Mobilidade: Doze anos depois da Copa do Mundo, RMR terá quatro obras concluídas e sem risco de novos entraves, garante Estado
Alargamento da Ponte Preta, estação BRT do Elevado Bom Pastor, Terminal de Camaragibe e Ramal da Arena somam mais de R$ 136 milhões em investimentos
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Doze anos depois de a Copa do Mundo de 2014 prometer transformar a mobilidade urbana do País e também da Região Metropolitana do Recife, quatro obras que ficaram pelo caminho — algumas nem sequer começaram, outras pararam pela metade — finalmente têm data marcada para sair do papel de vez. O alargamento da Ponte Preta, na Avenida Pan Nordestina (Olinda); a construção da estação BRT do Elevado Bom Pastor, na Avenida Caxangá (Recife); a reconstrução do Terminal Integrado de Camaragibe (Camaragibe); e a implantação do Ramal da Arena, ligando a Avenida Belmino Correia à BR-408 (São Lourenço da Mata/Camaragibe), formam um pacote de intervenções que, juntas, tentam fechar um ciclo de promessas não cumpridas que se arrasta desde o mundial.
As quatro obras somam um investimento superior a R$ 136 milhões, bancado prioritariamente com recursos do governo federal e contrapartida do governo de Pernambuco, e sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Seduh). O secretário executivo, Francisco Sena, é quem tem acompanhado de perto cada uma delas e, em visita com o JC, garantiu que, desta vez, não há espaço para novo abandono. Isso porque os contratos estão com cronograma fechado e, o que mais importa, com aporte financeiro definido. Além disso, têm destino certo após a entrega, seja para ficar sob manutenção da concessionária Nova Mobi Pernambuco, que cuida dos terminais integrados e das estações de BRT, seja para a gestão direta do Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM).
LEGADO INACABADO DA COPA DE 2014 VAI CHEGAR AO FIM
A Ponte Preta, na Avenida Pan Nordestina, é um dos símbolos mais claros de herança incoveniente do legado da Copa de 2014. Prevista para ficar pronta ainda para o Mundial, a obra de alargamento da ponte — que vai passar de três para quatro faixas em cada sentido — só teve início efetivo há dois meses. "Era uma obra remanescente, que deveria ter sido entregue para a Copa do Mundo de 2014, e nunca aconteceu. É fundamental para a operação do transporte público", explica Francisco Sena.
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O alargamento vai eliminar o gargalo que hoje prejudica a faixa exclusiva do Sistema BRT e também dos ônibus convencionais que circulam pelo Corredor Norte-Sul, que liga o Recife à Igarassu, na RMR. Com investimento de mais de R$ 23 milhões, a intervenção deve ficar pronta em junho de 2027 e inclui ciclofaixas, calçadas e iluminação ao longo de dois quilômetros.
Situação parecida vive o Elevado Bom Pastor, na Avenida Caxangá, bairro do Engenho do Meio, na Zona Oeste do Recife, onde a estrutura física do elevado até existe desde a Copa, mas nunca ganhou a estação de BRT que deveria acompanhá-la. Sem a estação, quem depende do sistema na região precisa caminhar até 500 metros para alcançar a unidade de embarque e desembarque mais próxima.
"Em março de 2027 a gente entrega a obra do elevado Bom Pastor, tão aguardada desde a Copa do Mundo de 2014, onde ficou-se só construído o elevado, mas sem a estação de BRT", afirma o secretário.
A obra inclui escadas rolantes, elevador, estação climatizada e ainda a transformação de duas áreas hoje degradadas sob o elevado em espaços públicos, com quadras e quiosques, num investimento superior a R$ 17 milhões.
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A reconstrução do Terminal Integrado de Camaragibe representa o ponto mais sensível do pacote para quem usa o transporte público no dia a dia porque até três meses atrás, a unidade funcionava plenamente, apesar da infraestrutura ruim. O antigo terminal foi completamente demolido para dar lugar a uma estrutura maior e isso exigiu uma operação provisória adaptada ao lado das obras, que tem gerado muito transtorno para os usuários.
"O terminal de Camaragibe foi posto completamente abaixo. Em maio deste ano, a gente fechou o terminal e transferiu a operação provisória, para dar início efetivamente às obras", explica Sena. A promessa é ampliar a capacidade de 60 mil para 80 mil passageiros por dia, com entrega prevista para maio de 2027 e investimento de R$ 30 milhões pelo PAC Mobilidade — recursos que, segundo o secretário, já estão empenhados e não dependem de novas negociações que possam travar o cronograma.
Fechando o quarteto de obras, a finalização do Ramal da Arena promete resolver um gargalo que está diretamente ligado à malha viária pensada para a Copa: a ligação entre a Avenida Belmino Correia, em Camaragibe, e a BR-408, em São Lourenço da Mata, e que ficou incompleta até o ano de 2023. Com R$ 66 milhões investidos desde então, a obra vai finalizar o projeto original que previa conectar o corredor de BRT Leste-Oeste, que hoje termina em Camaragibe, até a Arena Pernambuco, com faixa exclusiva, ciclovia e novas estações de BRT no percurso.
GARANTIA DE QUE AS OBRAS NÃO VÃO PARAR DE NOVO
O que amarra as quatro intervenções e garante que não haverá interrupção ou falta de manutenção, segundo o governo do Estado, é justamente o destino final de cada uma delas: nenhuma ficará sob gestão direta da Seduh depois de pronta. O complexo do Elevado Bom Pastor será incorporado à operação de BRT e ao contrato de concessão da Nova Mobi Pernambuco, assim como o Terminal de Camaragibe quando for entregue. Para Sena, esse modelo de transferência de ativos é parte da estratégia para evitar que as estruturas se degradem novamente, como aconteceu no período em que ficaram inacabadas ou subutilizadas - durante e após a pandemia de covid-19.
Mesmo com o pacote de obras remanescentes avançando, o secretário reconhece que a mobilidade da região ainda tem um ponto cego: a Avenida Belmino Correia, corredor fundamental do BRT Leste-Oeste e que opera precariamente desde sempre, quando deveria ter três estações de BRT com corredor exclusivo. Segundo Francisco Sena, em breve a via vai ganhar as estações de BRT sem, por enquanto, ter faixa exclusiva.
"O próximo desafio de mobilidade é conseguir resolver efetivamente o Corredor Leste-Oeste, implantando uma solução viária para a Avenida Belmino Correia. Essa solução ainda não está nesse pacote de obras, mas um projeto já está em andamento pelo governo do Estado", admite Sena.