União Europeia rejeita acordo com Mercosul, e Planalto culpa incertezas na legislação ambiental
Sabatina de Messias na CCJ pode ficar para 2025; general Augusto Heleno pode cumprir pena em casa e Orçamento segue travado. E uma tese sobre postes
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INFERNO ASTRAL
O pisciano Jorge Messias, seguindo os guias da astrologia, só entraria no “inferno astral” em 25 de janeiro. Mas o manto das dificuldades começou a se acomodar no signo de Peixes no dia em que o presidente Lula da Silva (PT) indicou seu nome para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Agora, a CPMI do INSS pautou, para a próxima semana, a votação de um requerimento para convocar Messias. Como advogado-geral da União, ele teria prevaricado para beneficiar entidades que descontavam ilegalmente recursos do contracheque de aposentados e pensionistas da Previdência.
PERGUNTAR, POR QUÊ, NÃO?
Considerando que a Procuradoria-Geral da República emitiu parecer favorável para que o general Augusto Heleno, diagnosticado com Alzheimer, cumpra sua pena por tentativa de golpe em prisão domiciliar, Jair Bolsonaro (PL), que enfrenta sucessivas crises de soluço, também poderá ser beneficiado com a complacência da PGR?
ORÇAMENTO ZERO
Em ano eleitoral, era tudo o que o governo Lula, que concorre à reeleição, não queria. “O calendário é apertado, mas vamos votar”, disse a ministra do Planejamento, Simone Tebet. “O que não queremos é repetir 2024, quando ficamos sem orçamento”, adverte o líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
BANK QUE NÃO É BANCO
Não será apenas uma palavra a ser traduzida. Circular do Banco Central, desta sexta-feira (28), proíbe o uso do termo “bank” por instituições que não façam parte do sistema financeiro. A resolução foi fundamentada após consulta pública que revelou “confusão na cabeça do cidadão” diante de fintechs e empresas de tecnologia do setor financeiro que usam “bank” no nome.
FIM DO NAMORO
As juras de amor eterno trocadas entre Paris e Brasília terminaram em um tango argentino após a Assembleia Nacional da França aprovar resolução contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Deu em nada.
COMPROMISSOS AMBIENTAIS
Na avaliação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, os países europeus “devem estar se questionando se os compromissos ambientais terão como ser cumpridos”. Segundo ela, a derrubada dos vetos pelo Congresso Nacional à Lei Geral do Licenciamento Ambiental “pode ser uma amostra” da percepção dos parlamentares franceses que vetaram o acordo com o Mercosul.
‘POUCO CASO’
O sempre comedido senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, tem confidenciado que o Planalto estaria fazendo “pouco caso para completar o processo de indicação do senhor Jorge Messias”. Até o fechamento desta edição, o Senado não havia sido oficialmente notificado da escolha do presidente Lula. “Pela imprensa não é rito”, ponderou.
‘EXPERIÊNCIAS DIFÍCEIS’
Manifestantes que estiveram em Brasília, na semana passada, na Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, relataram ter ficado alojadas “embaixo de uma lona”, em um local “semelhante a um estábulo”. “Embaixo dessa lona tem um tipo de feltro e uma camada de serragem para encobrir o odor”, relata uma manifestante catarinense.
‘ACOLHIMENTO FALHO’
O comitê organizador da marcha disse ter tomado providências, sem esclarecer quais. “Nos solidarizamos diante de experiências difíceis vividas por algumas de nossas irmãs negras, fruto da estrutura do alojamento fornecido pela Granja do Torto, das chuvas intensas que resultaram em falta de energia e de água, e do acolhimento falho”.
PENSE NISSO!
O “poste” de Bolsonaro na próxima disputa nem de longe se compara ao “poste” de Lula nas eleições de 2018. Preso em uma cela especial na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), Lula ocupava um espaço de 15m² no 4º andar, com banheiro privativo e televisão. De lá, comandou, por meio dos “pombos-correio” que o visitavam semanalmente, a campanha que levou Fernando Haddad a alcançar 44,87% dos votos. Bolsonaro venceu com 55,13%.
Sete anos depois, Bolsonaro está em um cubículo três metros menor que o de Lula, mas dispõe de armários, mesa, TV, frigobar, cama de solteiro e ar-condicionado. As visitas, porém, são bem mais restritas.
De todo modo, o ponto é outro: mesmo em condições muito distintas, o Bolsonaro de hoje tem mais peso político que o Lula de então. Eis por que o ex-presidente quer influenciar diretamente a escolha do nome que enfrentará Lula em 2026.
Pense nisso.