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Morte no Metrô do Recife: CBTU não relaciona morte de funcionário eletrocutado à sucateamento do sistema

Companhia classifica choque elétrico como um evento isolado, enquanto sindicato denuncia abandono histórico da infraestrutura e falta de investimentos

Por Roberta Soares e Aisha Vitória Publicado em 11/06/2026 às 17:23 | Atualizado em 11/06/2026 às 17:49

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A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) não relaciona a morte por choque elétrico do metroviário Tiago Barbosa dos Santos, 40 anos, ocorrida na madrugada desta quinta-feira (11/6), à crise estrutural que atinge o Metrô do Recife há pelo menos uma década e que lançou o sistema na rota da concessão privada. 

Mesmo diante das críticas recorrentes sobre a precarização do modal, a gestão da companhia enfatizou que o episódio deve ser tratado como um acidente de trabalho isolado em uma área de alto risco. Tiago Barbosa atuava na área de manutenção da rede elétrica e morreu eletrocutado após receber uma descarga de 3.000 volts.

Para a empresa, o foco atual reside na assistência aos familiares e no acompanhamento das perícias técnicas que determinarão a dinâmica exata do ocorrido. As declarações foram dadas pela superintendente da CBTU Recife, Marcela Campos, durante entrevista coletiva realizada com a imprensa e o corpo técnico do Metrô do Recife.

PROTOCOLOS DE SEGURANÇA SEGUIDOS

Acervo pessoal
Tiago Barbosa dos Santos, de 40 anos, atuava no setor de manutenção da rede elétrica e levou uma descarga de mais de 3.000 volts, morrendo na hora - Acervo pessoal

A superintendência da CBTU reforçou que os protocolos de segurança são seguidos rigorosamente e que a morte do metroviário é um fato inédito em décadas de operação. “De jeito nenhum há uma relação com as dificuldades que o metrô enfrenta. Isso foi uma fatalidade, um acidente de uma equipe que trabalha diretamente com perigo, com área energizada. Mas em 42 anos é o primeiro registro de um acidente com vítima fatal trabalhando em rede elétrica. Uma coisa não tem ligação nenhuma com a outra”, afirmou, reforçando que a empresa preza pela integridade física através do uso de equipamentos de proteção.

Em nota oficial de pesar, a CBTU informou que acionou imediatamente as autoridades competentes e instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos. O documento detalha que a ocorrência será analisada pela Comissão Permanente de Análise de Acidente de Tráfego (CPAAT) e pelo Instituto de Criminalística I.C.). Apesar de ressaltar o compromisso com a transparência, a Companhia reiterou que só voltará a se manifestar sobre as causas da morte após a conclusão dos laudos técnicos oficiais.

METROVIÁRIO LEVOU UMA DESCARGA DE 3 MIL VOLTS

 

 

Tiago Barbosa dos Santos, de 40 anos, era integrante do setor de manutenção da rede elétrica da CBTU Recife desde 2013/2014. O acidente fatal aconteceu por volta das 3h da manhã, próximo à Estação Tejipió, na Linha Centro do sistema. Tiago estava em um "carro-torre" — veículo que permite o acesso à fiação aérea — realizando a manutenção de seccionadoras de via quando recebeu uma descarga elétrica de mais de 3.000 volts, morrendo no local.

O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SindMetro), por outro lado, contesta a visão de "fatalidade" e associa a morte diretamente ao sucateamento técnico e humano do metrô. Segundo a entidade, o sistema sofre há uma década com a escassez de recursos para investimentos e custeio, o que coloca os trabalhadores sob intensa pressão e condições inadequadas. O sindicato afirma que tem enviado diversos ofícios e realizado manifestações alertando que a degradação da infraestrutura atingiria, inevitavelmente, a segurança de quem opera o sistema.

SINDMETRO APONTA FALHA TÉCNICA EM MECANISMOS DE SEGURANÇA

JC Imagem
Marcela Campos, superintendente da CBTU Recife - JC Imagem

Leandro Félix, diretor de Comunicação do SindMetro, sustenta que a morte de Tiago Barbosa foi provocada por uma falha técnica gritante na rede aérea. Ele argumenta que, se os mecanismos de intertravamento e segurança estivessem funcionando corretamente, a energização do trecho durante a manutenção teria sido impedida. Para o dirigente, é improvável que um profissional com a experiência de Tiago cometesse um erro humano básico em um local já isolado para reparos, o que reforça a tese de falha nos equipamentos antigos. Apesar da gravidade do ocorrido e do clima de luto, a operação das Linhas Centro e Sul não foi interrompida e seguiu normalmente ao longo do dia.

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