Supremo enterra CPMI do INSS e manda o Congresso pôr um ponto final nas investigações
Eduardo Leite se diz mais preparado que Caiado para disputar a Presidência. Família Bolsonaro investe em reformas para receber o ex-presidente
Clique aqui e escute a matéria
PREGO BATIDO
No argumento do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para prorrogar as investigações da CPMI do INSS, ele alegou que o caso “envolve roubo de bilhões de reais dos mais vulneráveis”. Defensor da prorrogação dos trabalhos, Mendonça disse que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), “criou obstáculos, com impedimentos e falta de leitura de requerimentos (...) até que se esgote o prazo e, depois, não se prorrogue”. O prazo final da comissão é 28 de março.
PONTA VIRADA
O ministro Alexandre de Moraes com motivos de sobra para que não houvesse prorrogação, justificou seu voto dizendo que “não há direito líquido e certo” para obrigar a extensão dos trabalhos.
— “A instauração, com prazo certo e fato determinado, é um direito da minoria [oposição]. A prorrogação é um direito da maioria. Quem estuda comissões parlamentares de inquérito sabe”, alfinetou.
FALTA POVO NAS RUAS
Mas aí, dependendo do lado em que essa gente estiver, o STF pode acabar criando um viés golpista e colocar todo mundo atrás das grades.
ARRIVEDERCI, BELLA!
A Justiça Federal da Itália autorizou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), alegando que “a decisão do Supremo Tribunal Federal em condená-la e pedir sua extradição para o Brasil não teve motivação política”. A deputada cassada será trazida para o presídio Colmeia, em Brasília, onde terá de cumprir pena de dez anos de reclusão por invasão ao sistema de dados do Conselho Nacional de Justiça.
MUY AMIGO, MAS COM RAZÃO
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), saiu em defesa do próprio nome para disputar a Presidência da República, dizendo que seu adversário, no partido, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, "representa um campo que já tem representante", referindo-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O PSD escolhe na próxima semana quem será seu candidato ao Planalto.
CONTRATO DE EXPERIÊNCIA
A partir desta sexta-feira, e pelos próximos 90 dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumprirá prisão domiciliar em sua residência no bairro Jardim Botânico, em Brasília. No sábado, haverá uma vigília e uma corrente de orações “pela saúde do presidente”. A família investiu R$ 6 mil para adaptar um quarto onde ele ficará sob cuidados médicos.
'TROQUE SEU CACHORRO...
...por uma criança pobre'. A música de Eduardo Dussek, Rock da Cachorra, foi tema de fundo imaginário no discurso do presidente Lula da Silva (PT), em Anápolis (GO), ao criticar os gastos das famílias brasileiras com seus bichinhos de estimação. Ao se dirigir a um representante de uma fábrica chinesa de automóveis, Lula disse: “Meu caro Zhu, na China não deve haver esse problema, mas aqui no Brasil nós gostamos muito de cachorro”. “Troque seu cachorro / Por uma criança pobre”, diz a música de Dussek.
JÁ PENSASSE?
Em algumas regiões da China, há o consumo de carne de cachorro. O presidente brasileiro pode até perder votos, mas não perde a piada.
“AINDA É CEDO”
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) tem dado um tímido sorriso quando é questionada sobre o que acha de ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro. “Só terei opinião quando for convidada”, desconversa. Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, a senadora é vista como o nome do agronegócio na chapa de direita.
PENSE NISSO!
Ponto para a corrupção. Qualquer que seja o interlocutor que você tenha à sua frente, se ele concordar com a decisão do Supremo Tribunal Federal, certamente apoia o desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas do INSS — seja porque concorda, porque se beneficiou ou porque faz vista grossa.
A começar pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passando por deputados e senadores governistas, além dessa trinca de ministros do STF.
É conversa mole dizer que se trata de um assunto interno do Congresso. No passado, não muito distante, o mesmo STF reconheceu que, assim como a minoria parlamentar tem a prerrogativa de criar a CPMI — “preenchidos os requisitos constitucionais” —, a prorrogação “não deveria depender da vontade política da maioria”.
É jogo de interesses e, neste caso específico, o interesse é acobertar o assalto aos aposentados. O resto é firula jurídica.
Pense nisso!