Mesmo mais barato, transporte clandestino pode custar vidas, principalmente nas rodovias, alerta Abrati
Entidade alerta que a falta de manutenção e fiscalização transforma o transporte irregular no principal vetor de risco das rodovias brasileiras
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O transporte clandestino nas rodovias brasileiras tem se consolidado como um dos principais fatores de risco no trânsito brasileiro. Embora o preço atraente seja um forte chamariz para o consumidor, o risco invisível por trás de uma passagem mais barata pode ser fatal.
Esse perigo foi reforçado pela diretora-geral da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), Letícia Pineschi, em entrevista ao Programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (9/4).
A principal razão para o transporte irregular custar menos é a total ausência de conformidade legal e tributária. Letícia explica que a passagem costuma ser de 30% a 40% mais barata porque as empresas operam à margem da lei. “Principalmente porque as empresas clandestinas não têm nenhum imposto recolhido, os funcionários não são registrados, não há nenhum encargo de folha de pagamento. Toda a estrutura formal de um negócio não é realizada”, afirmou.
Por outro lado, as empresas regulares atendem a inúmeras regras. “O setor de transporte não admite improvisos. O transporte de pessoas é algo onde não cabe amadorismo. A empresa precisa ter uma infraestrutura, uma saúde financeira, um plano de manutenção, toda uma organização”, reforça a diretora.
A FALSA ECONOMIA QUE IGNORA A SEGURANÇA
A redução de custos do transporte clandestino reflete diretamente na segurança do passageiro. Sem o monitoramento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o que começa como uma iniciativa empreendedora torna-se um perigo público. Além disso, o transporte clandestino serve como fachada para outros delitos graves nas estradas brasileiras. “Junto a ele estão alguns crimes como transporte de armas, transporte de drogas, transporte de pessoas não identificadas, menores sem a devida autorização”, alerta.
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A GRAVIDADE DOS SINISTROS DE TRÂNSITO COM ÔNIBUS NAS RODOVIAS
Um dos pontos mais críticos destacados pela Abrati é que, embora os sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) com o transporte coletivo possam acontecer em menor quantidade se comparados a veículos particulares, a gravidade das ocorrências é desproporcional. Quando um ônibus irregular se envolve em um sinistro, o impacto social e o número de vítimas são devastadores.
Segundo a Abrati, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, apenas dez grandes colisões com o transporte clandestino foram responsáveis por cerca de 100 mortes. Letícia Pineschi utiliza uma comparação forte para ilustrar a magnitude dessas tragédias: “Quando a gente fala de um transporte irregular, estamos nos referindo a um ônibus com 40 pessoas. Então, quando tem uma colisão desse tipo, é como se 1/3 de um avião caísse. O risco é ainda maior em veículos de dois andares (double deckers), que podem transportar até 60 passageiros”, alerta.
A ausência de uma fiscalização rigorosa e de convênios ativos entre a Polícia Rodoviária Federal e a ANTT dificulta a retirada desses veículos das ruas, permitindo que a "pirataria" continue acabando com vidas. “Por isso, a orientação é clara: a segurança deve prevalecer sobre o preço, pois o transporte regular garante a manutenção técnica e a responsabilidade jurídica necessárias para proteger a vida dos viajantes”, diz a diretora.