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Uber Moto: Motoqueiros imprudentes poderão ser banidos da plataforma. Entenda

Preocupada com os riscos do serviço e de olho nas regulamentações pelo País, Uber começa a monitorar motoqueiros e poderá banir os imprudentes

Por Roberta Soares Publicado em 01/04/2026 às 12:45

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Preocupada com os riscos de quedas e colisões do transporte remunerado de passageiros com motos e atenta às regras que começam a ser impostas pelas regulamentações do serviço no País, a Uber lançou um sistema para monitorar a condução dos motoqueiros do Uber Moto e que também poderá resultar no banimento dos imprudentes da plataforma.

O sistema se chama Painel de Direção, está em teste há alguns meses e, agora, foi lançado oficialmente pela plataforma. Na prática, busca mitigar os riscos intrínsecos ao transporte remunerado de passageiros em motocicletas, utilizando a tecnologia para coibir comportamentos de risco nas vias urbanas.

O funcionamento da ferramenta baseia-se na análise de dados captados pelo GPS do celular do condutor durante as viagens. O sistema identifica automaticamente excessos de velocidade e padrões de condução agressiva, cruzando essas informações com as avaliações e comentários de segurança deixados pelos passageiros.

Com esse conjunto de dados, o Painel de Direção gera uma pontuação individual para cada motociclista parceiro, permitindo uma visão prática dos hábitos que precisam ser melhorados.

Segundo Rafael Thosi, líder de operações de segurança da Uber no Brasil, o foco central é alavancar a tecnologia própria da empresa para salvar vidas. O projeto faz parte de um tripé estratégico que envolve educação, análise de dados e tecnologia, o que garantiu à plataforma o reconhecimento máximo de três estrelas no Índice de Segurança Viária da FIA (Fédération Internationale de l’Automobile).

FOI IMPRUDENTE, MOTOQUEIRO RECEBERÁ CONTEÚDOS EDUCATIVOS E PODERÁ SER BANIDO DEFINITIVAMENTE

Segundo a Uber, a plataforma adotará uma postura rigorosa contra a direção perigosa. Condutores que apresentarem avaliações consistentemente baixas ou padrões recorrentes de risco receberão, inicialmente, conteúdos educativos para correção de conduta. No entanto, a Uber destaca que, em casos graves ou de reincidência, o parceiro poderá sofrer restrições severas ou até o banimento definitivo da plataforma.

Atualmente, o sistema já monitora velocidade e acelerações bruscas, mas a meta é ampliar essa vigilância significativamente. Até o final de 2026, a tecnologia será capaz de detectar outros comportamentos que elevam o risco de sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT), como:

Uso do celular durante a direção;

Frenagens bruscas e curvas fechadas;

Movimentos de zigue-zague e mudanças constantes de faixa.

“Essa expansão reforça o compromisso da empresa em tornar o Uber Moto uma modalidade mais segura, integrando o painel a outras ferramentas já existentes, como o lembrete de uso de capacete e os check-lists de segurança antes das corridas”, destacou a empresa.

MONITORAMENTO TEM SIDO EXIGIDO EM REGULAMENTAÇÕES DO SERVIÇO

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Novo sistema de monitoramento via GPS pode banir condutores por direção perigosa - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

É fato que a gigante Uber está preocupada com os índices de sinistros de trânsito, mas o monitoramento da qualidade da condução dos motociclistas do serviço de motoapp tem sido uma das exigências que têm aparecido nas leis que regulamentam - ou pelo menos tentam - o serviço. Principalmente nas capitais.

A exigência consta nas propostas de regulamentação do Uber e 99 Moto na cidade de São Paulo (SP), aprovada ainda em 2025 sob determinação da Justiça, e de Belo Horizonte (MG), aprovada no fim de março.

Confira as principais regras impostas na regulamentação do serviço de motoapp em São Paulo e Belo Horizonte:

São Paulo

Para os Condutores:

Idade e experiência: É necessário ter no mínimo 21 anos, possuir CNH nas categorias A ou AB por pelo menos dois anos e estar inscrito como contribuinte no INSS.

Capacitação: O motorista deve ser aprovado em um curso especializado para transporte de passageiros, certificado pelo Contran, cujos custos devem ser arcados pelas empresas de aplicativos.

Antecedentes e exames: Não pode ter cometido infrações de trânsito nos últimos 12 meses, nem possuir condenações por crimes específicos (como homicídio, roubo ou crimes sexuais). Além disso, é exigido exame toxicológico com janela de 90 dias.

Para os as motocicletas:

Idade e potência: As motos devem ter no máximo oito anos de fabricação e motorização entre 150 e 400 cilindradas (ou equivalentes elétricos).

Regularização: Devem possuir registro na categoria aluguel (placa vermelha) e obter o Certificado de Segurança Veicular (CSV).

Equipamentos de segurança: É obrigatório o uso de alças metálicas (traseiras e laterais), protetor de pernas e motor ("mata-cachorro") e antena corta-pipa.

Itens para o passageiro: O condutor deve fornecer capacete homologado pelo Inmetro e touca descartável.

Para as empresas e operação:

Pontos de apoio: Devem assegurar locais de descanso para os motociclistas.

Tecnologia e dados: Os apps precisam exibir a identificação do condutor, manter um dispositivo limitador de velocidade e compartilhar dados de telemetria e trajetos com a prefeitura.

Seguros: É obrigatório o seguro APP para sinistros de trânsito, cobrindo também o passageiro.

Restrições de circulação: O serviço é proibido em corredores de ônibus, vias de trânsito rápido (como marginais), no Centro Expandido e em condições climáticas adversas (chuva intensa ou neblina).

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Passageiros não devem viajar de moto repletos de pacotes e bolsas. Condutores devem recusar corridas assim porque o risco de queda é grande - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Belo Horizonte (MG)

Para os Condutores:

Requisitos básicos: Idade mínima de 21 anos, habilitação há pelo menos dois anos, ausência de antecedentes criminais e inscrição ativa no INSS.

Treinamento: É exigida a realização de cursos de pilotagem e treinamentos periódicos oferecidos pelas empresas.

Identificação: Os aplicativos devem realizar a identificação digital do condutor pelo menos duas vezes ao dia.

Para os veículos e equipamentos:

Regularização: As motos precisam estar devidamente licenciadas com o CRLV válido.

Segurança: É obrigatório o uso de colete retrorrefletivo, capacete e aparador de linha (antena) no guidão.

Seguros: O condutor deve estar coberto pelo seguro DPVAT e por um seguro de Acidentes Pessoais a Passageiros (APP), caso a empresa não o forneça.

Para as empresas:

Infraestrutura de apoio: Os pontos de apoio devem obrigatoriamente oferecer estacionamento, banheiro, água potável, área de descanso e wi-fi.

Monitoramento: Exige-se o monitoramento da velocidade e localização em tempo real, além do fornecimento de instruções de segurança aos usuários.

Transparência: As empresas devem compartilhar dados com o poder público trimestralmente para planejamento urbano e prevenção de acidentes.

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