Mobilidade Travada: Obras estruturadoras de pontes e pontilhões avançam no Recife após décadas de espera e atrasos
Com investimentos milionários, prefeitura do Recife foca na implantação de conexões históricas para ampliar a capacidade de circulação de veículos
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A atual gestão municipal do Recife tem investido forte - não há como negar - na ampliação da infraestrutura viária da cidade, focando na implantação de conexões projetadas ou desejadas há mais de duas ou três décadas. As pontes e os pontilhões construídos ou em construção nas três regiões do Recife confirmam essa afirmação.
São mais de R$ 560 milhões em investimentos desde 2021, numa clara priorização de obras estruturadoras que tentam desafogar o trânsito da capital pernambucana. Embora o foco principal dessas intervenções seja a circulação de automóveis, deixando o transporte coletivo e a ciclomobilidade em segundo plano - o que é bastante criticado por movimentos da mobilidade sustentável - , o avanço é visível. É fato. E um dos enfoques da série de reportagens Mobilidade Travada.
Um dos pilares da estratégia municipal é a construção de grandes pontes que funcionam como vetores de expansão urbana. Entre os projetos de maior impacto está a Ponte Cordeiro-Casa Forte, integrante da III Perimetral, com investimento de R$ 210 milhões e previsão de reduzir em até 63% o tempo de viagem em determinados trajetos na conexão das Zonas Oeste e Norte. As obras tiveram sua ordem de serviço assinada em março de 2026. Outro destaque é a Areias–Imbiribeira (Ponte Júlia Santiago), inaugurada recentemente com aporte de R$ 91 milhões e projetada para beneficiar diretamente 150 mil pessoas.
A gestão também conseguiu destravar projetos históricos, como a Ponte Iputinga-Monteiro, concluída em 2024 após 12 anos de paralisações, oferecendo uma nova alternativa à saturada Avenida Caxangá, na Zona Oeste do Recife. No pacote de novas estruturas, somam-se ainda a Ponte do Rio Morno e a Ponte do Arruda, ambas voltadas para integrar bairros da Zona Norte e ampliar a circulação de veículos em áreas críticas. Na Zona Sul, a duplicação da Ladeira da Cohab surge como uma obra essencial para a ligação entre o Ibura e a BR-101, entrando em fase final de execução em fevereiro de 2026.
PONTILHÕES TÊM SIDO PRIORIDADE PARA FAZER CONEXÕES
Além das grandes obras estruturais como as pontes, a atual gestão da Prefeitura do Recife tem apostado em pequenas conexões viárias por meio de pontilhões para resolver gargalos pontuais. O pontilhão da Rua Amélia, concluído em dezembro de 2024, exemplifica essa abordagem ao aumentar em 20% a capacidade viária na região da Avenida Agamenon Magalhães, na conexão da Zona Norte com a área central do Recife.
Estratégia semelhante tem sido aplicada em Setúbal, com a construção de três novos pontilhões para melhorar a mobilidade local e a drenagem.
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Paralelamente à expansão, a cidade enfrenta o desafio de recuperar seu passivo histórico de infraestrutura envelhecida. Um pacote de mais de R$ 160 milhões foi destinado à requalificação de pontes centenárias e estratégicas, como a Princesa Isabel, Joaquim Cardozo e Joana Bezerra.
A Ponte Giratória (12 de Setembro) foi um dos casos mais emblemáticos, passando por uma intervenção estrutural completa e sendo reaberta ao tráfego no fim de dezembro de 2025, após um período de interdição que impactou severamente a economia e a circulação do Centro.
Apesar do avanço físico das obras, a gestão enfrenta críticas pontuais de moradores, como nos bairros de Santana e adjacências, que denunciam a falta de diálogo em processos de desapropriação e questionam a priorização do transporte individual motorizado em detrimento de outras formas de mobilidade. Entretanto, o ritmo das entregas e o volume de investimentos têm reafirmado a aposta da gestão nas pontes como solução para os gargalos viários do Recife.