Calor no BRT: Seis anos depois, governo de Pernambuco lança licitação de R$ 8,3 milhões para refrigerar as estações de BRT novamente
Após anos de espera e equipamentos vandalizados, CTM publica edital para devolver o conforto térmico dos corredores Leste-Oeste e Norte-Sul
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Lá vamos nós de novo. Seis anos depois de muito calor e invasões frequentes de usuários que não pagam a passagem devido à abertura permanente das portas, as estações do sistema BRT da Região Metropolitana do Recife estão mais perto de voltar a ter ar-condicionado, como tinham até a pandemia de covid-19.
O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) publicou nesta sexta-feira (29/5) o edital de licitação para a refrigeração de 35 das 44 estações de BRT dos corredores Leste-Oeste (que liga o Centro do Recife a Camaragibe) e Norte-Sul (faz a ligação da capital com Igarassu). Atualmente, os passageiros enfrentam temperaturas extremas dentro das unidades, que deveriam oferecer conforto térmico.
A licitação prevê a contratação de uma empresa especializada para o fornecimento, instalação e implementação do sistema de climatização, incluindo toda a infraestrutura necessária. O investimento estimado é de R$ 8,3 milhões. Segundo o cronograma oficial, as propostas poderão ser enviadas a partir do dia 1º de junho, com a disputa agendada para o dia 2 de julho.
CONFIRA AS ESTAÇÕES QUE SERÃO BENEFICIADAS
Corredor Norte e Sul
Maurício de Nassau; Cruz de Rebouças; Bultrins; Mathias de Albuquerque; Kennedy; Tacaruna; Santa Casa da Misericórdia; Araripina; IEP; Treze de Maio; Riachuelo; José de Alencar; Hospital Central; São Salvador do Mundo; Jupirá; Istmo do Recife; Praça da República; Nossa Senhora do Carmo; Forte do Brum.
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Corredor Leste/Oeste
Derby; Guararapes; Areinha; Barreiras; Padre Cícero; Capibaribe; BR-101; Getúlio Vargas; Benfica; Engenho Poeta; Riacho Cavouco; Caiara; Parque do Cordeiro; Forte do Arraial; Zumbi; Abolição.
Segundo o CTM, a previsão é que os trabalhos sejam concluídos em 9 meses, a partir da ordem de serviço.
O secretário de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi), Pedro Neves, destacou que a licitação representa um avanço importante na reestruturação do sistema BRT. “A volta da climatização vai permitir que as estações tenham melhores condições de funcionamento, com mais eficiência operacional e estruturas adequadas para atender os passageiros com mais qualidade”, afirmou.
Na prática, a climatização - embora criticada pelo setor operacional devido aos custos de manutenção - vai moralizar o BRT, atualmente uma das principais portas de invasão do sistema de transporte público da RMR. Flagrantes de pessoas entrando por fora nas estações são diários. Após a reeinstalação do ar-condicionado, a manutenção dos equipamentos passará a ser responsabilidade da Nova Mobi, concessionária que já cuida das estações e também dos terminais integrados em um contrato de 35 anos.
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NOVE ESTAÇÕES ESTÃO SENDO RETROFITADAS
Paralelamente ao processo licitatório, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco (Seduh) está promovendo a reforma das nove estações de BRT restantes, que receberão a refrigeração na sequência. Estão em andamento obras de substituição de coberturas, implantação de nova sinalização, recuperação estrutural e adequações de acessibilidade nas estações em processo de requalificação.
No pacote da Seduh estão sendo contempladas nove estações localizadas no corredor Norte-Sul da Região Metropolitana do Recife: Abreu e Lima, São Francisco de Assis, Cidade Tabajara, Aloísio Magalhães, Quartel, Sítio Histórico, Complexo de Salgadinho, Centro de Convenções e Paulista.
HISTÓRICO DE DEGRADAÇÃO DAS ESTAÇÕES DE BRT NA RMR
Muita gente não lembra mais, mas o sistema de BRT da Região Metropolitana do Recife, batizado de Via Livre, nasceu com o status de ser o único do Brasil e o segundo do mundo (atrás apenas de Dubai, nos Emirados Árabes) a possuir estações totalmente refrigeradas.
No entanto, esse cenário de modernidade foi interrompido em 2020, com o início da pandemia de covid-19. Durante o período de isolamento, as estações sofreram com a falta de segurança - retirada pelo governo de Pernambuco da época para economizar -, resultando em vandalismo sistemático e furto de fiação e aparelhos de ar-condicionado.
Desde então, o sistema entrou em um ciclo de degradação que dura até hoje, transformando as estações em locais de calor insuportável para os usuários e invasões frequentes.
Essa ausência de refrigeração gerou efeitos colaterais graves para a operação do sistema:
Invasões e evasão de receita: Sem ar-condicionado, as portas das estações precisavam ficar permanentemente abertas para ventilação, o que estimulava a entrada de passageiros sem o pagamento da tarifa.
Falhas em licitações anteriores: Em 2022, o governo chegou a anunciar um investimento de R$ 4 milhões para novos equipamentos, mas o processo foi marcado por irregularidades e auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Das 256 unidades de ar-condicionado previstas naquela época, apenas 48 foram entregues, e a instalação não foi concluída sob a justificativa de que as reformas das estações estavam atrasadas.