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Morte no Metrô do Recife: Metroviário morre eletrocutado durante manutenção da rede aérea e acende alerta sobre sucateamento do sistema

O metroviário, que estava na CBTU Recife desde 2013/2014, atuando no setor de manutenção da rede elétrica, levou uma descarga de mais de 3.000 volts

Por Roberta Soares Publicado em 11/06/2026 às 12:05 | Atualizado em 11/06/2026 às 17:23

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Um funcionário da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) morreu eletrocutado enquanto fazia a manutenção na rede área do Metrô do Recife. O caso aconteceu na madrugada desta quinta-feira (11/6), na Linha Centro do sistema. Tiago Barbosa dos Santos, de 40 anos, morreu próximo à Estação Tejipió, na Zona Oeste do Recife.

O metroviário, que estava na CBTU Recife desde 2013/2014, atuando no setor de manutenção da rede elétrica, levou uma descarga de mais de 3.000 volts, morrendo na hora. Pelo que apurou o JC, Tiago Barbosa estaria fazendo a manutenção de duas seccionadoras de via, que são equipamentos que alimentam a energia enviada pelas subestações para a rede aérea, quando levou a descarga.

O metroviário estaria em um carro-torre, veículo que trafega pelos trilhos e permite alcançar a fiação aérea. Tiago teria feito a manutenção de uma das seccionadoras, já desenergizada pelo Centro de Controle Operacional do metrô (CCO), e quando foi fazer o mesmo procedimento na segunda, levou o choque elétrico. O caso aconteceu por volta das 3h.

RELAÇÃO ENTRE A MORTE E O SUCATEAMENTO DO METRÔ DO RECIFE

Acervo pessoal
Tiago Barbosa dos Santos, de 40 anos, atuava no setor de manutenção da rede elétrica e levou uma descarga de mais de 3.000 volts, morrendo na hora - Acervo pessoal

Embora as investigações sobre o caso ainda estejam começando, a morte do funcionário está sendo associada diretamente ao sucateamento técnico e, principalmente, humano do Metrô do Recife, que enfrenta uma crise de recursos para investimentos e até custeio há pelo menos uma década. E com funcionários que trabalham sem condições e sob uma intensa pressão no mesmo período.

E essa associação está sendo feita pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SindMetro). Os sindicalistas afirmam que a morte de Tiago Barbosa não pode ser tratada como um episódio isolado, “como um simples infortúnio ou como mais um número em relatórios administrativos".

Isso porque, segundo o SindMetro, há anos é denunciado o abandono progressivo do sistema metroferroviário do Recife. “Há anos alertamos sobre a degradação da infraestrutura, a insuficiência de investimentos, o envelhecimento dos equipamentos, a redução dos recursos destinados à manutenção e os riscos crescentes enfrentados diariamente pelos trabalhadores que mantêm o sistema em funcionamento”, diz a entidade.

E segue afirmando que foram diversos ofícios enviados e reuniões, audiências, manifestações públicas e entrevistas realizadas como alertas. “Em todas essas ocasiões, apontamos que o sucateamento do sistema não atingia apenas a qualidade do serviço prestado à população. Atingia, sobretudo, a segurança de quem trabalha e de quem utiliza o metrô”.

FALHA FOI TÉCNICA, NÃO HUMANA, DIZ SINDICATO

REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS
Incêndio em vagão provocado por curto circuito na rede aérea é alerta que precarização coloca em risco a segurança de passageiros e operadores - REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS

Em entrevista, Leandro Félix, diretor de Comunicação da entidade, afirmou que a precarização da infraestrutura e a falha gritante em investimentos na rede aérea de energia foram os principais fatores que provocaram a morte do funcionário.

"Se a rede aérea estivesse funcionando com a melhor qualidade e todos os intertravamentos de segurança adequados, essa morte não teria acontecido". O sindicalista argumenta que, embora o sistema sempre tenha sido considerado seguro, houve uma falha crítica em algum mecanismo de segurança que deveria impedir a energização do trecho durante a manutenção.

Ele explicou, ainda, ser impossível um profissional experiente realizar um comando de fechamento de corrente em um local já isolado para reparos, o que reforça a suspeita de uma falha técnica no processo e não humana.

Embora tenha evitado apontar responsabilidades antes da conclusão da perícia, o diretor insistiu que a investigação precisa esclarecer se houve um problema específico na rede de 3 mil volts e qual foi a intensidade da descarga elétrica que atingiu o trabalhador.

INVESTIGAÇÃO PARA ENTENDER O QUE ACONTECEU

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Apesar da morte do funcionário, o funcionamento do Metrô do Recife não foi alterado, e as Linhas Centro e Sul operaram normalmente - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

A CBTU argumentou ao JC que ainda seria cedo para qualquer posicionamento, já que o acidente de trabalho - como a morte do funcionário está sendo tratada - está sendo investigado tanto administrativa como criminalmente. Mas que a Companhia está dando todo o suporte necessário à família do metroviário e colaborando com a investigação da Polícia Civil.

Apesar da morte do funcionário, o funcionamento do Metrô do Recife não foi alterado, e as Linhas Centro e Sul operaram normalmente.

COLAPSO ESTRUTURAL E DESAFIOS PARA RECUPERAÇÃO DO METRÔ DO RECIFE

O Metrô do Recife tem acumulado problemas de infraestrutura que impactam diretamente na operação e afetam passageiros e operadores. O recente descarrilamento de um trem da Linha Sul, ocorrido entre as estações Recife e Joana Bezerra, na terça-feira (9/6), evidenciou a gravidade da crise estrutural enfrentada pelo sistema metroviário da capital pernambucana.

Embora o incidente não tenha deixado feridos devido à baixa velocidade da composição no momento do ocorrido, o evento causou a paralisação total das operações em todas as estações da Linha Sul. Esse episódio é um sintoma direto da fragilidade do sistema, que já obriga os maquinistas a operarem com velocidade reduzida em diversos pontos devido a restrições técnicas preexistentes.

A crise é alimentada por uma sequência de problemas frequentes decorrentes de anos de falta de modernização e limitações operacionais severas. O descarrilamento não é um fato isolado, mas o reflexo de uma infraestrutura que atingiu seu limite e necessita urgentemente de intervenções profundas. A situação atual demonstra que as falhas sistêmicas impactam diretamente a rotina dos passageiros, resultando em fechamentos temporários e na redução da confiabilidade do transporte público na Região Metropolitana do Recife.

Para tentar reverter esse cenário de colapso, o metrô passa por um plano de recuperação da infraestrutura que inclui medidas drásticas, como a suspensão das atividades aos domingos para manutenção corretiva. Essas intervenções focam na substituição de componentes essenciais, como trilhos e dormentes, além de melhorias na rede aérea e nos sistemas operacionais. Tais ações são vitais para enfrentar as limitações históricas da estrutura e buscar o restabelecimento da segurança e da eficiência operacional que o sistema demanda há anos.

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