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Metrô do Recife: Chegada de trens usados sofre novo atraso e composições não serão refrigeradas

Entrega das primeiras composições foi adiada pela terceira vez e é provável que passageiro enfrente calor nos trens, com apenas sistema de ventilação

Por Roberta Soares Publicado em 13/04/2026 às 10:58 | Atualizado em 15/04/2026 às 13:54

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Os primeiros trens usados que vão entrar em operação no Metrô do Recife, já como um dos socorros do pacote da concessão do sistema metroferroviário, vão demorar ainda mais para chegar à Região Metropolitana do Recife, precisamente à Linha Sul do metrô, que conecta a Zona Sul da RMR ao Centro da capital.

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) confirmou que a chegada das duas primeiras locomotivas, de um total de 11 trens seminovos prometidos, sofreu novo atraso, o terceiro consecutivo. Inicialmente previstas para fevereiro deste ano, as composições tiveram o prazo adiado para o final de março e, agora, a nova estimativa de entrega é apenas para o período entre o final de abril e meados de maio. Segundo a companhia, o novo adiamento é decorrente de questões logísticas para o transporte das unidades.

TRENS ‘SEMINOVOS’ NÃO TÊM AR-CONDICIONADO, APENAS SISTEMA DE VENTILAÇÃO

Além da demora na entrega e do fato que as composições são usadas, um detalhe técnico tem gerado preocupação entre os passageiros e metroviários: os 11 trens seminovos não possuem sistema de ar-condicionado. A ausência de refrigeração é um ponto crítico para a operação na Região Metropolitana do Recife, conhecida pelo clima quente e úmido durante boa parte do ano. Atualmente, a falha no ar-condicionado dos vagões já é uma das principais reclamações de quem utiliza as linhas Centro, Sul e Diesel, que frequentemente enfrentam problemas de superlotação e calor excessivo.

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Trens usados da Trensurb e do Metrô de BH serão transferidos para o Metrô do Recife como solução emergencial - Reprodução

Diferente dos modelos que operam atualmente no sistema — muitos dos quais são totalmente vedados e dependem exclusivamente da climatização artificial —, a CBTU e o governo do Estado (que está envolvido no processo porque será o gestor do contrato de concessão do metrô) - garantem que esses trens seminovos contam com um sistema de ventilação diferenciado e não são totalmente vedados.

Essa característica técnica permitirá, segundo o poder público, uma circulação de ar nas composições que chegarão, embora ainda represente um desafio de conforto térmico diante das altas temperaturas locais. Mas eram esses trens ou nenhum, já que a produção de novos trens leva, em média, de dois a três anos.
“Embora os novos trens não possuam ar-condicionado, contam com um sistema de ventilação aprimorado, composto por quatro saídas com ventiladores no salão e janelas pequenas do tipo bandeira. Essa estrutura de ventilação é superior à que operava anteriormente no sistema, antes da instalação dos equipamentos de ar”, explica o gerente de operação da CBTU Recife, José Innocêncio.

O reforço com esses equipamentos, segundo a CBTU, é visto como uma medida emergencial para um sistema que sofre com equipamentos utilizados desde 1985 e com a redução histórica de investimentos federais. Há quase dez anos o Metrô do Recife sobrevive com pouco mais da metade dos recursos apenas para o custeio da operação do sistema.

FUTURA CONCESSÃO JÁ ESTÁ SENDO VIABILIZADA

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Trens usados da Trensurb e do Metrô de BH serão transferidos para o Metrô do Recife como solução emergencial - Reprodução

A chegada dos 11 trens faz parte de um acordo de cooperação técnica firmado entre o governo federal e o governo de Pernambuco em dezembro de 2025, servindo como uma etapa de transição para a futura concessão do metrô à iniciativa privada.

O projeto será uma Parceria Público-Privada (PPP), que terá duração de 30 anos, e que prevê um aporte financeiro de R$ 4 bilhões por parte da União para a requalificação total do sistema metroviário. Esse montante será destinado à reforma das 37 estações, modernização da rede elétrica e sinalização, além da substituição de trilhos.

Dentro do cronograma da concessão, a promessa do governo federal e também do estadual - já que o governo de Pernambuco será o gestor do contrato de concessão - de uma solução definitiva para o calor nos vagões está na aquisição de 22 trens novos (18 elétricos e 4 VLTs), que serão devidamente equipados com ar-condicionado.

A previsão é que esses novos equipamentos sejam entregues ao longo de um prazo de até cinco anos após a consolidação do contrato. O processo de desestatização também pretende reduzir o tempo de espera nas estações, que hoje ultrapassa 20 minutos nos horários de pico, garantindo maior regularidade e segurança aos passageiros.

CRONOGRAMA E TRANSIÇÃO PARA A GESTÃO PRIVADA

O caminho para a modernização definitiva do Metrô do Recife ainda deve levar alguns anos. O leilão de concessão na bolsa de valores está previsto para ocorrer em dezembro de 2026. Caso o cronograma seja cumprido sem novos entraves, a assinatura do contrato com a empresa vencedora deve acontecer no primeiro trimestre de 2027, com o Estado de Pernambuco assumindo parte da gestão a partir do segundo semestre daquele ano. Até lá, a operação continuará sob responsabilidade da CBTU.

 

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