Aumento de passagem? Pernambuco ainda não definiu o valor da tarifa para 2026. Entenda
JC questionou os diversos atores que definem o aumento das passagens, mas o clima é, de fato, de indefinição e de ‘assunto proibido’ no governo
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Ano novo chegando e, como sempre acontece, muitas metrópoles brasileiras começam a anunciar o reajuste das passagens do transporte público - ônibus, metrôs, VLTs e trens. Indesejado pelo passageiro; não recomendado pela qualidade do serviço que, em sua grande maioria é ineficiente; mas esperado pelos operadores. Pelo menos grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte já anunciaram o aumento das tarifas de ônibus e metrô para o início de janeiro de 2026.
Mas em Pernambuco o assunto segue indefinido, embora desde 2008 o realinhamento tarifário do transporte por ônibus da Região Metropolitana do Recife - o Sistema de Transporte Público de Passageiros (STPP) - seja autorizado ou não apenas uma vez por ano e, quando aprovado, sempre com entrada em vigor nos meses de janeiro do ano subsequente.
A Coluna Mobilidade questionou os diversos atores que definem o aumento das passagens, mas o clima é, de fato, de indefinição e de ‘assunto proibido’ no governo. Extraoficialmente, a expectativa é de que o realinhamento não aconteça em 2026, ano de eleições e com a governadora Raquel Lyra (PSD) buscando a reeleição. Há um ano, em janeiro de 2025, as passagens de ônibus do Grande Recife tiveram um reajuste de 4,29% no anel A e 7,63% nas demais tarifas.
Foi quando a tarifa do Anel A - utilizado por mais de 80% dos passageiros - passou de R$ 4,10 para R$ R$ 4,30 (com o arredondamento). Foi o primeiro reajuste desde 2022. Em 2023 e 2024, o governo de Pernambuco congelou as tarifas, e fez a unificação dos anéis A e B. Embora o aumento aprovado para 2025 tenha ficado abaixo da inflação acumulada, no período entre março de 2023 a novembro de 2024 (de 7,63%), o reajuste é sempre desgastante politicamente porque pesa no bolso do passageiros, que já está fugindo do sistema de transporte público.
GOVERNO DE PERNAMBUCO EVITA ASSUNTO E OPERADORES FALAM EM CUSTOS
O governo de Pernambuco se esquivou do tema. Ao ser questionado formalmente sobre se haveria ou não aumento das passagens de ônibus no Grande Recife, a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi) apenas disse que, por enquanto, não se sabe nada sobre reajuste. A Semobi é a pasta que responde pelo STPP e preside o Conselho Superior de Transporte Metropolitano - colegiado que aprova ou não os realinhamentos tarifários.
O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), responsável direto pela gestão do sistema de ônibus, também não se posicionou sobre o assunto, apesar de provocado. Apenas os operadores - O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) - soltaram uma nota, mas mesmo assim sem informar se já propuseram ou não um índice de reajuste. Apenas afirmando esperar um adequado planejamento dos custos.
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“A Urbana-PE reafirma que a definição do valor da tarifa pública é de competência do Conselho Superior de Transporte Metropolitano. Às empresas operadoras cabe apresentar e debater os custos do sistema, de modo que a planilha tarifária reflita a realidade do setor. A Urbana-PE espera que o adequado planejamento dos custos possibilite não apenas a manutenção da operação do serviço, mas também a realização dos investimentos necessários para sua qualificação, assegurando a continuidade do acesso da população a um serviço essencial.”
AUMENTO DAS PASSAGENS EM VÁRIAS CAPITAIS DO BRASIL
O início de 2026 será marcado por uma onda de reajustes nas passagens de transporte público em grandes capitais brasileiras. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte confirmaram aumentos que entrarão em vigor logo nos primeiros dias de janeiro, impactando diretamente o bolso dos usuários de ônibus, trens e metrô.
Em São Paulo, a tarifa dos ônibus municipais subirá de R$ 5 para R$ 5,30 no dia 6 de janeiro de 2026. O reajuste de 6% ficou acima da inflação acumulada de 12 meses (4,5% pelo IPCA), sendo justificado pela prefeitura devido aos altos custos operacionais e à revisão quadrienal de contratos.
Além dos ônibus, o governo estadual também definiu novos valores para o sistema de trilhos: trens e metrô passarão de R$ 5,20 para R$ 5,40, também a partir de 6 de janeiro.
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No Rio de Janeiro, a nova tarifa dos ônibus municipais passará a ser de R$ 5 a partir de 4 de janeiro de 2026. O decreto, publicado no Diário Oficial, abrange diversos serviços, incluindo o BRT, VLT, STPL ("cabritinhos") e transportes especiais. O reajuste também será aplicado ao Bilhete Único Carioca (BUC) e segue parâmetros da legislação municipal e acordos firmados entre a prefeitura, o Ministério Público e os consórcios operadores.
A capital mineira e a região metropolitana terão aumentos em datas distintas. Em Belo Horizonte, as novas tarifas entram em vigor já no dia 1º de janeiro de 2026, com a passagem das linhas convencionais subindo 8,6%, passando de R$ 5,75 para R$ 6,25. As linhas circulares e alimentadoras sobem de R$ 5,50 para R$ 6. O serviço suplementar terá valores entre R$ 3 e R$ 6,25, dependendo do grupo.
Enquanto o transporte metropolitano terá um reajuste de 8,93%, valendo a partir de 9 de janeiro. Apesar dos aumentos, a prefeitura manteve a Tarifa Zero para as linhas de serviço social (vilas e favelas) e a gratuidade total aos domingos e feriados em todas as linhas.