Caiado promete implantar o "Transporte para Todos" se eleito presidente e defende liberdade para uso de motos e patinetes elétricos, mas com regras
Presidenciável foi o único a visitar o Seminário NTU de Transporte Público e receber documento que propõe o fortalecimento do transporte coletivo
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O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (União Brasil) afirmou, durante entrevista à imprensa em São Paulo, que colocará em prática o programa Transporte para Todos caso seja eleito. A proposta, apresentada por meio da Carta Brasil em Movimento, elaborada pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), busca reorganizar o financiamento do transporte público coletivo no país sem criar novos impostos.
Questionado sobre a viabilidade do programa — que já teve versões semelhantes frustradas em cidades como Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS) —, Ronaldo Caiado disse que sua experiência à frente do governo de Goiás o credencia a tocar a pauta em nível federal, já que Goiânia é uma das capitais que tem sido case de sucesso por estar implementando projetos de prioridade ao transporte coletivo, como a chamada metronização dos ônibus.
Caiado citou os anos em que esteve no comando do Executivo estadual goiano para afirmar que terá "sensibilidade" para tratar do tema à frente do governo federal. "Posso dizer que, com a experiência que acumulei durante os meus sete anos e três meses como governador do Estado, que terei total sensibilidade à frente do governo federal para buscar uma solução real, principalmente para o transporte coletivo, que faz parte das condições sociais para que as pessoas possam viver com dignidade", afirmou.
O candidato classificou o transporte coletivo como parte de uma política social e disse que dará "total apoio" para viabilizar o programa. "Transporte coletivo faz parte de programa social que dignifica e qualifica a vida das pessoas. Ele terá da minha parte total apoio no sentido de buscar soluções compartilhadas", afirmou.
Segundo ele, o financiamento do transporte coletivo deve ser assumido conjuntamente por União, estados e municípios. "Não é apenas de um lado, é uma ação tripartite, onde a União tem a sua função, o Estado também, assim como os municípios. É desta maneira que nós iremos resolver o problema, disse.
Ao ser questionado sobre o impasse entre o Distrito Federal e Goiás para custear a tarifa técnica do transporte metropolitano — uma negociação parada há mais de um ano por falta de adesão da União —, Caiado prometeu resolver a pendência assim que assumir o cargo. "Eu entrarei imediatamente e solucionarei esse problema tão logo tenha assumido o mandato”, prometeu.
TRANSPORTE INDIVIDUAL, INCLUSIVE COM MOTOS, NÃO SERÁ PROIBIDO, MAS TERÁ REGRAS
Sobre o crescimento do uso de motocicletas e patinetes elétricos como alternativa ao transporte coletivo — hoje associado ao aumento de sinistros de trânsito com traumatismos de crânio, lesões de coluna e fraturas expostas —, o candidato disse que não pretende restringir o direito dos cidadãos de optar por esses meios de transporte individual, mas defendeu regras de segurança mais rígidas.
"Você não pode interferir no direito do cidadão. A pessoa tem a condição de transitar como ela desejar. Agora, o que você não pode é colocar em risco outra pessoa. O que você tem que cumprir são regras de segurança", afirmou.
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Caiado ligou o tema à necessidade de proteção contra sinistros de trânsito graves. "Você não pode ficar exposto todo dia a ter uma fratura exposta ou uma lesão de coluna e amanhã ficar paraplégico ou tetraplégico. Você tem que cuidar das pessoas também. O transporte que ele desejar, ele vai poder utilizar", disse, citando o próprio hábito de usar equipamentos de proteção ao pedalar. "Eu sou apaixonado pela bike. Agora, eu uso meu capacete, minha joelheira, minha cotoveleira, minha proteção de coluna. Eu também não vou dar chance ao azar", completou.
Todos os presidenciáveis foram convidados para receber o documento do setor de transporte, mas apenas Ronaldo Caiado esteve no evento nacional.
A CARTA BRASIL MOVIMENTO — TRANSPORTE PARA TODOS
Carta Brasil em Movimento by Roberta Soares
As perguntas feitas a Ronaldo Caiado têm origem na Carta Brasil em Movimento, documento elaborado pela NTU e apresentado no Seminário Nacional NTU 2026, realizado em São Paulo entre os dias 11 e 13 de agosto. O texto foi encaminhado aos candidatos à Presidência da República e defende o transporte público coletivo como infraestrutura essencial para o acesso a trabalho, educação, saúde e oportunidades no País.
Segundo o documento, o Brasil realiza mais de 1,1 bilhão de viagens por mês em uma frota de 107 mil ônibus e mais de 5,1 mil carros ferroviários, atendendo 2.962 municípios. A carta descreve um "ciclo de ruptura" no setor: como o custeio do sistema depende principalmente da tarifa paga na catraca, o aumento de custos pressiona o valor da passagem, o que afasta passageiros, reduz recursos e piora a qualidade do serviço — reiniciando o ciclo mortal.
Para enfrentar esse cenário, o programa Transporte para Todos propõe três frentes de financiamento, sem criação de novos tributos:
- Novo Vale-Transporte: substitui o desconto de até 6% no salário do trabalhador por um valor mensal que garante acesso livre à rede de transporte durante todo o mês.
- Gratuidades mantidas, mas com novo financiador: os direitos de gratuidade são preservados, mas passam a ser custeados também por educação, saúde e assistência social, e não apenas pela tarifa paga pelos demais passageiros.
- Vale-transporte social: cria uma via de acesso ao transporte para famílias inscritas no CadÚnico e beneficiárias do Bolsa Família, sem reduzir o benefício social já recebido.
De acordo com a carta, a ampliação da base de empresas que contribuem para o custeio — por meio de uma Tarifa de Referência mensal — tende a reduzir o custo por trabalhador e a necessidade de subsídio tarifário pago pelas prefeituras, liberando recursos municipais para outras áreas. O documento defende que o programa se torne um "compromisso nacional", capaz de atravessar diferentes governos e ciclos eleitorais.