Mortes no trânsito: Recife ganha mais uma Ghost Bike, as bicicletas brancas que servem de alerta para o atropelamento de ciclistas
Ghost Bike será instalada na Avenida Mascarenhas de Moraes, na Zona Sul da capital, e homenageia ciclista morta em atropelamento no Recife
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O Recife vai ganhar mais uma Ghost Bike, as ‘bicicletas fantasmas’ que viraram símbolo mundial da violência no trânsito contra ciclistas. Nesta quinta-feira (9/7), será instalada uma bicicleta branca na Avenida Mascarenhas de Moraes, na Zona Sul do Recife, em homenagem à professora Juliana Maria de Souza, de 37 anos, atropelada e morta no local. A Ghost Bike será instalada pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) e busca chamar atenção para a insegurança de ciclistas na cidade.
Juliana morreu no dia 3 de junho de 2026, data que marca o Dia Mundial da Bicicleta. Ela seguia para casa, na Imbiribeira, quando foi atingida pelo condutor de uma carreta ao fazer uma conversão na Avenida Mascarenhas de Moraes. Segundo relato do motorista, ele não teria visto a ciclista devido a um ponto cego do veículo — situação recorrente em sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) envolvendo veículos de grande porte. A professora não resistiu aos ferimentos e morreu no local antes de receber atendimento.
Além da instalação da Ghost Bike, a Ameciclo e apoiadores que vão participar do ato pedem que a ciclovia da Mascarenhas de Moraes receba o nome da ciclista e que a velocidade máxima permitida na via, atualmente de 60 km/h, seja reduzida para 50 km/h, como determina a OMS (Organização Mundial da Saúde).
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MORTES NO TRÂNSITO TÊM AUMENTADO NO RECIFE E AÇÃO JUDICIAL
Dados recentes mostram um crescimento nos casos de mortes no trânsito do Recife. Em 2024, foram registrados 159 óbitos por sinistros, ante 144 em 2023 — alta de 10%, o maior número desde 2017. Segundo levantamento da Ameciclo, dez ciclistas morreram na capital entre setembro de 2024 e maio de 2025. Pedestres e motociclistas somam 86% do total de vítimas fatais, e o excesso de velocidade aparece como o principal fator associado aos casos.
Diante do crescimento da violência viária, em 2025 a Ameciclo entrou com uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura do Recife, a CTTU e a URB, alegando omissão na condução da política de mobilidade urbana. A entidade aponta que a fiscalização eletrônica costuma ficar desligada durante a noite, em desacordo com a Lei Municipal nº 18.887/2021, que estabelece limites de velocidade conforme a classificação das vias.