CPI do Crime Organizado nas mãos de Alcolumbre
Tem assinaturas além do necessário para que seja prorrogada, mas o problema é que essa CPI chegou perto de autoridades — inclusive do STF
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BALA DE PRATA
Na CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, a expectativa é fazer o dever de casa, sabendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve tergiversar em latim, usando o elástico conceito de interna corporis para negar qualquer intervenção diante da falta de ação do presidente David Alcolumbre (União Brasil-AP) quanto à inércia de prorrogação, por mais 60 dias, dos trabalhos da comissão.
QUEIMANDO CARTUCHO
Governistas que, assim como Alcolumbre, querem distância de qualquer CPI acusam o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), de ter tocado fogo no paiol de pólvora ao estabelecer uma estreita ligação entre o Banco Master, o crime organizado capitaneado pelo PCC e o Comando Vermelho, e parentes de ministros do STF. “Não há aceiro que controle um fogo desses”, diz um político nordestino.
COMPADECIDOS
A internet varou a Páscoa com a notícia de que o STF condenou um empresário catarinense a 14 anos de cadeia por ele ter feito um PIX de R$ 500 em favor de uma vaquinha para alugar um ônibus com manifestantes que vieram a Brasília, participaram do acampamento na porta do QG do Exército e em 8 de janeiro de 2023, quebraram o Congresso, o Planalto e o STF. O réu, Alcides Hahn, tem 71 anos e disse, em sua defesa que "um conhecido" teria solicitado dinheiro emprestado "para fazer uma viagem".
'E SE FOSSE NO VORCARO AIRWAYS...
...de um dos aviões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro', com destino a Porto Seguro, no Sul da Bahia, "levando amigos e autoridades para uma farra?", questiona um experiente advogado desses que têm registro no STF e entra pela garagem.
ENTORNOU O CALDO
Há ainda um grupo estridente no PT “batendo panelas” para barrar a chegada da ex-senadora Kátia Abreu ao partido. Pesa contra ela o fato de ter sido relatora, em 2007, do projeto que enterrou a CPMF — conhecida como “imposto do cheque” —, além de ter presidido a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, braço sindical do agronegócio. A convite do presidente Lula da Silva (PT), a ex-senadora se filiou ao partido para disputar o governo de Tocantins.
BONS TEMPOS...
...em que os políticos [se] riam quando eram informados de que haviam sido o Judas malhado no Sábado de Aleluia. Hoje em dia, está todo mundo tão intocável, tão cheio de melindres... Pelas ruas de Brasília, foram vistos dezenas deles — a maioria do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
PRENDADA NO LAR
Ao ver a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, preparando uma paca para o marido, recordei-me do poeta pernambucano, natural de Serra Talhada, Arnaud Rodrigues (1942–2010), que prestou uma homenagem aos trava-línguas da vida: “paca, tatu, cotia, não” e encerra com esta profecia:
“E morre a fauna e não se ouve / O sabiá cantando! / E morre a flora e não se vê / A flor desabrochando! / E não se escuta mais o ronco / Daquela cascata! /É o fim da vida, é o fim da água / Nêgo tá matando a mata!”
PENSE NISSO!
Não é o primeiro — nem será o último — projeto de lei a tratar da correção do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pela variação da inflação, em vez de ser corrigido com base nos índices da poupança acrescida de juros de 3% ao ano. Uma ninharia, convenhamos.
Pela proposta do deputado Albuquerque (Republicanos-RR), “o trabalhador teria mais rentabilidade e menos perda da massa aplicada”.
Ora, tanto se fala em empreendedorismo, na criação de alternativas de subsistência por iniciativa do próprio trabalhador, e por que ninguém cogita acabar com o FGTS? Esse percentual de 8%, que serve de referência para o depósito feito pelo empregador, poderia ser incorporado ao salário.
O trabalhador que se vire para administrá-lo. Ao menos, não haveria o cabresto sindical nem um fundo gestor financiando obras e projetos sobre os quais o próprio trabalhador sequer é consultado.
Incorpore-se ao salário. Se quiser comer uma picanha por mês, que coma. Se quiser tomar sua lapada de pinga, que beba. O importante é sair das amarras do Estado.
Pense nisso!