Caso a Justiça Eleitoral seja rigorosa, o "mulungu" de Lula não será único no Carnaval

Desistência da primeira-dama foi vista como ato sensato. Mas o que é a insensatez em meio ao desfile da Sapucaí e aos blocos de rua pelo Brasil afora?

Por Romoaldo de Souza Publicado em 16/02/2026 às 19:36

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BAJULAÇÃO AUTORIZADA
Enquanto o mundo político finge estar estarrecido com a “performance” da Acadêmicos de Niterói e o seu “mulungu” em homenagem a Lula, o pau-de-arara do Agreste, é a comissão julgadora — composta por 36 jurados — que vai dizer como foi o desempenho das alegorias, adereços, samba-enredo, harmonia, bateria e outros itens importantes.

REBAIXAMENTO A VISTA...
...caso tenha cometido faltas graves. Isso vai determinar se a agremiação merece ou não se manter no Grupo Especial, mesmo com todo o investimento estatal e da iniciativa privada.

TSE DE SOBREAVISO
Os demais itens — se é que vão — devem parar na prancheta dos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, certamente, “subir” para o Supremo Tribunal Federal (STF), que já livrou Lula da encrenca da inelegibilidade, mesmo tendo o atual presidente “desafinado na avenida”.

ALÉM DO DESFILE MILITANTE
Há ainda os evangélicos, que não gostaram de terem ido parar na avenida “enlatados”, de um jeito “desrespeitoso e ofensivo”, como lembrou a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP); ou o ex-vice-presidente Michel Temer (MDB), que rechaçou a encenação do roubo da faixa da presidente Dilma Rousseff (PT):
“A sátira política é parte da tradição do Carnaval. E, como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida (...). O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada (...) e negam conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da Previdência.”
Ou seja: Temer não gostou.

NÃO FOI BEM ASSIM
Nas redes sociais, a artistas e a adesistas, a primeira-dama, Rosângela da Silva, disse que desistiu de desfilar na Marquês de Sapucaí “para evitar perseguição” ao marido.

CONTUDO
O outro lado da história, porém, é que a mulher do presidente foi firmemente orientada a “não entornar o caldo”, a não produzir provas, já que, além do desfile chapa-branca, seu gabinete — sustentado com dinheiro público — operou para a realização de uma agenda bajulatória.

ATIVIDADES INSALUBRES
Operadores do Direito, no campo trabalhista, sindicalistas e a sociedade organizada — se é que ainda temos esse quesito em voga — devem se debruçar sobre o debate do “aumento da jornada em atividades insalubres”. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) marcou para 12 de março uma audiência pública “para discutir a validade de norma coletiva que autoriza regime de trabalho que estende a jornada em ambiente insalubre, independentemente de licença prévia da autoridade competente”.

PENSE NISSO!
Com todo o respeito à opinião divergente, observada a devida proporcionalidade dos fatos e dos cargos, o Carnaval é — e sempre será — um divisor de águas entre o gestor e o folião.

No caso específico do desfile da Acadêmicos de Niterói, Lula, em campanha desde 1º de janeiro de 2022, foi o grande beneficiado e talvez até merecesse uma homenagem na Marquês de Sapucaí, não agora, em meio à campanha. Ocorre que os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro já deixaram, há algum tempo, de ser uma simples glorificação da cultura.

Mas isso vale tanto para um bloco de rua como para uma escola de samba ou uma troça carnavalesca que, a depender do gestor de plantão, assume papel de oposição. Todos estão em campanha eleitoral. Estão expostos e, por isso mesmo, devem se submeter às críticas e — havendo excesso — ao rigor da lei.

Rigor?

Pense nisso!

 

 

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