisam ser redobrados nessa época do ano”, ressalta o clínico.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo confirmou, em janeiro, que o surto de virose na Baixada Santista foi causado por norovírus. O surto no litoral do estado superou 7.500 casos, de acordo com o levantamento da CNN.

Sintomas

Plínio explica que essa virose é muito infectante e basta uma pequena quantidade de partículas virais para contaminar uma pessoa. “A transmissão acontece pela via fecal-oral. A infecção vai acontecer através da boca e a eliminação vai acontecer através das fezes. Algumas pessoas podem eliminar pelas fezes por quatro semanas ou mais, principalmente pacientes imunossuprimidos”, acrescenta.

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A diarreia é um sintoma comum de gastroenterites como a causada pelo norovírus - FREEPIK

O norovírus causa gastroenterite, que pode apresentar quadros com diarreia, vômitos e cólicas abdominais.

Diagnóstico e tratamento

Plínio afirma que muitas vezes não é preciso identificar o agente da gastroenterite porque, geralmente, o tratamento é de suporte. O paciente deve se hidratar e pode tomar medicação para amenizar a diarreia.

“O diagnóstico pode ser feito pelo RT-PCR, com amostra das fezes. Mas normalmente é feito em situações específicas, como num estudo epidemiológico para saber qual é o agente microbiológico que está causando um surto. Também é importante para conseguir descontinuar algumas terapias, que podem estar sendo desnecessárias para aqueles pacientes”, complementa.

Como prevenir?

Para evitar o contágio, o clínico ressalta a higiene e a limpeza adequada de alimentos. “Muito cuidado principalmente com os alimentos que a gente está consumindo, evitar levar as mãos à boca, lavar as mãos, limpar as superfícies com materiais de limpeza à base de cloro”, detalha.

“E os pacientes com um quadro de gastroenterite agudo devem ficar mais reclusos, repousando para sua própria recuperação e também não estarem disseminando a doença”, finaliza.

Hospital Jayme da Fonte 

O Hospital Jayme da Fonte dispõe de atendimento emergencial 24h, além de equipamentos modernos e atendimento humanizado a várias especialidades. 

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