Ministro Edson Fachin, tardiamente, quer que magistrados atuem com "saudável distanciamento das partes e dos interesses em jogo"
…Agora é tarde, excelência. Seu time está contaminado. Alguns dos integrantes do Judiciário usam e abusam do cargo e do prestígio para enlamear o STF
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AD KALENDAS GRAECAS
Ou, no popular, em 30 de fevereiro — a indicação do ministro Jorge Messias está cada vez mais esquecida. Veio o Natal, e nada de Papai Noel na chaminé do advogado pernambucano; Ano-Novo, nem pensar. Aniversário de Messias (25 de fevereiro), menos ainda. “O ambiente é conturbado demais para o governo correr o risco”, reconhece uma liderança governista. E assim, o substituto de Luís Roberto Barroso vai ficando para as calendas gregas.
NEM GODOT NEM GONET
Assim como na peça Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989), em que dois personagens, Estragon e Vladimir, passam um bom tempo à margem da estrada esperando a chegada de Godot, que nunca vem, o Brasil aguarda a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre dois personagens do mundo do Judiciário — Moraes e Toffoli — que se enroscaram nas estradas tortuosas do Banco Master. E nada de Gonet dar as caras.
BEM QUE TENTOU
Ao Passando a Limpo, programa da Rádio Jornal, o senador Fernando Dueire (MDB-PE) justificou “o pouco tempo” por não ter assinado o requerimento de criação da CPI da Toga/Master, mas afirmou que vai procurar o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para manifestar seu apoio, embora advirta que "o país não precisa de espetáculos em ano eleitoral".
MÚLTIPLA ESCOLHA
Dueire alerta que seria importante concentrar esforços nas investigações pelo Congresso Nacional:
— Essa estratégia de multiplicar comissões para tratar do mesmo tema pode não ser a mais eficaz diante da urgência que a investigação exige.
ABANDONANDO O BARCO
Com o vento a favor, a piragua da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), registrava overbooking. Agora, com a crise do Master e do Banco de Brasília (BRB), a debandada é geral. Nem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está conseguindo fazer a vela de Celina içar.
SÓ FALTAVA ESSA
Um ministro do STF, um banqueiro de trajetória duvidosa e o xerife da Polícia Federal se juntam para uma degustação de uísque — poderia ser vinho ou café, não importa o quê, mas o ajuntamento.
FEZ QUE IA...
...acabou ficando. O presidente Lula da Silva (PT) já tinha até mandado abastecer o AeroLula para voar até Santiago e participar da posse do presidente José Antonio Kast (Republicano), nesta quarta-feira (11). O Planalto nega, mas os aliados da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) juram, contritos, que a desistência de Lula tem a ver com a presença do filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL), nas terras do poeta Pablo Neruda (1904-1973).
ABRIENDO LA TRANQUERA
O Conselho para Refugiados na Argentina, pela primeira vez, acolhe um brasileiro condenado pela quebradeira de 8 de janeiro na condição de refugiado político. Joel Borges Corrêa foi condenado a 13 anos e seis meses de prisão, fugiu para Buenos Aires, foi preso e agora recebe o indulto.
PT TEM MEDO DAS FACÇÕES
Edinho Silva, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, anda criticando a possibilidade de o governo dos Estados Unidos classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
— Essa medida representaria um ataque à soberania brasileira.
ALGUÉM TEM DE CONTAR
Se Edinho Silva sair a pé do Setor Comercial Sul (SCS), Quadra 2, Bloco C, nº 256 — Edifício Toufic, onde fica a sede do PT — compreenderá o significado da expressão “soberania brasileira”. Nem precisa ir à periferia de Brasília, não.
PENSE NISSO!
Se fosse possível abrir a cabeça do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e extrair o HD do seu cérebro — inclusive as informações que ele depositou nas “nuvens” — teríamos um político amedrontado, acuado.
Eu deveria ser mais ponderado, embora a vontade me force a usar a palavra acovardado. Recorri ao Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e vou ficar com pusilânime. Alcolumbre é um pusilânime. Tem sobre sua mesa requerimentos — bem assim, no plural — com pedidos de instalação de comissões parlamentares de inquérito para investigar as tramoias do banqueiro Daniel Vorcaro e seus tentáculos no Parlamento, no Judiciário, no Poder Executivo, na esquerda e na direita.
Libera, Alcolumbre! Deixa investigar! O país merece saber quem são os homens públicos que praticaram traquinagens nesse esquema fraudulento.
P.S.: em tempo, vejo que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, defendeu que magistrados atuem com “saudável distanciamento das partes e dos interesses em jogo”. Excelência, o país cantou essa pedra faz muito tempo. Só o senhor não quis ouvir.
Pense nisso!