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Mortes no trânsito: Álcool e drogas ilícitas estão presentes em 46% das mortes violentas nas ruas e estradas de capitais brasileiras

Pesquisa em quatro regiões do País aponta que quase metade das vítimas fatais de sinistros de trânsito haviam consumido álcool ou drogas ilícitas

Por Roberta Soares Publicado em 09/07/2026 às 11:19 | Atualizado em 09/07/2026 às 11:23

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Um estudo inédito conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) analisou o impacto do consumo de substâncias psicoativas em 3.577 vítimas de mortes violentas em quatro capitais brasileiras: Belém (PA), Recife (PE), Vitória (ES) e Curitiba (PR). Os resultados revelam um cenário preocupante para a saúde pública, indicando que 53% do total de vítimas testaram positivo para pelo menos uma substância, como álcool, cocaína ou medicamentos controlados, em análises feitas logo após o óbito.

O foco nos sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT), que representaram 14,7% das mortes analisadas, destaca a gravidade da associação entre a condução de veículos motorizados e as drogas lícitas e ilícitas. De acordo com os dados toxicológicos, 46% das vítimas que morreram no trânsito haviam consumido álcool ou drogas.

O álcool permanece como o principal vilão, sendo detectado em 38% dos óbitos por sinistros de trânsito, enquanto a cocaína foi encontrada em cerca de 9,9% desses casos. Mesmo com a política de "tolerância zero" adotada pela legislação brasileira com a Operação Lei Seca, o álcool continua sendo o fator predominante em fatalidades no trânsito e um sinal de que a fiscalização precisa ser ampliada mais e mais.

Agência Estado
Nas mortes violentas em geral, o estudo indica que 53% do total de vítimas testaram positivo para pelo menos uma substância, como álcool, cocaína ou medicamentos controlados - Agência Estado

A pesquisa, liderada pelo toxicologista Henrique Silva Bombana, buscou preencher uma lacuna de dados padronizados sobre o papel dessas substâncias nas chamadas "causas externas" de mortalidade no Brasil - as mortes no trânsito entre elas. Bombana é pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) e primeiro autor do artigo.

O IMPACTO REGIONAL DO ÁLCOOL E DAS SUBSTÂNCIAS ILÍCITAS NO TRÂNSITO

ARTE
De acordo com a USP, 46% das vítimas que morreram no trânsito em quatro capitais brasileiras tinham consumido álcool ou drogas, o Recife entre elas - ARTE

A distribuição geográfica do estudo permitiu identificar que o impacto das substâncias varia significativamente entre as regiões brasileiras. No Recife e em Curitiba, observou-se uma prevalência maior de mortes associadas ao consumo de álcool em comparação com outras drogas. Já em Belém e Vitória, os índices de positividade para drogas ilícitas foram proporcionalmente mais elevados, refletindo possivelmente as dinâmicas locais de consumo e a localização dessas cidades em rotas estratégicas de tráfico.

O estudo alerta que as disparidades regionais sugerem que estratégias de prevenção devem ser personalizadas de acordo com o perfil de uso de cada localidade. Além do álcool e da cocaína, o estudo identificou a presença de benzodiazepines em 4,4% das vítimas de trânsito, o que alerta para o risco do uso de medicamentos psicoativos associado à condução de veículos.

A análise utilizou amostras de sangue cardíaco coletadas durante as autópsias, método considerado ideal para estimar o uso agudo de substâncias no momento da morte. Os pesquisadores ressaltam que, embora o Brasil possua uma das leis mais rigorosas do mundo contra o ato de dirigir sob efeito de álcool, a fiscalização e os testes aleatórios precisam ser fortalecidos para que a legislação tenha um impacto populacional real na redução de mortes.

A conclusão dos especialistas é que o enfrentamento dessas mortes violentas exige uma abordagem holística, que vá além do caráter punitivo e integre medidas de tratamento, redução de danos e educação.

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