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Mortes no trânsito: Um terço dos sinistros de trânsito nas rodovias federais do Brasil têm relação com a saúde dos motoristas

Estudo da Abramet com dados da Polícia Rodoviária Federal revela que 1 em cada 3 sinistros nas rodovias tem relação com a saúde do motorista

Por Roberta Soares Publicado em 31/05/2026 às 9:05

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Problemas relacionados à saúde física e emocional de motoristas foram a causa de quase um terço dos sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) registrados nas rodovias federais brasileiras em uma década - de 2014 a 2024.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), esse fator foi responsável por 28% das ocorrências no período. Entre os principais problemas identificados estão a ausência de reação, o sono, a falta de atenção, o mal súbito e o uso de substâncias psicoativas.

Ao todo, a quantidade de sinistros decorrentes de transtornos de saúde chega a 1.206.491 casos confirmados. Além dos quadros agudos, a análise aponta que doenças oculares, problemas motores e transtornos neurológicos ou mentais também impactam diretamente a segurança nas estradas.

A análise reforça a necessidade de um monitoramento rigoroso das condições de saúde de quem conduz veículos, especialmente em trajetos de longa distância. E, por sorte e pressão dos médicos do trânsito, coincide com a decisão do Congresso Nacional de aprovar a Medida Provisória 1.327/2025, conhecida como a MP do ‘Bom Condutor’, mantendo a exigência dos exames médicos de aptidão física e mental.

O PESO DO FATOR HUMANO NA SEGURANÇA VIÁRIA

REPRODUÇÃO
Os números do Relatório Preliminar de Sinistros de Trânsito com Vítimas Fatais 2024 mostraram que o trânsito do Recife segue matando muito - REPRODUÇÃO
Gabriel Ferreira/JC Imagem
Circulação de motos nas rodovias, principalmente as federais (BRs), aumenta ainda mais o risco de quedas e colisões, que quase sempre resultam em mortes - Gabriel Ferreira/JC Imagem

A análise estatística da PRF demonstra que o "fator humano" é o principal componente da insegurança nas rodovias, somando aproximadamente 80% de todas as ocorrências. Enquanto os problemas de saúde respondem por 28% dos casos, o comportamento inadequado ao volante — como excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas — representa outros 49%. Em comparação, fatores externos como defeitos na via (8%), falhas mecânicas no veículo (7%) e condições ambientais (4%) possuem um peso significativamente menor.

A distribuição desses ‘pesos’ varia geograficamente pelo território nacional, apresentando maior incidência proporcional em estados com grande volume de carga. Em Roraima, por exemplo, os fatores de saúde chegam a causar 35,1% dos sinistros de trânsito, o maior índice do País.

Em números absolutos, o estado de Minas Gerais lidera o ranking com 154.648 registros, seguido pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Pernambuco apresenta um índice de 28,1%, com 46.636 registros relacionados à saúde dos condutores.

A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES MÉDICOS NA RENOVAÇÃO DA CNH

Arte
Infográfico produzido por IA com dados apurados pela reportagem - Arte

Diante dos dados, a Abramet atuou junto ao Congresso Nacional para preservar a exigência do Exame de Aptidão Física e Mental (EAFM) na renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A entidade defendeu que a manutenção desses exames é uma etapa estratégica para sensibilizar a sociedade e garantir a segurança viária com base em critérios técnicos e científicos.

Para o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, ignorar a importância da avaliação realizada por médicos do tráfego seria um equívoco perigoso. “O acompanhamento contínuo das capacidades físicas e mentais dos condutores é um dos alicerces fundamentais para reduzir a violência no trânsito”, alertou.

O perfil das vítimas e dos envolvidos nos sinistros revela que os homens são os principais protagonistas, respondendo por 66,1% das ocorrências. A maioria dos registros concentra-se na faixa etária entre 20 e 59 anos, sendo o grupo de 30 a 39 anos o mais recorrente, com 25% dos casos. Embora jovens e idosos participem menos do total de sinistros, os dois grupos apresentam maior vulnerabilidade, figurando proporcionalmente mais entre as vítimas fatais.

Quanto à tipologia dos sinistros, as colisões (traseiras, frontais e laterais) predominam, representando 54,8% do total registrado pela PRF. Outras situações comuns incluem saídas de pista (13%), tombamentos (10%) e atropelamentos (4%).

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