Nome do filho do presidente Lula aparece em investigação na CPMI do INSS

Na Câmara, o centro ameaça rachar com Hugo Motta por causa da cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro e do delegado Alexandre Ramagem

Por Romoaldo de Souza Publicado em 18/12/2025 às 21:54 | Atualizado em 18/12/2025 às 22:15

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UM CAFÉ 'QUASE ALMOÇO'
Com um atraso de uma hora e 57 minutos, o presidente Lula da Silva (PT) reuniu jornalistas da cobertura diária no Palácio do Planalto. Antes de responder a dez perguntas, tentou quebrar o gelo brincando com os flamenguistas — o rubro-negro perdera nos pênaltis para o PSG na Copa Intercontinental. Tomou uma xícara de café e, entre risos, disse que tem treinado sua equipe para bater pênaltis. Afirmou estar "muito feliz" com os resultados da economia e das políticas sociais, destacou o "êxito" da conferência climática em Belém e arrancou sorrisos ao criticar os "gringos" desengonçados aprendendo a dançar carimbó.

VETO À DOSIMETRIA
O presidente negou que o governo tenha feito acordo com a oposição para aprovar o PL da Dosimetria em troca de votos no projeto que reduz incentivos fiscais e eleva a tributação de bets: "Se houve acordo, eu não fui informado". E completou: "Com todo o respeito que tenho pelo Congresso Nacional, na hora em que [o projeto] chegar à minha mesa, eu o vetarei".

DENÚNCIAS CONTRA O FILHO
Enquanto a Polícia Federal cumpria mandados de busca e apreensão — inclusive na casa do vice-líder do governo, senador Weverton Rocha (PDT-MA), por suposto envolvimento com a "máfia do INSS" —, Lula defendeu que "todos os culpados sejam punidos", mencionando seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), e seu irmão, Frei Chico. "Muitas coisas estão em segredo de Justiça. Já li notícias e tenho dito aos ministros e à CPI que é importante ter seriedade para investigar todos os envolvidos. Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado".

SOLUÇÃO PARA OS CORREIOS
Em tom animado, Lula comentou o prejuízo superior a R$ 2,6 bilhões da estatal e afirmou não ter interesse "em manter uma estatal dando prejuízo". Questionado sobre uma eventual privatização, o presidente ponderou que "uma empresa pública não pode ser a rainha do lucro, nem a rainha do prejuízo". E foi taxativo: "Enquanto eu for presidente, não haverá privatização".

POUCAS E BOAS
Antes de anunciar a perda de mandato dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), telefonou para o líder do PL, Sóstenes Cavalcanti (RJ), que lhe disse poucas e boas. Sóstenes teria reclamado a Motta que ele não tinha defendido a Casa e os parlamentares "com a altivez que o cargo exige". O presidente da Câmara ouviu tudo no mais resignado silêncio. Já o líder do PSB, deputado Pedro Campos (PE), comemorou a decisão: "A Câmara não pode servir de abrigo para quem desrespeita a Constituição".

CAI A LEI DE DEMARCAÇÕES...
...embora a solução definitiva ainda não se avizinhe. Ao formar maioria, o STF sentenciou que é inconstitucional a tese do "marco temporal", segundo o qual povos indígenas só teriam direito a terras que ocupavam atualmente se, na data da promulgação da Constituição — 5 de outubro de 1988 — eles já estivessem na posse daquela área.

PERGUNTA BÁSICA
A Polícia Federal é tão autônoma assim e investigará, caso seja necessário, o filho do presidente Lula, Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como "Lulinha"? Mais que isso. A corporação deve ser livre e independente e seu comandante deve falar menos.

PENSE NISSO!
Faltando menos de um ano para as próximas eleições, de um lado há a candidatura do presidente Lula, que ontem mandou um recado desaforado à oposição
— Quem quiser saber como se ganha uma eleição, é só me seguir.

Se a oposição ainda não tem um nome único para enfrentar Lula, e o Centrão aguarda o momento oportuno para dar o bote certeiro, é certo que construção de pontes — e alianças — está mais do que em voga.

PENSE NISSO!


 

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