André Mendonça manda investigar vazamento, mas preserva o jornalismo e o segredo da fonte
Tempo chuvoso na cidade-satélite de São Sebastião, a previsão é de chuvas e trovoadas 'no decorrer do período'. É lá que ficará Daniel Vorcaro.
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NADA DE CORPORATIVISMO
Mas faz bem à profissão ler decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar o vazamento de mensagens capturadas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
BEM ASSIM
Mendonça ressalta que a investigação não deve mirar jornalistas, para que seja garantido o princípio constitucional do sigilo da fonte.
— Absoluta necessidade de se preservar os meios adequados para a continuidade do relevantíssimo papel desempenhado pela imprensa, instituição essencial à constituição de qualquer modelo de organização estatal.
A GUERRA PELO DIPLOMA
Quando desobrigou os jornalistas de terem diploma profissional, o ministro Gilmar Mendes escreveu:
“Um excelente chefe de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o Estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”.
NO PLENÁRIO DO STF
Tem até ministro que nunca exerceu a atividade de juiz. Até mesmo quem tenha tentado, mas levado bomba nos concursos. Como dizia o trio Emerson, Lake & Palmer: “C'est la vie!”.
NA UNDÉCIMA HORA
O senador Humberto Costa (PT-PE) nem precisou ler o livro de Evangelho de Mateus (20) para dizer que a “prioridade maior” nas próximas disputas é reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre nomes — inclusive o dele — para disputar as duas vagas do Senado, diz que a decisão não precisa ser tomada agora.
RECALCULANDO ROTA
As sessões virtuais durante o mês de março na Câmara dos Deputados do Brasil vão atrasar a votação do texto sobre a regulamentação dos trabalhadores por aplicativo, relatado pelo líder do Republicanos, Augusto Coutinho (PE). Os detalhes do novo texto, que seriam conhecidos em março, vão ficar para abril.
PENSE NISSO!
O banqueiro Daniel Vorcaro (1983) arruma a mochila e guarda o último Rolex que lhe sobrou. Ele vai conviver por um bom tempo — bom no sentido de quantidade — respirando os ares de São Sebastião, uma cidade-satélite de Brasília.
Lembrete: São Sebastião é o padroeiro das pessoas que sofrem injustiça — o que não é o seu caso.
Ali, na margem esquerda da DF-001, no sentido Sul, encontra-se o presídio de segurança máxima onde o banqueiro vai passar uma temporada.
Após desembarcar do Beechcraft King Air 350 — prefixo PR-BSI — e, logo depois, ao chegar àquele cubículo de 9 metros quadrados, sem tomada para carregar um de seus múltiplos celulares, sem TV, “sem rádio e sem notícia / das terras civilizadas”, ele certamente pensará:
— Eu tenho a p***a da chave dessa espelunca. O mesmo que dizia quando chegava ao cineminha de Trancoso. Se é que você me entende.
Na mochila, recheada de sonhos de que os parcos, mas poderosos amigos do Judiciário não lhe faltarão, o mineiro de Belo Horizonte percebe que não levou uma ração de pão de queijo, mas carrega De Profundis, de Oscar Wilde (1854-1900).
E lembra de ter lido certa vez: “O vício supremo é a superficialidade (e não do Supremo)”. E se recorda de ter escutado de um namorado com quem não convive mais: “Os poderes invisíveis têm sido muito bondosos com você”.
Se ainda não o foram, certamente não lhe faltará uma mão estendida, filosofa, pensando no escritor dublinense.
Pois é, senhor Vorcaro, lembra-se da última sexta-feira, quando esta coluna contou que uma manifestante estava na Praça dos Três Poderes com um cartaz: “DELATA, VORCARO”?
Então, o que está esperando?
Pense nessas minhas elucubrações!
Pense nisso!