Pedidos de CPMI do Banco Master unem governistas e oposição, com objetivos distintos

Lula faz churrasco para aliados, de olho nas votações do Congresso. Já o presidente do PSB quer dar um jeito de arrumar palanque para Lula em Minas

Por Romoaldo de Souza Publicado em 03/02/2026 às 19:49

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VALE A DICA
A Península dos Ministros, pequena rua sem saída no Lago Sul de Brasília — o metro quadrado mais valioso da capital federal — nunca esteve tão movimentada como nos últimos meses. E não é somente porque moram por lá os presidentes da Câmara e do Senado Federal.

'JOÃOZINHO!!!'
Ainda que não tenha prosperado a investida do presidente nacional do PSB, João Campos, o prefeito do Recife (PE) recebeu um afago do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite, conhecido como Tadeuzinho, filiado ao PSD.

PALANQUE REFORÇADO
João Campos estuda um jeito de convencer Tadeuzinho a trocar de letra. Deixar o "D" e se filiar ao "B" para reforçar o palanque do presidente Lula da Silva (PT) em Belo Horizonte (MG).
— Joãozinho é muito bom de conversa, mas o [Gilberto] Kassab sabe da minha lealdade com ele — disse o presidente da ALMG a um interlocutor mineiro. Kassab respirou aliviado. João não planeja desistir da empreitada.

VOTO VENCIDO
A composição do Superior Tribunal Militar (STM) não é nada favorável ao pedido do Ministério Público Militar para expulsar da reserva o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros oficiais que participaram da chamada "trama golpista". Dos 15 ministros, dez são oficiais-generais das Forças Armadas.

DOBRANDO O OITÃO
A fila de pedidos de instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) está "dobrando o Cabo da Boa Esperança". O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anda até com uma lista de todos os pedidos que deram entrada na Casa.

- Nós temos aqui uma fila de CPIs. As CPIs são tratadas na ordem cronológica. No ano passado, nós tivemos algo em torno de 15, 16 CPIs protocoladas. Acabamos não instalando nenhuma, e agora nós vamos fazer o debate sobre essas CPIs, disse Motta. Ou seja, não será tão cedo.

NO ENTANTO...
...tanto a oposição como a situação — ainda que com objetivos díspares — têm requerimentos para uma CPMI [mista, formada por deputados e senadores]. Aquele requerimento encabeçado pela deputada Heloísa Helena (PSOL-RJ) está mais preocupado com negócios do Banco Master, inclusive o crédito consignado, sem autorização do correntista, "sem se deter especificamente em nomes". Já a oposição quer "evitar que o STF varra para debaixo do tapete" as negociatas do [ex-] banqueiro Daniel Vorcaro.

'SANTA CEIA'
Lula vai reunir "somente a base governista" na Câmara para um "jantar de confraternização", motivado por "agradecimentos pelas vitórias alcançadas nas votações", como resumiu a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. "Churras" e pão de alho no cardápio.

FOLGA REMUNERADA
Servidores do Poder Legislativo foram agraciados com a votação de um projeto que concede benefícios como a “licença compensatória” e um dia de folga a cada três trabalhados em períodos como feriados, fins de semana e pontos facultativos.

COMO FICA
Caso o servidor não usufrua da folga, a Casa Legislativa fará a indenização, pagando em dinheiro, livre de Imposto de Renda, os dias trabalhados durante o período de descanso.

PENSE NISSO!
Qualquer estudante de cinema conhece o conceito chamado de “arma de Tchekhov”: se um objeto aparece numa cena, ele deve necessariamente ser usado — embora muitos cineastas ignorem a importante lição do russo Anton Tchekhov (1860–1904).

Na política, a máxima tchekhoviana quase sempre é empregada, embora faltem aos seus protagonistas os princípios do bom e do belo, tão explicitados nas artes cênicas.

Nem tão boa nem tão bela, oposição e situação travam uma disputa para ver quem tem mais “garganta”, mais argumentos para justificar seu pedido de CPMI do Banco Master.

Uma coisa é clara: o pedido que tem o “dedo” de governistas não tem como viés a investigação ampla e irrestrita. Eles sabem se proteger.

Da mesma forma, o requerimento com assinaturas de deputados e senadores de oposição visa a ser o mais abrangente possível, mas, na hora H, se perceberem que estão perdendo o controle e, para não esbarrar em um aliado, o rumo será modificado.

Tchekhov tem razão.

Pense nisso!

 

 

 

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