Marcha para Jesus reúne políticos, "Judas", juristas e pretendentes. Teve de tudo um pouco

Quando é que o Itamaraty vai assumir, de vez, o comando das negociações, escanteando "negociadores" que estão de olho na política, em vez de acordos?

Por Romoaldo de Souza Publicado em 04/06/2026 às 18:40

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DEPOIS DA DESGRAÇA
Até 2017, a cidade de Minaçu, no norte de Goiás, vivia o apogeu econômico exportando amianto para o Brasil e dezenas de países, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou à conclusão de que o mineral apresentava "graves riscos à saúde pública" e proibiu sua extração, industrialização, comercialização e distribuição. A cidade voltou a viver do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

A LUZ DA ESPERANÇA
Agora, segundo o prefeito Carlos Alberto Leréia (PSDB), o mundo "voltou a descobrir nosso minério". Minaçu, com pouco mais de 27 mil habitantes, passou a ser referência mundial na produção de minerais raros imprescindíveis para a transição energética. Disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd) e praseodímio (Pr) são os quatro elementos magnéticos cobiçados pelo mundo e produzidos no interior de Goiás.

O QUE CITA O DOCUMENTO
O governo norte-americano demonstrou preocupação com a falha do Brasil, segundo a Casa Branca, "em proibir e fiscalizar a importação de bens fabricados com trabalho forçado", o que, de certa forma, "gera concorrência desleal para os trabalhadores e empresas americanos".

BOLA MURCHA
Depois de comparar o pai, Jair Bolsonaro (PL), a Pelé, o "Rei do Futebol", o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anda se vangloriando de ter sido o responsável pelo fuzuê entre Brasil e Estados Unidos.

BAIXA A BOLA
Como diz um leitor assíduo da coluna, "Flávio Bolsonaro talvez seja o único ser vivo no planeta capaz de influenciar as decisões do presidente Donald Trump". Na análise desse visionário [e]leitor, Lula também acredita no potencial do adversário ou, pelo menos, "quer fazer os brasileiros acreditarem nisso".

O QUE DEUS UNIU...
...a política não separe. Parafraseando os padres durante a celebração de um casamento, pensei cá comigo: só pode ser obra divina colocar no mesmo carro de som o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos); e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
— A mesa de Jesus é para judeus e para gentios. A mesa de Jesus é para Pedro, para Tiago. Até Judas compartilhava a mesa de Jesus, filosofou o advogado pernambucano.

À ESPERA DE UM MILAGRE
Durante a Marcha para Jesus, Jorge Messias foi aconselhado a fazer um pedido. Para alcançar o milagre, o advogado-geral da União escreveu um bilhete, colocou-o dentro do sapato e ergueu as mãos postas. Lula quer indicá-lo novamente para uma cadeira no STF.

NA PONTA DO LÁPIS
Flávio Bolsonaro, um dos 42 votos contrários à indicação de Jorge Messias para o STF, ontem estava ao seu lado. É um bom sinal, acredita o advogado.

EM NOME DO PAI
Lula não esteve na marcha, que contou, também com a presença do ministro do STF, André Mendonça.
- Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada, disse Lula ao telefone, em ligação para o bispo Estevam Hernandes, organizado da Marcha.

NAMORO OU AMIZADE
Com o fracasso de todas as tentativas de montar um palanque em Minas Gerais, o presidente Lula despachou o presidente nacional do PT, Edinho Silva, para Belo Horizonte, onde se encontrou com o presidente do MDB, Baleia Rossi, e com Gabriel Azevedo, pré-candidato do partido ao governo mineiro.
— Estamos indo bem no diálogo, disse Edinho.

PENSE NISSO!
Sem os rapapés de que foi se criando um clima, uma "conexão positiva" ou algo como "pintou uma química" entre Lula e Donald Trump (Partido Republicano), está mais do que na hora de o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assumir, de vez, o comando das negociações e colocar a diplomacia para funcionar.

Chega de importantes acordos e interlocuções que valem milhões de dólares serem decididos com o fígado de quem está em campanha eleitoral. Isso não será bom para o Brasil.

Agora, entre 15 e 17 de junho, em Évian, na França, o Itamaraty deveria se antecipar para que esse encontro ocorresse e para que ambos os presidentes dessem uma declaração conjunta, evitando que Lula saia por uma porta e Trump por outra, cada um com sua ruidosa galhofa irreal.

O que está em jogo não é a reeleição de Lula, ao menos para o país produtor. O que está na roda é a venda dos nossos produtos. Isso vale muito mais do que o projeto de poder do petista.

Pense nisso!

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