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Carnaval 2026: Os riscos para o passageiro que usa Uber ou 99 Moto após consumir álcool na folia

O perigo invisível na garupa dos motoapps: Como o álcool transforma passageiros de motocicletas em risco fatal e prejuízo bilionário ao SUS

Por Roberta Soares Publicado em 11/02/2026 às 16:05 | Atualizado em 12/02/2026 às 12:44

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Com a chegada do Carnaval 2026, um alerta urgente é direcionado aos foliões que planejam utilizar serviços de transporte por aplicativo em duas rodas, como Uber e 99 Moto. Embora a legislação proíba condutores de misturar álcool e direção, o perigo muitas vezes ignorado reside no passageiro. Mesmo que o motorista esteja sóbrio, o comportamento do carona alcoolizado pode desestabilizar o veículo e provocar graves sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB). 

E, o que é mais sério: como a fiscalização de trânsito - que segue o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) - não tem base legal para punir o passageiro alcoolizado, só a conscientização da sociedade sobre esse tipo de transporte pode evitar o pior. Tanto para o passageiro quanto para o motoqueiro.

Para começar, é importante destacar que as motocicletas, ao contrário dos carros, não oferecem proteção física e deixam o ocupante vulnerável em caso de colisão. Quando o passageiro consome álcool, seus reflexos tornam-se lentos e o equilíbrio é comprometido, transformando uma viagem rápida em um risco iminente de ferimentos e até mesmo mortes.

A DINÂMICA DO EQUILÍBRIO E O RISCO DE EMBRIAGUEZ

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Carnaval 2026: Por que usar Uber ou 99 Moto após beber pode ser fatal para o passageiro - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

A condução de uma motocicleta depende fundamentalmente da física e da cooperação entre piloto e passageiro. Eduardo Alves, instrutor e agente de trânsito do Detran-PE, explica que a segurança da viagem está ligada à estabilidade do conjunto de atores sobre a moto. Segundo o agente, a dinâmica da condução da motocicleta se baseia em velocidade e equilíbrio. Por isso, o comportamento do passageiro é primordial”, explica.

Eduardo Alves destaca que um passageiro alcoolizado perde a capacidade de reagir a movimentos bruscos ou curvas, algo imprescindível numa moto. "Esse passageiro embriagado, dependendo do trajeto, pode vir a cochilar, não ter controle do próprio corpo e levar ao desequilíbrio", alerta o instrutor. Ele complementa que, mesmo sem dormir, atitudes bruscas de quem está na garupa podem desestabilizar a moto, especialmente em curvas onde o passageiro, por medo ou falta de coordenação, acaba fazendo um "pêndulo" para o lado oposto, provocando a queda.

EXPLOSÃO DOS ATENDIMENTOS E O IMPACTO NO SUS

Arte
Arte produzida por IA com dados apurados pela reportagem. - Arte

A expansão dos serviços de motoapp coincide com um aumento alarmante nas estatísticas de sinistros de trânsito. No Grande Recife, os atendimentos do SAMU a vítimas de motocicletas saltaram de 9.554 em 2022 para 14.178 em 2024. Atualmente, ocupantes de motos representam mais de 40% das vítimas do trânsito no País.

Além do trauma individual, o custo social é imenso. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indicam que, entre 2015 e 2024, as internações no SUS decorrentes de sinistros de trânsito custaram R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos. Desse total, 60% das internações referem-se a condutores e passageiros de motocicletas.

Diante desse cenário, a orientação de segurança é direta. Para quem pretende beber, a recomendação é optar por veículos de quatro rodas, táxis ou transporte coletivo. Eduardo Alves é enfático no conselho para os foliões: "Se beber demais, use o transporte de quatro rodas". O agente também reforça que, embora a fiscalização não possa punir legalmente o passageiro alcoolizado, cabe ao condutor de motoapp a responsabilidade de recusar a corrida se perceber que a segurança de ambos está em risco.

OCUPANTES DE MOTOCICLETAS SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS

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Especialistas alertam que o estado de embriaguez do "carona" compromete a estabilidade da motocicleta, elevando drasticamente o risco de sinistros e o impacto nos cofres da saúde pública - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Segundo estudo do IPEA

- 60% das internações no SUS por sinistros de trânsito envolvem ocupantes de motocicletas (condutores e passageiros).

Entre 2015 e 2024, foram aproximadamente

1,8 milhão de internações por sinistros de trânsito no Brasil.

O custo dessas internações para o Sistema Único de Saúde (SUS) chegou a R$ 3,8 bilhões no período.

ATENDIMENTOS DO SAMU (Grande Recife)

Crescimento expressivo nos atendimentos a vítimas de sinistros com motos:

2022: 9.554 atendimentos
2024: 14.178 atendimentos

Aumento de quase 50% em apenas dois anos.

O QUE OS NÚMEROS MOSTRAM?

Motociclistas e passageiros estão mais expostos no trânsito.

A pressão sobre o SUS é bilionária.

O crescimento dos atendimentos acompanha a expansão do uso de motos nas cidades.

ALERTA PARA O CARNAVAL 2026

Álcool e motocicleta formam uma combinação de alto risco — mesmo para quem está apenas na garupa.

Mais vulnerabilidade.

Mais internações.

Mais impacto para famílias e para o sistema público de saúde.

 

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