
* Matéria atualizada no dia 5/8/2022
Motoristas de ônibus e empresários fecharam um acordo salarial e, o que mais importa: não haverá greve este ano na Região Metropolitana do Recife. Pelo menos não sob o argumento da campanha salarial, que todos os anos assusta os passageiros.
Os rodoviários terminaram por concordar com a reposição linear de 11,92%, percentual da inflação acumulada este ano. A proposta foi aprovada em assembleia da categoria, realizada na sexta-feira (29/7), por 126 votos a favor e 69 contra.
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O acordo tem gerado polêmica entre os rodoviários porque muitos entendem que a categoria deveria ter insistido em outros benefícios que vinham sendo negociados e foram deixados de lado.
É o caso do aumento do vale refeição para R$ 400 - ficou em R$ 350, aproximadamente - e do subsídio da maior parte dos planos de saúde.
Esse pelo menos é o entendimento do Sindicato dos Rodoviários. A entidade acusa um grupo de oposição de ter forçado a votação em assembleia para que as exigências que seriam melhores para os rodoviários não fossem aprovadas.
O sindicato diz que havia conseguido negociar a inclusão de um plano de saúde para toda a categoria a um valor de R$ 167. "E, como parte da negociação para reduzir o valor do plano, propusemos flexibilizar 1,92 % do índice, transformando-o em um auxílio saúde no valor de R$ 50, o que reduziria o plano para R$ 117”, afirma a entidade.
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“O restante do valor seria convertido no vale refeição. Pela proposta do sindicato o valor do vale refeição iria para R$ 400. A Urbana-PE recusou e propôs R$ 360”, segue.
“No entanto, com o apoio dos empresários, a Oposição patronal apresentou a proposta de reposição linear de 11,92% enterrando o plano de saúde e o aumento real do vale refeição”, acusa.
A oposição ao sindicato rebate, deixando evidente os conflitos internos que sempre marcaram a trajetória da entidade. Alega que a classe entendeu que aprovar a proposta apresentada pelo sindicato levaria a categoria a mais perdas. Provocaria uma greve e até demissões.
A dupla função dos motoristas - que já foi ponto crucial da categoria desde que os cobradores foram retirados dos ônibus - também ficou de lado.
O processo de retirada dos cobradores dos ônibus do Grande Recife foi iniciado ainda em 2015 e ampliado em 2020, com a pandemia de covid-19. Atualmente, menos de 5% das linhas têm o profissional.
A Urbana-PE, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco, se posicionou sobre o acordo por nota. Confira:
“A Urbana-PE informa que, após semanas de conversas com os representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários, as entidades chegaram a um acordo sobre a negociação coletiva da categoria.
Mesmo diante das dificuldades decorrentes da pandemia e da crise econômica pela qual passa o país, que ainda repercutem fortemente no serviço de transporte público, o setor persistiu no diálogo e na busca por um acordo. Ficou definido o reajuste linear de 11,92% nos valores dos salários e benefícios”.
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