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PIX: Pagamento da passagem com PIX e cartões de crédito ainda sem previsão para funcionar integralmente nos ônibus do Grande Recife

Pagamento da tarifa via PIX é testado em três linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife desde 2024, mas uso do cartão de crédito ainda não

Por Roberta Soares Publicado em 25/02/2026 às 16:29 | Atualizado em 25/02/2026 às 16:31

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Embora a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) tenha aprovado nesta terça-feira (24/2) um projeto de lei que determina que os ônibus do Grande Recife passem a aceitar o pagamento da tarifa via PIX e cartões de crédito, ainda não há qualquer previsão para que isso seja implantado universalmente no sistema.

O governo de Pernambuco silenciou sobre o assunto. Procurado pela reportagem, o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) - gestor do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR) - informou que ainda não iria falar sobre o tema.

Segundo a Alepe, o pagamento da tarifa de ônibus por meios digitais, como o PIX e os cartões de crédito, começaria a valer 90 dias após a publicação oficial da nova lei. De acordo com a proposta, de autoria do deputado estadual Wanderson Florêncio (Solidariedade), o sistema de ônibus deverá se organizar para implantar e administrar as novas modalidades de pagamento eletrônico para dar mais opções aos passageiros.

Embora existam questionamentos jurídicos — já que normas sobre concessões de transporte costumam ser de competência do Poder Executivo e não do Legislativo — acredita-se que a lei não será vetada por questões políticas. Vale destacar que o deputado estadual Wanderson Florêncio integra a base eleitoral da governadora Raquel Lyra (PSD).

PAGAMENTO VIA PIX JÁ É ACEITO EM TRÊS LINHAS DE ÔNIBUS DO GRANDE RECIFE

Divulgação
Empresa São Judas Tadeu iniciou testes de pagamento das passagens com PIX no Grande Recife em 2024. Tecnologia é aceita em 3 linhas - Divulgação

Desde outubro de 2024, o pagamento a bordo via PIX vem sendo testado em três linhas do STPP, todas operadas pela empresa São Judas Tadeu, que atende à área Sul da RMR. São elas: 160 - Gaibu/Barra de Jangada; 195 - Porto de Galinhas (Opcional); e 191 - Porto de Galinhas (N Sra do Ó). Nessas linhas, o PIX já representa entre 10% e 12% da renda total.

E segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), a meta é ampliar o serviço para outras linhas. “Atualmente, o pagamento a bordo via PIX, sem a necessidade de utilização de cartões eletrônicos, vem sendo testado em 3 linhas e a intenção é ampliar essa modalidade para o sistema. Além disso, também é possível comprar créditos via PIX no aplicativo e no site do Cartão VEM, um dos principais canais de venda do sistema”, afirmou por nota.

DESAFIOS PARA AMPLIAÇÃO DAS FORMAS DIGITAIS DE PAGAMENTO

A adoção do PIX como forma de pagamento nos ônibus tem desafios. Atualmente, o sistema de recebimento operado pela São Judas Tadeu é considerado rudimentar. Segundo Marcelo Bandeira, diretor executivo da empresa, o serviço é focado principalmente em linhas opcionais, como as do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, atendendo a um público com maior acesso a tecnologia e que viaja sentado, o que facilita a operação.

O executivo explica que a solução adotada atualmente foi desenvolvida internamente e, para ampliar para todos os ônibus, enfrentará desafios. “O nosso sistema ainda exige que o motorista tenha um celular com um bom pacote de dados para receber a confirmação do PIX feito pelo passageiro e liberar a catraca. Isso precisa ser alterado para dar agilidade ao processo de pagamento”, explica.

O sistema funciona da seguinte forma:

- Foi criada uma integração via API entre o banco da empresa e um aplicativo próprio instalado no celular do motorista.

- Quando o PIX é realizado, o motorista recebe uma notificação e libera a catraca manualmente.

- O problema é que esse modelo depende do smartphone e do pacote de dados pessoal do motorista, o que impede sua expansão para todo o sistema. Soluções para esse problema estariam sendo estudadas para substituir o celular do motorista e, assim, ampliar o pagamento via PIX.

