Transporte por moto: Plataforma cria relatório de direção para tentar reduzir perigo do serviço de transporte de passageiros com motos
Criada a partir de regras impostas pela Prefeitura do Rio de Janeiro, ferramenta utiliza sensores do celular dos motoqueiros para monitorar condução
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"De cem corridas de transporte com motos que já fiz em diversos estados do Brasil, em apenas três delas o piloto sabia conduzir a motocicleta". A declaração da instrutora de pilotagem da Honda Rafaella Santos dá a dimensão exata do risco que o serviço de transporte de passageiros com motos - como Uber e 99 Moto - está representando nas ruas do País. E mais: que a criação de regras de segurança e limites de operação para o serviço que explodiu nas cidades brasileiras - especialmente do Norte e Nordeste - é urgência para ontem. É questão de salvar vidas.
Rafaella comandou um rápido treinamento para uma plateia de motociclistas de aplicativo - de delivery, mas principalmente de transporte de passageiros - durante um evento da plataforma 99 realizado no Recife, nesta quinta-feira (27/8). Na pauta, o desafio recifense, metropolitano e de todo o Brasil onde o 99 Moto opera, de assegurar a integridade física de pilotos e, principalmente, de passageiros - o novo e perigoso componente associado ao uso da motocicleta como fonte de renda.
Desafio puxado - principalmente - pelo crescimento acelerado do serviço de Uber e 99 Moto no País - já presente em mais de 3 mil cidades e com um forte apelo social por representar a opção de deslocamento de milhares de pessoas e a fonte de renda de outras milhares (números do IBGE apontam quase 2 milhões de trabalhadores de aplicativo).
O evento foi um gesto da 99 para mostrar que está preocupada em reduzir os efeitos que o serviço provoca para a segurança viária e a saúde pública. Foi apresentado oficialmente o Relatório de Direção com Telemetria, uma tecnologia projetada para mostrar como o motoqueiro conduz nas ruas e, a partir desse conhecimento, forçar um comportamento defensivo diante dos riscos diários do trânsito.
Algo fundamental diante de um País que mata 37 mil pessoas no trânsito por ano, das quais 14 mil são ocupantes de motos - condutores e passageiros - e que já deixou claro, em todas as suas esferas, que não vai mais proibir o transporte remunerado de passageiros com motos.
TECNOLOGIA SURGIU A PARTIR DE DECRETO MUNICIPAL
A tecnologia surgiu de uma obrigação legal exigida pela Prefeitura do Rio de Janeiro, no fim de 2025, que passou a exigir das plataformas de mobilidade um índice mínimo de boa condução no trânsito de 60%. E a 99 resolveu expandi-la nacionalmente em sua operação.
Para viabilizar o monitoramento sem a necessidade de instalar aparelhos rastreadores físicos nas motos — o que seria logisticamente complexo —, a plataforma desenvolveu uma solução que usa os sensores nativos do próprio smartphone do motociclista parceiro. Durante as corridas, o aplicativo monitora em tempo real métricas de condução cruciais: a velocidade, as acelerações e desacelerações, a estabilidade em curvas e as mudanças abruptas de faixa.
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Os dados são processados por um algoritmo de alta precisão calibrado em parceria com o Instituto Mauá de Tecnologia, de São Paulo, gerando diagnósticos que ajudam o piloto a identificar onde ele precisa e pode melhorar. É aí que entra a plataforma, criando uma régua de exigência rígida: os motociclistas devem manter uma nota mínima de 60% em seu histórico de direção, caso contrário, começam a sofrer restrições no aplicativo.
Na primeira ocorrência, restrição de 5 dias. Na segunda ocorrência consecutiva, 10 dias. Na terceira, 30 dias de restrição. E, por fim, na quarta ocorrência consecutiva, o bloqueio. Mas, segundo a plataforma 99, a nova tecnologia tem obtido bons resultados e feito os parceiros adotarem uma pilotagem mais segura. Isso porque, antes da punição, há a ação educativa: no primeiro dia de cada mês, os motoqueiros parceiros com pontuação baixa são comunicados e têm 15 dias de prazo para melhorar o comportamento antes de sofrer sanções.
NÚMEROS E RESULTADOS POSITIVOS
“Apenas com a comunicação preventiva que fazemos sempre no início do mês, 47% dos motociclistas abaixo da nota de corte (60%) corrigiram seus hábitos e evitaram a suspensão. Entre os pilotos que chegaram a sofrer a primeira restrição de cinco dias, 85% mudaram sua postura no trânsito e evitaram novas penalidades”, destaca Maria Marcolan, gerente sênior de Prevenção e Percepção em Segurança da 99.
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A gestora também pontua que a telemetria não opera no vácuo, mas se soma a um conjunto interconectado de iniciativas tecnológicas que a 99 vem adotando, como alertas de velocidade moderados e agressivos (visuais e acústicos quando a velocidade supera 20% do limite da via), e de insegurança na rota, como estreitamentos de faixa ou sinistros de trânsito, recomendando a redução da velocidade média do condutor em até 40%.
No Recife, o impacto do relatório foi ainda mais acentuado, informou a 99: 56% dos parceiros melhoraram imediatamente após o alerta inicial (9 pontos percentuais acima da média brasileira), e 90% dos suspensos pela primeira vez conseguiram evitar uma segunda punição (5 pontos percentuais acima da média nacional).