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Transporte público: CNT mapeia R$ 500 bilhões para o transporte coletivo no País e Grande Recife entra na conta bilionária dos corredores de ônibus

Depois do BNDES, levantamento da Confederação Nacional do Transporte aponta 328 projetos de mobilidade urbana pelo Brasil. RMR está no pacote

Por Roberta Soares Publicado em 13/08/2026 às 7:00 | Atualizado em 24/08/2026 às 10:31

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O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 coloca um número expressivo diante do debate sobre a mobilidade urbana do Brasil: R$ 500 bilhões em investimentos para ampliar e qualificar os sistemas de transporte público coletivo urbano. É o valor necessário, segundo o levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), para viabilizar 328 projetos voltados ao transporte de passageiros em cidades brasileiras. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (12/8), durante o Seminário NTU 2026, que acontece em São Paulo, reunindo gestores públicos, operadores e especialistas do setor.

Do total mapeado pela CNT, 280 intervenções relacionadas ao transporte rodoviário urbano somam R$ 97,6 bilhões. Elas incluem a implantação e a adequação de sistemas de priorização dos ônibus — corredores e faixas exclusivas, além de corredores de BRTs —, ferramentas já testadas em diversas capitais para reduzir o tempo de viagem do transporte público sem depender de obras de grande porte, como metrôs ou VLTs. Os corredores de BRT, por exemplo, são um sistema de ônibus sobre pneus que circula em infraestrutura segregada, com prioridade de ultrapassagem e estações de embarque em nível, funcionando como uma alternativa mais barata e rápida de implantar do que sistemas sobre trilhos.

O ALERTA SOBRE FINANCIAMENTO

Divulgação/Prefeitura
Os 328 projetos estão disponíveis em uma plataforma pública da CNT, com filtros por unidade da federação, região e município - Divulgação/Prefeitura

Segundo a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, que fez a apresentação das propostas, o plano prevê 2.694 quilômetros de sistemas de priorização ao transporte coletivo urbano. A carteira inclui a expansão de mais de 1.500 quilômetros de BRTs em 34 cidades, outros 758 quilômetros de corredores exclusivos em 24 cidades e mais 758 quilômetros de faixas exclusivas em seis cidades.

CONFIRA a plataforma pública do Plano CNT de Transporte e Logística AQUI

Somam-se ainda R$ 410 bilhões voltados a sistemas metroferroviários e R$ 2,8 bilhões para terminais de integração e projetos hidroviários urbanos. "A CNT elaborou esse plano porque entendemos que a mobilidade urbana tem que ser prioridade", afirmou Fernanda Rezende durante a apresentação.

Os 328 projetos estão disponíveis em uma plataforma pública da CNT, com filtros por unidade da federação, região e município — uma ferramenta que pode ajudar prefeituras a estruturar pleitos e atrair investimentos. “Essa carteira não é sinônimo de obra contratada nem de recurso garantido. Trata-se de uma referência técnica para orientar decisões”, alertou a diretora executiva.

A própria CNT reconhece que transformar o levantamento em entregas concretas vai exigir planejamento integrado, assistência técnica aos municípios, segurança jurídica e coordenação entre poder público e iniciativa privada — o tipo de arranjo que, historicamente, emperra boa parte dos projetos de mobilidade no País antes mesmo de saírem do papel.

O IMPACTO DO PLANO CNT PARA A REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE

Arte
Plano CNT mapeia R$ 500 bilhões para o transporte coletivo no País - Arte

Entre as capitais que aparecem no radar de investimentos em corredores estruturantes de mobilidade urbana, segundo o levantamento da CNT - que também foi apresentado a candidatos à Presidência da República - está a Região Metropolitana do Recife, ao lado de Fortaleza, Salvador, João Pessoa, Natal e Aracaju.

Um retrato mais detalhado do potencial da capital pernambucana vem de outro estudo, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), conduzido pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades. O levantamento aponta que a Região Metropolitana do Recife tem potencial para mais do que dobrar sua rede de transporte público coletivo de média e alta capacidade, hoje com 68 quilômetros, chegando a até 150 quilômetros nas próximas décadas.


Para isso, o estudo estima investimentos entre R$ 8,96 bilhões e R$ 18,17 bilhões, capazes de atender 1,42 milhão de passageiros por dia, reduzir em 22% o tempo médio de deslocamento e evitar cerca de 605 vítimas de sinistros de trânsito por ano. São seis projetos estruturantes mapeados para a RMR - incluindo a modernização do Metrô do Recife, já em vias de ser concedido à iniciativa privada -, a maioria com potencial para se tornar corredores de BRT elétrico ou linhas de VLT, em um modelo de parceria com a iniciativa privada.

Na prática, a RMR já opera um sistema de referência nesse formato: o BRT Via Livre, com corredores Norte/Sul e Leste/Oeste que ligam municípios como Igarassu, Abreu e Lima, Olinda e Camaragibe ao centro da capital, somando 26 estações e uma demanda de cerca de 66 mil usuários em dias úteis.
A frota também vem sendo renovada — o BNDES aprovou recentemente R$ 102,1 milhões para a compra de 126 novos ônibus Euro 6 para o Grande Recife, sendo 32 articulados destinados justamente à operação nos corredores de BRT.

Segundo a CNT, é esse tipo de base já construída que credencia a capital pernambucana a disputar fatia relevante dos R$ 97,6 bilhões que o Plano CNT reserva ao transporte rodoviário urbano no País.

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Roberta Soares

betasoares8@gmail.com

Jornalista setorizada em mobilidade urbana há mais de 20 anos. Com 30 anos de redação, cobriu por quase dez anos o setor de segurança pública, atuando também nas editorias de Política, Brasil e Internacional.