Lula joga para a plateia: veta a dosimetria e fica na expectativa da votação para a derrubada do veto

TCU avançava contra a autonomia do Banco Central, recuou; Lula compra briga com o Congresso e veta a dosimetria, e o povo desapareceu da praça

Por Romoaldo de Souza Publicado em 08/01/2026 às 21:06

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SEM PRECEDENTES
O tom de campanha eleitoral que o presidente Lula da Silva (PT) deu à "celebração" do 8 de Janeiro mostrou que o "Lula-lá" foi substituído por um coro encomendado de "sem anistia".

QUANTIDADE DE MANIFESTANTES FICA AQUÉM...
...mas, ainda assim, Lula tira proveito da situação para distribuir bordoadas para todos os cantos. Comparou seu terceiro mandato com o de Jair Bolsonaro (PL) e disse que "os golpistas" foram condenados "com transparência e imparcialidade" e "provas robustas". Ao final, assinou o veto total ao projeto aprovado pelo Congresso Nacional que reduzia as penas dos condenados pelos atos do 8 de Janeiro.

RELATOR REAGE AO VETO
"Lula rasgou e tocou fogo" na proposta aprovada pela maioria. Paulinho da Força (Solidariedade-SP) disse que os congressistas entregaram "a bandeira branca da paz nas mãos de Lula" e completou: "Sabe o que ele fez? Rasgou e tocou fogo nela". Agora, caberá ao Congresso analisar o veto do presidente.

AUSÊNCIAS ANUNCIADAS
Sabedores de que Lula iria tripudiar sobre os congressistas, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não deram as caras.

EM CAMPANHA
O senador Humberto Costa (PT-PE) deixou de lado seu estilo conciliador e chamou de "mimimi de Bolsonaro e da família" o episódio da queda do ex-presidente na cela da Polícia Federal. "[Bolsonaro] devia era estar na Papuda, junto com outros criminosos golpistas".

NADOU, NADOU E NADA
Os dois verbos e o pronome indefinido, ao final, servem para dizer ao ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que, na política — assim como no futebol —, é preciso "combinar com os russos". O ministro suspendeu temporariamente a inspeção no Banco Central sobre o caso da liquidação do Master.

BATATA QUENTE
O "afoito" magistrado acabou passando adiante, ao Plenário do TCU, a análise do processo que levou o Banco Central a liquidar o Banco Master: "A dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para uma providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário".

PENSE NISSO!
Faltou povo no comício de Lula. A pretexto de celebrar a democracia — segundo o presidente, "vilipendiada" pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 — ele vetou o projeto da dosimetria e se assustou com a pequena quantidade de manifestantes do outro lado da rua.

É claro que nunca é demais lembrar que, em plena quinta-feira, a não ser servidores comissionados que ocupam cargos nos escalões do governo (e que foram escalados para bater palmas para o presidente), trabalhador que tenha o que fazer não vai a manifestação logo de manhã, qualquer que seja o motivo; a não ser os sindicalistas e alguns integrantes de grupos e movimentos sociais.

Sobre o veto do presidente à lei da dosimetria, aprovada por deputados e senadores, Lula jogou para a plateia. O presidente sabe que seu governo terá dificuldade para manter de pé o seu veto; então, vai lá, contracena com Pôncio Pilatos, lava as mãos e depois joga no lombo do Congresso qualquer revertério.

Justo quando meio mundo de pessoas ajuizadas recomendava baixar a fervura dos embates, aí vem Lula e faz um discurso para a claque aplaudir e ficar bem na fita. Só.

Pense nisso!

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