MESMO LENTA, TECNOLOGIA ESTÁ EM EXPANSÃO NO BRASIL

JC IMAGEM
Metrô do Recife começou a aceitar pagamento da passagem com PIX nas bilheterias ainda em 2023 - JC IMAGEM

Atualmente, no Brasil, tecnologias embarcadas nos ônibus urbanos estão evoluindo para incorporar PIX e pagamento com cartões bancários, mas o ritmo varia bastante conforme cidade, empresa operadora e contrato público. Sistemas de bilhetagem eletrônica continuam dominantes, com implementações de pagamento por aproximação (EMV) e integrações digitais que incluem PIX. Em algumas localidades (como por exemplo, Florianópolis (SC), Sorocaba (SP) e até mesmo o Grande Recife, testes ou implantações já permitem pagamento por PIX diretamente no ônibus ou por meio de apps intermediários.

Em Pernambuco, o Metrô do Recife já aceita PIX para compra de passagens em todas as estações, e há iniciativas de pagamento por PIX em ônibus metropolitanos em fase de testes - as três linhas da São Judas Tadeu já citadas na reportagem. Apesar de não haver ainda uma universalização, o movimento aponta para maior digitalização da bilhetagem e inclusão de meios de pagamento modernos comparáveis àqueles em outras cidades brasileiras.

Confira os principais tipos de pagamentos digitais das tarifas no transporte coletivo urbano no Brasil:

1. Cartão de transporte (Smart Card/RFID)

O que é: Cartão específico do sistema de transporte (ex: VEM, Bilhete Único).
Tecnologia: RFID (radiofrequência) sem contato.
Forma de uso: O usuário carrega créditos previamente.
Validação: Aproxima no validador e a catraca libera instantaneamente.
Vantagem: Rapidez e integração tarifária (vale-transporte, gratuidades, estudante).
Limitação: Exige recarga prévia; depende de pontos físicos ou apps para crédito.

2. PIX direto no validador (QR Code no ônibus)

O que é: Pagamento instantâneo via PIX no momento do embarque.
Tecnologia: QR Code exibido no validador; pagamento pelo app bancário.
Processo: Usuário escaneia, confirma o PIX e o sistema libera a catraca.
Vantagem: Dispensa cartão físico e dinheiro.
Limitação: Depende de internet no celular e integração em tempo real com o validador.
Nível de adoção: Ainda restrito a algumas cidades.

3. PIX via aplicativo de transporte (Bilhete Digital)

O que é: Pagamento pelo app oficial do sistema.
Forma de pagamento: PIX ou cartão de crédito dentro do app.
Resultado: Geração de QR Code ou bilhete digital para leitura no ônibus.
Vantagem: Compra antecipada, reduz tempo no embarque.
Limitação: Exige cadastro no app e bateria no celular.
Diferença do PIX direto: O pagamento não ocorre no validador, mas antes do embarque.

4. Cartão bancário por aproximação (EMV/Contactless)

O que é: Uso direto do cartão de débito/crédito no validador.
Tecnologia: NFC (aproximação).
Pode incluir: Celular ou smartwatch com carteira digital (Apple Pay, Google Pay).
Vantagem: Não exige cartão de transporte.
Processo: Aproxima e é feito o débito automático na conta bancária.
Limitação: Nem sempre integrado a benefícios tarifários (integração temporal, meia-passagem).

5. Recarga via PIX (para Cartão de Transporte)

O que é: Uso do PIX apenas para carregar créditos no cartão tradicional.
Função: Meio de pagamento para abastecer o saldo.
Uso final: Continua sendo feito com o cartão físico.
Vantagem: Moderniza a recarga, mas mantém sistema existente.
Limitação: Não elimina o cartão.

6. Carteiras digitais (Wallets)

O que são: Aplicativos que armazenam cartões bancários.
Tecnologia: NFC.
Exemplos: Apple Pay, Google Pay, Samsung Pay.
Vantagem: Dispensa cartão físico.
Limitação: Só funciona onde há leitor contactless.

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