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Concessão Metrô do Recife: Sindmetro aponta falhas do projeto e incertezas sobre o futuro do sistema e dos funcionários

Categoria critica falta de transparência no processo, questiona destino de R$ 4 bilhões e alerta para o risco de demissões após fim do acordo coletivo

Por Roberta Soares Publicado em 01/03/2026 às 17:52 | Atualizado em 09/03/2026 às 12:56

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Como esperado, a categoria dos metroviários de Pernambuco manifestou forte oposição ao projeto de concessão do Metrô do Recife apresentado pelo governo federal durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (5/3), no Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon), em Olinda, no Grande Recife. Em entrevista, o vice-presidente do Sindmetro-PE, Thiago Mendes, apontou o que chamou de "erros crassos" e diversas lacunas no escopo da proposta, que vão desde a indefinição sobre o destino dos trabalhadores até a falta de transparência na fiscalização do serviço que será prestado pela futura concessionária.

Para Thiago Mendes, um dos pontos mais críticos reside no modelo de avaliação da qualidade do sistema. Segundo ele, o projeto prevê que a própria empresa vencedora da licitação contrate a entidade independente responsável por fiscalizá-la. "A futura concessionária é que irá contratar uma empresa independente, um procedimento que compromete o processo de avaliação. Será essa empresa contratada que vai avaliar se o serviço está bom ou ruim", afirmou o dirigente.

Além da fiscalização, o sindicalista questionou a súbita disponibilidade de recursos para a iniciativa privada, contrastando com o histórico de sucateamento da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). "O governo diz que não tinha dinheiro para colocar no Metrô do Recife. Foi a modelagem ser anunciada, que apareceram R$ 4 bilhões para se entregar para a iniciativa privada", criticou, ressaltando que o sindicato chegou a apresentar um projeto de reestruturação da CBTU para mantê-la pública e eficiente, mas a proposta não foi considerada pelo governo federal.

INCERTEZA SOBRE O FUTURO DOS METROVIÁRIOS

A maior preocupação da categoria, no entanto, recai sobre a manutenção dos empregos. Embora representantes da Casa Civil tenham dado garantias verbais de que não haveria demissões, Thiago Mendes alerta para uma brecha temporal perigosa: o Acordo Coletivo Especial (ACE), que protege os trabalhadores, expira em outubro de 2026, enquanto a previsão para o leilão da nova concessão é apenas para dezembro.


Bruna Costa / Semobi
Audiência pública com a presença de técnicos do governo federal detalhou o projeto de concessão pública do Metrô do Recife - Bruna Costa / Semobi

"O nosso acordo expira em outubro (...) e ele precisa ser renovado. Foi um acordo tratado com os ministérios e não com a CBTU. É uma decisão de governo", explicou Mendes. O sindicato defende que a única solução definitiva para garantir os postos de trabalho seria a aprovação de um projeto de lei ou a assinatura de um decreto presidencial, medidas que ainda não foram efetivadas.

Por fim, o Sindmetro critica o caráter pouco democrático do processo de concessão, alegando que os documentos não foram apresentados com a antecedência necessária para análise da sociedade e que as populações das cidades diretamente afetadas pelo futuro do metrô, como Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, não foram devidamente ouvidas no debate.

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