Faixa Azul: Pelo menos por enquanto, Recife não planeja expandir as faixas exclusivas para os ônibus
Prefeitura avalia que as vias que deveriam ter prioridade para os ônibus já possuem Faixas Azuis e que estagnação se deve à baixa demanda das linhas
Clique aqui e escute a matéria
Apesar dos benefícios já comprovados para o transporte público coletivo, o Recife deverá seguir esperando pela ampliação das Faixas Azuis, a versão recifense das faixas exclusivas para os ônibus. Pelo menos por enquanto, não está nos planos da gestão municipal ampliar a malha que prioriza a circulação do transporte coletivo no sistema viário da cidade.
Isso tudo apesar de a última Faixa Azul ter sido implantada em 2021 e de a ferramenta - barata e de fácil implantação - estar presente em apenas 5% das vias que recebem ônibus na capital.
Esse cenário de estagnação na priorização do transporte público nas ruas e avenidas foi confirmado pelo secretário de Ordem Pública e Segurança do Recife, Alexandre Rebêlo. A avaliação da gestão municipal é de que os principais eixos viários da cidade já foram contemplados com a Faixa Azul. E que a estagnação se deve à baixa demanda das linhas de ônibus que circulam em alguns corredores.
Em entrevista ao JC, o secretário explicou que a prefeitura realizou estudos de viabilidade técnica e que, no momento, o foco mudou. “A nossa avaliação é de que as principais áreas já tiveram as faixas exclusivas implantadas. Atualmente, a gente não tem estudo de implantação a curto prazo”, afirmou Rebêlo, destacando que a prioridade agora é a qualificação da fiscalização eletrônica para evitar a invasão das faixas existentes por veículos particulares.
O secretário também detalhou os impedimentos técnicos que barram a expansão em vias cruciais e sufocadas pelo tráfego de veículos particulares, como a Avenida Abdias de Carvalho (corredor de conexão com a Zona Oeste do Recife) e a Avenida Norte (corredor estrutural na ligação da área central com o Norte da capital).
No caso da primeira, o entendimento da gestão municipal é que o volume de viagens de ônibus não justificaria a intervenção, enquanto na Avenida Norte o problema é a infraestrutura física. “Infelizmente, a Avenida Norte é uma avenida estreita para receber uma Faixa Azul”, pontuou Rebêlo, sugerindo que para esses locais devem ser discutidas soluções de médio e longo prazo, como o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
Para o gestor, a expansão esbarra na necessidade de uma mudança de concepção da sociedade sobre o uso do veículo individual frente ao coletivo. Ou seja, na visão de Rebêlo, cabe ao cidadão deixar o carro em casa e tentar usar o transporte público, mesmo sem prioridade viária para agilizar as viagens.
FAIXAS AZUIS TÊM EFICIÊNCIA COMPROVADA, MAS EXPANSÃO SEGUE ESTAGNADA
Apesar da postura cautelosa da gestão, os números mostram que as Faixas Azuis são extremamente eficazes para quem depende do transporte público. Desde a implantação do modelo em 2013, inspirado no sistema BRS do Rio de Janeiro, houve ganhos operacionais expressivos.
Na Avenida Domingos Ferreira, por exemplo, a velocidade dos ônibus chegou a aumentar 118% antes da pandemia. Mesmo em vias com tráfego intenso, como a Avenida Agamenon Magalhães, a velocidade média dos coletivos cresceu 53,7% em determinados trechos, beneficiando parte dos 250 mil passageiros que circulam diariamente por aquele corredor.
A lentidão na expansão — que teve sua última atualização significativa em 2021 com a finalização da faixa na Agamenon Magalhães e na Avenida Visconde de Jequitinhonha (Zona Sul) — contrasta com o baixo custo de implantação, estimado em R$ 20 mil por quilômetro.
Atualmente, o Recife conta com aproximadamente 70 km de faixas exclusivas, com uma cobertura ainda limitada, que atende apenas 25% dos passageiros da capital - 1. milhão por dia.
Somado à falta de expansão, o sistema atual enfrenta desafios de manutenção e desrespeito dos motoristas. Com a sinalização horizontal apagada em diversos pontos e pouca fiscalização eletrônica, as invasões são recorrentes.
Em 2025, por exemplo, a invasão de Faixas Azuis foi a segunda infração mais cometida no Recife, com 44.685 multas aplicadas, segundo dados do Detran-PE.