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Romoaldo de Souza: Governo e oposição se unem contra tarifaço de Donald Trump

Governo e oposição trocam farpas sobre PL da anistia aos envolvidos no quebra-quebra de 8 de janeiro. Melhor seria se o governo não se metesse no tema

Por Romoaldo de Souza Publicado em 01/04/2025 às 21:26 | Atualizado em 02/04/2025 às 10:54

‘PENA DE TALIÃO’

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse em entrevista ao programa “Balanço de Notícias”, da Rádio Jornal, que “o Congresso está sabendo dar uma resposta ao governo dos Estados Unidos” e que a partir do momento em que o governo Lula (PT) souber o percentual “desse tarifaço”, a ser imposto pelo presidente Donald Trump, é que poderá se falar em reciprocidade. “Preparamos um projeto [aprovado nesta terça-feira no Senado] que tem a chancela da oposição e da bancada governista, dando ferramentas ao governo federal para agir quando e como for necessário”. O projeto aguarda votação na Câmara dos Deputados.

SEM ALARDE!

Jaques Wagner e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), “costuraram” o entendimento, chamaram a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser relatora da medida e, com isso, atraíram votos da oposição. Eles rotularam a medida como o PL [projeto de lei] da Reciprocidade. Deu certo.

É PURO BLEFE!

Com a sutileza de um hipopótamo desfilando de salto alto entre as prateleiras de uma loja de cristais o líder do PT, deputado Lindberg Farias (RJ), desafiou os partidos de oposição a aprovarem o projeto de lei da anistia, com a quantidade de votos (308) que vem sendo alardeada pelo líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcanti (RJ). “Eles não tem e nunca terão esse margem tão folgada assim para aprovar esse projeto que não é de interesse da sociedade”. A medida concede anistia aos envolvidos no quebra-quebra de 8 de janeiro de 2023, na praça dos Três Poderes, em Brasília.

‘LOROTA DE 1º DE ABRIL’

Vice-líder da oposição, o deputado Pastor Eurico (PL-PE) disse à coluna que o líder do PT não perde uma oportunidade “de contar uma lorota”. Segundo o parlamentar pernambucano, “Hoje [ontem] é 1º de abril e o PT é ‘expert’ nisso aí. Vamos obstruir todas as votações importantes até que o projeto [da anistia] seja colocado em pauta”.

HORA DE MEDIR FORÇA

Somente nesta quinta-feira (3), é que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), reúne os líderes partidários para escolher os projetos que receberão o carimbo de prioritários. “Depois disso, a gente conversa”, completou o pastor.

ABACAXI COM CASCA

Aterriza sobre a mesa do presidente da Câmara, um “recurso regimental” determinando que seja sustado no Supremo Tribunal Federal o processo contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), incluído entre os réus por ordem da primeira turma do STF. “Vossa Excelência é um homem probo, delegado [da Polícia Federal] exemplar e nós não o abandonaremos”, disse, em discurso, o líder da legenda.

CAMINHO DAS PEDRAS

O presidente da Câmara tem até 45 dias para decidir quando o recurso será votado em plenário. Vindo a ser aprovado, o STF terá de suspender, imediatamente, a investigação contra Ramagem enquanto durar seu mandato parlamentar. Ele foi chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na gestão Bolsonaro.

‘BATONAÇO’ DAS BOLSONARISTAS

Contando com as limitações que o WhatsApp impõe, a presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, está espalhando em todos os grupos um vídeo pedindo que “repliquem o quanto for possível” contendo um apelo para que as mulheres que forem à manifestação na avenida Paulista (6), levem um batom “para marcar a luta das mulheres pela liberdade”.

PENSE NISSO!

Nem as “lorotas” do líder do PT nem o rompante da oposição. Talvez ficasse melhor um meio-termo. Seria o mais prudente. É que na Câmara é uma questão de tempo para que sejam encontradas as condições políticas para votar o projeto da anistia.

No Palácio do Planalto a articulação linha dura, bancada pela ministra Glesi Hoffmann [Relações Institucionais], avalia que os oposicionistas têm assinatura de sobra para aprovar a urgência do projeto. Essa foi a condição imposta pelo presidente da Câmara para que o tema seja pautado.

A partir daí, é esperar um dia de casa cheia [possivelmente, em uma quarta-feira] e ir “pro pau”. São necessários 257 votos - de um total de 513 deputados. A oposição alardeia que tem “ao menos” 309 votos.

Mas aí vem uma importante advertência. Essa não é uma pauta do governo. Governos atuam para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, expandir a economia. Fazer negócios.

E, deixa o Congresso com seus temas próprios.


Pense nisso!

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