Mobilidade | Notícia

Velocidade: Avenida Boa Viagem terá limite de 50 km/h para garantir segurança de pedestres, ciclistas e motoristas

Limite está previsto na Lei Municipal de Mobilidade Urbana do Recife e é recomendado pela OMS para vias urbanas com grande circulação de pessoas

Por Roberta Soares Publicado em 31/07/2026 às 13:45 | Atualizado em 31/07/2026 às 14:52

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O limite máximo de velocidade da Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, será reduzido de 60 km/h para 50 km/h após a conclusão das obras de requalificação da orla. A mudança está prevista na Lei Municipal que institui a Política e o Plano de Mobilidade Urbana do Recife, cujo artigo 34 estabelece 50 km/h como teto para vias arteriais — perfil no qual se enquadra a avenida — e 60 km/h apenas para vias de trânsito rápido.

O novo limite segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que faz uma relação direta entre a redução de velocidades em áreas urbanas à queda no número de mortes e lesões graves no trânsito - 1,5 milhão por ano no mundo e mais de 30 mil no Brasil. E tem como foco principal a segurança viária de pedestres e ciclistas que já usam o novo calçadão e ciclovia da orla, mas também de motoristas e passageiros que trafegam na Avenida Boa Viagem.

Segundo a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), a redução do limite de velocidade das vias do Recife está em fase gradual de implementação na cidade. “A mudança está sendo realizada inicialmente por meio de um projeto-piloto que contemplou a Avenida Beberibe (Zona Norte), a Avenida Doutor José Rufino e a Rua São Miguel (Zona Oeste). Em relação à Orla de Boa Viagem, ao término da requalificação de toda a avenida será feita a avaliação da situação para eventuais adequações”, afirmou em nota.

Parte do trecho da Avenida Boa Viagem em obras já teria recebido, inclusive, placas indicativas do novo limite, mas a sinalização será totalmente substituída quando a requalificação for concluída, em cronograma previsto para o final de 2026. O novo limite de velocidade da Avenida Boa Viagem será monitorado eletronicamente - como já acontece em dois pontos dos seis quilômetros da via, mas a CTTU não informou se a via receberá mais fiscalização eletrônica.

AS MUDANÇAS QUE A REDUÇÃO DE VELOCIDADE PROVOCA

PREFEITURA DE FORTALEZA/DIVULGAÇÃO
Apesar do avanço, pontos importantes ficaram de fora do parecer - PREFEITURA DE FORTALEZA/DIVULGAÇÃO

Diminuir a velocidade em uma via litorânea como a Avenida Boa Viagem não diz respeito apenas à circulação dos carros, como muita gente pensa. A avenida é a principal orla turística do Recife, atravessada a todo momento por pedestres que circulam entre a praia, o calçadão, os bares e restaurantes.

E, após a reforma do calçadão, a redução da velocidade ficou mais necessária porque a nova ciclovia - nivelada à área de pedestres - ficou mais exposta ao tráfego de veículos. Esse, inclusive, foi um dos pontos mais sensíveis apontados pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), que percorreu os trechos já entregues da nova ciclovia e da requalificação do calçadão.

Na visão da associação, além de ser uma exigência legal, a manutenção da velocidade regulamentada de 60 km/h em toda a via seria um erro. Em reportagem do JC, publicada em julho, a Ameciclo lembra que esse limite contraria a Política Municipal de Mobilidade Urbana do Recife, que estabelece um teto de 50 km/h para vias com esse perfil de uso.

Para Daniel Valença, integrante da coordenação da Ameciclo, submeter esse ambiente a velocidades elevadas prejudica tanto a segurança viária quanto a qualidade do espaço público e do próprio turismo local. “A situação é agravada pela pouca presença de radares de velocidade ao longo do trecho e por um traçado agora mais retilíneo, que tende a favorecer disputas de velocidade entre veículos”, alertou.

NOVA CICLOVIA FICOU MAIS SEGURA PARA O CICLISTA

JAILTON JR./JC IMAGEM
Um dos avanços mais celebrados pela Ameciclo foi a correção do traçado da ciclovia - JAILTON JR./JC IMAGEM
JAILTON JR./JC IMAGEM
Um dos avanços mais celebrados pela Ameciclo foi a correção do traçado da ciclovia. - JAILTON JR./JC IMAGEM
JAILTON JR./JC IMAGEM
Avaliação é feita por quem mais entende de ciclovia: quem pedala - JAILTON JR./JC IMAGEM

Apesar dos transtornos para pedestres, ciclistas e até condutores, a requalificação do calçadão da Orla de Boa Viagem está sendo positiva para a ciclomobilidade. Ou seja, para quem pedala. A nova ciclovia está ficando muito boa e mais segura para o ciclista. O fim das curvas e do batente que separava o equipamento do calçadão é uma das principais conquistas para quem pedala.

A avaliação foi feita pela Ameciclo após percorrer trechos já entregues da requalificação do calçadão. A entidade reconheceu avanços expressivos no traçado, no piso e na drenagem da via, apesar de ainda haver pontos que precisam ser corrigidos para evitar conflitos entre ciclistas e pedestres.

Um dos avanços mais celebrados pela Ameciclo foi a correção do traçado da ciclovia. As curvas fechadas que existiam na estrutura antiga, e que representavam risco real de colisão entre ciclistas, foram eliminadas. Outro problema histórico da via também foi resolvido. Antes, a ciclovia tinha um perfil rebaixado que funcionava como uma espécie de canal, acumulando areia, lama e detritos após as chuvas.

Com o novo desenho, a estrutura ficou praticamente no mesmo nível da calçada, o que deve facilitar o escoamento da água e simplificar a manutenção. Somam-se a isso rampas de acesso mais suaves para pedestres e usuários de outros equipamentos de mobilidade, além de travessias sinalizadas em vermelho para alertar quem cruza a ciclovia — e a instalação de um número expressivo de paraciclos ao longo do trecho avaliado - algo fundamental para estimular a população a usar suas bikes.

PONTOS NEGATIVOS: LARGURA INSUFICIENTE, DESNÍVEL E AUSÊNCIA DE COR PADRÃO

Apesar dos elogios, a Ameciclo identificou problemas que comprometem a qualidade da ciclovia entregue parcialmente. O primeiro deles é a largura do equipamento. Uma medição apontou 2,20 metros de largura — bem abaixo dos 3 metros exigidos pelo Manual de Desenho de Ruas do Recife para ciclovias bidirecionais.

A entidade lembra que o espaço reduzido prejudica especialmente uma via de orla, onde ciclistas costumam pedalar lado a lado e onde circulam também bicicletas cargueiras e carrinhos de comerciantes.
A identidade visual da ciclovia também ficou incompleta, na avaliação da Ameciclo. Em vez do pavimento integralmente pigmentado de vermelho — recomendado pelo próprio manual municipal para aumentar a percepção da infraestrutura por motoristas e pedestres — a obra utilizou apenas bordas vermelhas.

Já entre a ciclovia e a área de pedestres, ficou um pequeno desnível, o "batente", que preocupa a Ameciclo por representar risco de queda, principalmente para bicicletas de rodas pequenas.

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Roberta Soares

betasoares8@gmail.com

Jornalista setorizada em mobilidade urbana há mais de 20 anos. Com 30 anos de redação, cobriu por quase dez anos o setor de segurança pública, atuando também nas editorias de Política, Brasil e Internacional.