No dia seguinte à derrocada do governo, o Planalto volta sua artilharia para o governador de São Paulo

Barroso deixa o STF e o presidente Lula está prestes a indicar mais um ministro. A aposta é de que seja o pernambucano Jorge Messias

Por Romoaldo de Souza Publicado em 09/10/2025 às 18:34

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MORDEU A ISCA
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Lula da Silva (PT) começaram o the day after com a artilharia pesada — howitzers e morteiros — tendo o Palácio dos Bandeiras na alça de mira.

SHOWMÍCIO DE LULA
Em cima do “carro de som”, Lula não citou o nome do governador de São Paulo, mas disse que os adversários sabem que será difícil derrotá-lo. “Se eu estiver do jeito que eu estou, eu, sinceramente, serei candidato para ganhar as eleições.”

INTERESSES ESCUSOS
Haddad, por sua vez, acusou o governador paulista, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), de ter agido de má-fé, pedindo voto contra a medida provisória que perdeu a validade por falta de votação. “Mesmo com a notícia de que o governador do estado agiu, na minha opinião, em detrimento dos interesses nacionais para proteger a ‘Faria Lima’, nós não vamos prejudicar o Estado de São Paulo”.

SUBIU O TOM
Em seu perfil no “X”, o sempre comedido governador chamou Haddad para a briga: “Ficar jogando uns contra os outros de forma absurda e querer que a população apoie aumento de impostos, ninguém, nem eu nem o país, vai apoiar. Já chega. Tenha vergonha, Haddad, respeite os brasileiros”. 2026 é logo ali.

PÃO DE QUEIJO COM CAFÉ
O convite do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para um encontro pessoal em Washington — após telefonema entre eles — deu uma animada em quem pretende tirar o conflito entre Brasil e Estados Unidos das manchetes da imprensa. De origem cubano, Rubio é encantado com o pão de queijo. Isso porque ele não conhece o nosso bolo de rolo.

PODERIA TROCAR A SIGLA
A Controladoria-Geral da União informou à CPMI do INSS que o Sindinapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical) teria omitido a informação de que seu vice-presidente, Frei Chico, é irmão do presidente Lula, o que é proibido por lei.

UM CAVALO SILENCIOSO
Mais uma vez, a CPMI ficou à mercê de um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O presidente do Sindinapi, Milton Batista, também chamado de Milton Cavalo, entrou mudo e saiu calado.

DUPLA JORNADA
Nikolas Ferreira (PL-MG) quem diria. Deputado/celebridade cometeu “erro crucial”. Durante a votação da medida provisória que aumentava impostos, ele votou com o governo, mas jura que não está mudando de lado. “Votei errado enquanto cuidava da minha filha recém-nascida”.

KANDIR EM 1998
No auge da reforma da Previdência, o então deputado Antônio Kandir (PSDB-SP) chegou ao plenário para votar a favor da emenda que criava a idade mínima para aposentadoria. Acionou a tecla “abstenção” por engano. O governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) obteve somente 307 votos favoráveis. Um a menos que o necessário. A emenda foi arquivada.

PENSE NISSO!
De um jurista, leitor da coluna, que entende tudo do Supremo Tribunal Federal, comentando a aposentadoria precoce do ministro Luiz Roberto Barroso: “não poderia ser pior. Não apenas porque o presidente Lula terá indicado cinco dos 11 ministros, como o nome que está sendo sondado”.

Sem querer me deter no nome do advogado pernambucano Jorge Messias — atual advogado-geral da União e o mais cotado hoje para a vaga de Barroso — ou do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pré-candidato ao governo de Minas, será importante analisar mais do que apenas os nomes que estão postos.

O ponto principal a discutir é a forma como os ministros do Judiciário são indicados: por “notável saber jurídico”. Mas vago, impossível.


Pense nisso!

 

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