Mobilidade | Notícia

Transporte por moto: Morte de casal na BR-101, no Recife, reforça os riscos do uso de motocicletas em rodovias e vias rápidas

O uso do corredor entre veículos de grande porte e a vulnerabilidade das motos transformam as rodovias em locais de recorrentes mortes na RMR

Por Roberta Soares Publicado em 09/04/2026 às 12:21 | Atualizado em 09/04/2026 às 13:00

Clique aqui e escute a matéria

Uma nova tragédia registrada na BR-101, no trecho que corta a Região Metropolitana do Recife, reforça o debate sobre a insegurança das motocicletas em vias de tráfego intenso e de alta velocidade. Na noite da última quarta-feira, por volta das 20h, um casal perdeu a vida no Km 60,2 da rodovia, na altura do bairro da Guabiraba, na Zona Norte da capital.

A suspeita é de que o condutor da moto tentava transitar no corredor entre dois caminhões quando colidiu com um deles. Com o impacto, a motocicleta tombou e os dois ocupantes foram atropelados pelo outro veículo de carga, morrendo imediata e violentamente no local. As vítimas seriam o casal de namorados Milene Roberta da Silva (passageira) e Roberto Pereira de Lima Júnior (condutor).

O episódio não é um caso isolado e expõe a extrema vulnerabilidade de quem utiliza motocicletas em rodovias, seja em viagens particulares ou no transporte remunerado por aplicativos como Uber e 99 Moto. Segundo o inspetor Cristiano Mendonça, assessor de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a pressa e a inexperiência de alguns condutores têm agravado a gravidade dos sinistros.

“O condutor de motocicleta deve adotar um cuidado redobrado ao trafegar em rodovias. É importante manter distância de veículos de grande porte, como ônibus e caminhões, devido ao ponto cego, que acontece quando o motorista olha pelo retrovisor e não enxerga quem está perto dele”, alerta o inspetor, destacando o perigo mortal da utilização do corredor entre veículos de grande porte.

WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
Em São Paulo, regulamentação municipal prevê exigências severas com o objetivo de preservar vidas e promover a segurança viária. É o caso da proibição de usar os corredores de transporte público ou em vias de trânsito rápido, como as marginais - WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

A violência do atropelamento do casal assemelha-se a outros casos recentes, como o de Fernanda Gabriela Lira, passageira de um transporte por aplicativo que morreu em junho de 2024, no mesmo trecho da BR-101, ao ser "sugada" por uma carreta após o condutor da moto tentar realizar uma manobra imprudente entre veículos pesados. Especialistas e autoridades apontam que muitas motocicletas utilizadas no dia a dia não suportam adequadamente o peso de dois adultos e não oferecem a proteção necessária para a circulação em rodovias onde o volume de carga pesada é intenso. 

MORTES DE OCUPANTES DE MOTOS NA RMR CONCENTRAM-SE NAS BRs 101 E 232

Agência Estado
A suspeita é de que o condutor da moto tentava transitar no corredor entre dois caminhões quando colidiu com um deles. Com o impacto, a motocicleta tombou e os dois ocupantes foram atropelados pelo outro veículo de carga, morrendo imediata e violentamente no local - Agência Estado
MISTER SHADOW/AE
Os ocupantes de motos - não só condutores, mas também passageiros - figuram entre as principais vítimas dos sinistros de trânsito no Recife - MISTER SHADOW/AE

As estatísticas de mortes violentas e imediatas evidenciam que os trechos urbanos das rodovias federais que cortam a Região Metropolitana do Recife (RMR) são os mais letais para quem anda de moto - seja particular ou por aplicativo. As BRs 101 e 232 concentram os sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) mais graves registrados recentemente.

Em abril do ano passado, por exemplo, um passageiro de moto-aplicativo faleceu no Km 62 da BR-101, na Macaxeira, após o condutor se desequilibrar quando um carro tentou mudar de faixa, resultando em um atropelamento fatal por uma carreta que seguia ao lado. Casos de passageiros feridos, mutilados ou mortos têm crescido tanto em Pernambuco quanto no restante do País, evidenciando que a mistura de motos, veículos pesados e alta velocidade em perímetros urbanos das rodovias exige prudência redobrada e fiscalização constante. No caso mais recente da Guabiraba, os motoristas dos caminhões realizaram o teste do bafômetro, que deu negativo, e foram conduzidos para prestar informações à Polícia Civil, que investigará o caso.

Compartilhe

Tags