Ciclistas brasileiros usam a bicicleta mais de cinco vezes por semana e não pedalam mais porque faltam ciclovias, confirma pesquisa
A quarta edição da Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista traz dados importantes sobre a bicicleta em 18 cidades, sendo 9 capitais

O ciclista brasileiro usa a bicicleta predominantemente como meio de transporte, pedala cinco ou mais vezes por semana e não utiliza a bike ainda mais por medo do violento trânsito do País e devido à pouca e ruim malha cicloviária das cidades.
Essas são algumas das conclusões da quarta edição da Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista Brasileiro, organizada pela Transporte Ativo e Observatório das Metrópoles, com apoio do Itaú Unibanco. A pesquisa ficou em primeiro lugar no Prêmio Bicicleta Brasil 2024, do Ministério das Cidades, na categoria “Fomento à Cultura da Bicicleta”.
Ao todo, mais de 11 mil ciclistas foram entrevistados em 18 cidades de diferentes tamanhos, distribuídas por quatro regiões do País: Fortaleza-CE, João Pessoa-PB, Recife-PE, Salvador-BA, Natal-RN, Manaus-AM, Belém-PA, Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP, Niterói-RJ, Paranaguá-PR, Petrolina-PE, Juazeiro-BA,Araucária-PR, Campos dos Goytacazes- RJ, Cruzeiro do Sul-AC,, Seropédica-RJ e Volta Redonda-RJ.
CICLOVIAS E REDUÇÃO DA VELOCIDADE DAS RUAS SÃO ESTÍMULOS PARA USAR A BICICLETA
O medo de pedalar ainda fala muito alto entre a população, o que reforça a urgência de as cidades ampliarem as políticas de ciclomobilidade. Ou seja: quanto mais segurança houver para utilizar a bicicleta - ciclovias e redução da velocidade das ruas e avenidas -, mais pessoas irão aderir ao uso.
A infraestrutura adequada (ciclovias e ciclofaixas) foi o argumento de mais da metade dos entrevistados (54,8%) como estímulo para pedalar mais. Na sequência, medidas de segurança no trânsito foram citadas por 26,6%.
Apesar da pouca malha cicloviária nas cidades e do medo de pedalar, a bicicleta ainda é a melhor opção pela rapidez e praticidade para 41,4% dos entrevistados.
Enquanto 26,1% optam pela saúde e outros 21,5% pelo custo, considerado bem menor quando comparado com o transporte motorizado, por exemplo. Mas apenas 3,8% escolheram a consciência ambiental como razão para pedalar.
“O que sugere a necessidade de uma comunicação mais assertiva sobre o potencial da bicicleta no enfrentamento da emergência climática”, alerta o estudo.
CONFIRA PARTICULARIDADES DAS CIDADES
Em Belém (PA), 95,3% das pessoas pedalam 5 ou mais vezes por semana, e apenas 32% utilizam a bicicleta como meio de transporte há menos de cinco anos.
Em São Paulo (SP), o público que pedala como meio de transporte há menos de cinco anos é muito maior: 86,9%.
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Em Fortaleza (CE), pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte para ir e voltar do trabalho são predominantes: 95,5%. São maioria também aqueles que citam a praticidade como principal estímulo para pedalar (60,6%).
Em João Pessoa (PB), o principal estímulo para pedalar mais são mais infraestruturas para bicicletas 74,8%, seguida por Recife (PE), com 64%, e Natal (RN), com 63,6%.
No Recife, mais da metade das pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte o faz há mais de cinco anos
E o uso é, predominantemente, para o trabalho (83,0%). Para a grande maioria dos entrevistados (64,0%), a implantação de infraestruturas cicloviárias seriam um estímulo para usar ainda mais a bicicleta.



No Rio, 78,3% dos entrevistados levam até 30 minutos em seu percurso mais frequente, o que equivale a aproximadamente 7km.
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Salvador (BA) é a cidade que mais se preocupa com a Segurança Pública com 22,2% dos entrevistados, contra 2,3% em Petrolina (PE).
CRISE CLIMÁTICA E A IMPORTÂNCIA DA BICICLETA
Os organizadores do estudo ressaltam que a Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista Brasileiro é ainda mais importante nesta quarta edição porque ela acontece num momento em que o mundo discute o crescimento dos conflitos e eventos climáticos extremos e a urgente descarbonização da mobilidade urbana.
Também reforça a importância do transporte ativo nas cidades, que além do caminhar, tem na bicicleta a sua principal força, especialmente para deslocamentos de até 10 km.
“Considerando que 2024 foi o ano mais quente da história da medição humana, atingindo uma temperatura 1,5°C mais alta, em média, do que aquela registrada na pré-revolução industrial, as bicicletas merecem ainda mais atenção devido às suas características singulares: são transportes limpos, sem qualquer emissão de poluentes, fundamentais para a saúde individual e coletiva, e que se adaptam muito bem a diferentes situações”, destacam.
Confira a pesquisa na íntegra:
Perfil Ciclista Brasil 4 Ed... by Roberta Soares
ENTENDA A PESQUISA
A quarta edição da Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista Brasileiro foi realizada em 12 meses entre preparação, busca, organização, encontros, revisões de documentos e finalização para a publicação da pesquisa.
O trabalho de campo foi realizado por mais de 250 entrevistadores, que saíram a campo entre os meses de agosto e novembro de 2024 para coletar as respostas.