TELAS NA INFÂNCIA

Tecnoestresse: neuropediatra alerta para perigos no uso excessivo e precoce das telas pelas crianças

Problema é provocado por qualquer tipo de estímulo tecnológico capaz de gerar uma reação estressada

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 24/07/2023 às 12:31 | Atualizado em 24/07/2023 às 16:55
FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
A tela emite uma onda na faixa azul que vai direto à retina, inibindo a liberação de melatonina - FOTO: FREEPIK/BANCO DE IMAGENS

Hábito cada vez mais frequente, o uso de telas na infância se tornou uma preocupação para os especialistas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda restrições na infância e alerta, inclusive, que menores de 2 anos de idade não devem ter acesso algum.

O motivo é que o acesso cada vez mais precoce a aparelhos eletrônicos como smartphone e tablets pode impactar no desenvolvimento das crianças e gerar uma série de problemas de saúde, como o tecnoestresse (estado psicológico negativo relacionado com o uso exacerbado de tecnologias - como smartphone, tablet e jogos eletrônicos - e que leva o cérebro a um excesso de estímulos).  

Ou seja, o problema é provocado por qualquer tipo de estímulo tecnológico capaz de gerar no indivíduo uma reação estressada

"É importante alertar para o tecnoestresse. A cada vez que a criança fica mais tempo em frente da tela, ela libera mais cortisol e dopamina. Com isso, fica impossível oferecer qualquer brincadeira da faixa etária pediátrica que vá competir com esse excesso de cortisol e dopamina no cérebro, e prender a atenção da criança", diz a neurologista infantil Adelia Henriques-Souza, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip).  

A médica explica ainda que os primeiros mil dias de vida (período da gestação mais os dois primeiros anos após o nascimento) são essenciais para o desenvolvimento infantil.

"Esses mil dias de vida têm uma importância fundamental para o desenvolvimento de todas as habilidades da criança. Até os três anos, o ser humano tem o aumento do perímetro encefálico chegando a quase 80% do tamanho total que o cérebro atingirá na fase adulta."

De acordo com Adélia, trata-se de um momento de extrema importância. "É quando ocorrem todas das sinapses dos neurônios e o desenvolvimento das habilidades de conhecimento, de funções executivas, entre outras. Quando se oferece tela, a criança é privada emocionalmente e sensorialmente", ressalta.

DIVULGAÇÃO/IMIP

"Crianças que são expostas maciçamente a telas podem ter severos distúrbios do sono, alimentares, inclusive com tendência à obesidade, além de sinais e sintomas do TDAH", alerta a neuropediatra Adélia Henriques-Souza, do Imip - DIVULGAÇÃO/IMIP

Outros riscos provenientes do uso desses equipamentos também podem ser observados.

"A tela emite uma onda na faixa azul que vai direto à retina, inibindo a liberação de melatonina. É por isso que as crianças que são expostas maciçamente às telas podem ter severos distúrbios do sono, alimentares, inclusive com tendência à obesidade, além de sinais e sintomas do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)", destaca Adelia Henriques-Souza.

A neurologista infantil faz uma recomendação às famílias.

"A OMS e todas as sociedades de pediatria recomendam que crianças abaixo de 2 anos não sejam expostas a telas. Já crianças entre 2 e 5 anos podem ter acesso, mas apenas uma hora por dia, sob supervisão de um adulto. Bebês não precisam de telas. Bebês precisam de pais eficientes", aconselha Adélia.

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