Divisão no governo marca debate sobre o fim da taxa das blusinhas
No embate entre o Supremo Tribunal Federal e o Senado, está sendo articulada uma proposta de emenda constitucional que concede mais poderes às CPIs
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EU BEBO, SIM...
A ONG Transparência Internacional comprou a briga em nome do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, depois que o ministro Gilmar Mendes comparou a CPI do Crime Organizado à Operação Lava Jato e disse que Janot, às três horas da tarde, já estava bêbado:
– A partir das três horas da tarde, [Janot] convidava seus interlocutores para tomar uma grappa e, no final do dia, já estava bêbado, disse o decano da Corte.
...MAS QUEM NÃO?
Para a Transparência Internacional, “é ainda mais grave” que o comportamento “incompatível com a dignidade” tenha sido naturalizado tanto “por seus pares” no STF como no Senado Federal:
– Quando um juiz utiliza sua posição para atacar a honra de um indivíduo ausente, privado de defesa, constitui cena estranha à tradição democrática. No X, Rodrigo Janot curtiu o comentário da ONG internacional e postou um emoji de mãos postas.
MY FRIEND RAMAGEM
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou a ida de uma comitiva de senadores aos Estados Unidos para conversar com autoridades do governo de Donald Trump para advogar em favor do pedido de asilo político para o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo STF a 16 anos de prisão por participação na chamada trama golpista. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse que vai analisar o pedido e autorizar a compra das passagens e liberação do dinheiro das diárias. O requerimento não cita quantos senadores viajarão aos Estados Unidos.
FRUTA DESIDRATADA
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse que “a hora da onça beber água vai chegar” e, a partir desse momento, a candidatura de Lula da Silva (PT) vai “desidratar esse opositor”, referindo-se ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
SEM CHORO
O Planalto correu para “esclarecer” um suposto “mal-entendido” nas declarações um tanto quanto confusas de Guimarães sobre o fim da escala 6x1 e as possíveis perdas financeiras das empresas com a nova carga horária. Na regra de transição, o governo estuda prazos graduais de adaptação às novas jornadas de trabalho, conforme o porte da empresa, mas nada de oferecer compensações financeiras.
CHUTANDO O PAU DA BARRACA
Se, de um lado, ministros do STF abandonam a toga e, de porrete na mão, ameaçam um senador da República, na parte oeste da praça dos Três Poderes o Senado articula uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para “restituir” a autoridade das CPIs e impedir a sabotagem que, segundo parlamentares, o Judiciário vem promovendo contra as investigações no Legislativo.
DANIEL AO QUADRADO
Ora, se um Daniel, o Vorcaro, já causa um mal súbito nas hostes de Brasília toda vez que seu nome é mencionado, agora imagine dois Danieis: o ex-banqueiro e seu “cérebro”, Daniel Monteiro. Preso nesta quinta-feira, ele é dono de uma “memória de elefante” e sabe, de cor e salteado, a planilha da propina dos contratos de fachada que o banco mantinha com gente da esquerda à direita. Dos Três Poderes da República.
SEM MAIS PISOS SEM TETOS
Davi Alcolumbre anunciou que o Senado "não votará nenhuma matéria" que onere a folha de pagamento de estados e municípios sem antes dialogar com os gestores.
- É preciso compreender se os municípios e os estados brasileiros terão condições de pagar esses salários quando nós votarmos uma lei referente, obrigando a terem um piso. Porque, quando a gente consulta municípios que serão impactados com a votação dessas legislações estabelecendo piso em salário, há um reflexo imediato nos orçamentos dos municípios, dos estados e da União, advertiu.
TAXA DAS BLUSINHAS BALANÇA, MAS NÃO CAI
Para Lula, a “taxa das blusinhas”, imposta por seu próprio governo, “é um imposto desnecessário”, e ele defendeu a revogação. Bastou Lula pegar o avião para uma turnê europeia para que Geraldo Alckmin, presidente em exercício, defendesse a manutenção da taxa, a fim de fortalecer a “produção nacional”.
– Continuo entendendo que é necessária, porque, mesmo com a taxa, a tarifa ainda é menor do que a da produção nacional. Se for somar os 20% do imposto de importação mais o ICMS dos estados, vai dar menos de 40%. O produtor nacional paga quase 50%. Mesmo assim, a tarifa está menor que a da produção nacional.
PENSE NISSO!
Não vou nem entrar nos deslumbres da primeira-dama, Rosângela da Silva, que minimizou a taxa das blusinhas, dizendo que o ônus recai sobre a empresa, não na conta do comprador. Sem comentários.
Já o oportunismo eleitoreiro de Lula, ou o esquecimento — o que é possível que ocorra — de que foi no seu governo que as taxas passaram a ser cobradas, é imperdoável.
E, para mostrar que esse governo é a “casa da mãe Joana”, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, sai-se com o argumento de que a taxa é importante até para preservar empregos no país.
Lembro-me do ditado popular que diz: “em casa onde todos mandam, ninguém obedece”. No governo Lula, ninguém se entende. É aquele negócio: Lula só pensa em mais um mandato. O resto...
Pense nisso!